Mansão de ex-banqueiro, que tem parede de ouro, adega para 5 mil vinhos e até elevador de comida, vive cenário de abandono

A propriedade de 80 cômodos pertence ao empresário Janguiê Diniz após leilão de R$ 27,5 milhões, mas segue tomada pela vegetação e cogitada para demolição

Mansão de ex-banqueiro vive cenário de abandono

A sala de jantar conta com uma parede revestida em ouro/Reprodução

A mansão projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake e arrematada por R$ 27,5 milhões em leilão judicial continua cercada por vegetação e sem uso definido no Morumbi, na zona sul de São Paulo.

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O imóvel, que já pertenceu ao ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, fundador do extinto Banco Santos, chegou a ser cotado para abrigar uma escola de alto padrão. Depois, também passou a ser alvo de um projeto de demolição para dar lugar a um condomínio residencial.

Com cerca de 8 mil m² de área construída distribuídos em cinco pavimentos, a propriedade ficou conhecida pelo alto padrão de acabamento e pelos ambientes luxuosos. Quando estava em pleno funcionamento, o custo anual de manutenção era estimado em R$ 1 milhão.

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Como é a mansão projetada por Ruy Ohtake

A mansão do ex-banqueiro ocupa um quarteirão inteiro em uma das regiões mais valorizadas do bairro. A propriedade é considerada uma das residências mais emblemáticas do Morumbi e possui paisagismo de Roberto Burle Marx.

O projeto foi concebido para funcionar como uma espécie de complexo residencial, reunindo dezenas de ambientes destinados ao lazer, à convivência e aos serviços.

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Ao todo, o imóvel possui 80 cômodos e 34 banheiros. A estrutura inclui grandes janelas blindadas, elevadores, heliponto e um gerador com capacidade para abastecer uma pequena cidade.

A residência também conta com piscinas coberta e descoberta, academia, biblioteca, quadras de tênis e uma adega planejada para armazenar 5 mil garrafas de vinho.

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Entre os detalhes mais chamativos está a sala de jantar. O ambiente possui uma parede revestida em ouro e uma mesa de mogno do século XIX com capacidade para acomodar 24 pessoas.

Outro diferencial é o sistema interno criado para facilitar a rotina dos moradores. A casa contava com um elevador exclusivo para transportar refeições até os quartos. A arquitetura também apresenta influência japonesa, uma das marcas registradas dos projetos assinados por Ruy Ohtake.

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Mansão já abrigou obras de arte

Durante o período em que pertenceu a Ferreira, a propriedade abrigou uma importante coleção de obras de arte. O acervo reunia trabalhos de artistas brasileiros e internacionais, como Basquiat e Di Cavalcanti, reforçando o perfil de luxo e ostentação do imóvel.

Após a falência do Banco Santos, a mansão passou a integrar os ativos utilizados no processo de liquidação judicial da instituição financeira.

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Quem é o dono da mansão hoje?

Desde 2020, a propriedade pertence ao empresário José Janguiê Diniz, que adquiriu o imóvel por R$ 27,5 milhões em um leilão judicial. O empresário pretendia transformar a mansão em uma escola devido a localização privilegiada e a ampla estrutura. Três anos depois, a nova proposta foi demolir a residência para construir um condomínio no terreno.

Até o momento, nem o projeto da escola nem a proposta de demolição saíram do papel.

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Falência do Banco Santos

O Banco Santos, fundado por Edemar Cid Ferreira, foi uma das instituições financeiras que mais cresceram no Brasil durante os anos 1990. No entanto, o Banco Central identificou um rombo bilionário causado por fraudes contábeis em 2004, o que levou à liquidação da instituição e à decretação de sua falência em 2005.

Como parte do processo de ressarcimento aos inúmeros credores, os bens do ex-banqueiro, incluindo a mansão luxuosa no Morumbi, foram leiloados pela Justiça.