Herdeira ergue mansão secreta no Havaí para guardar 2.500 obras de arte e palácio desmontado do Oriente Médio

A residência de Doris Duke esconde um dos acervos de arte islâmica mais importantes do mundo e um pavilhão com trampolim hidráulico de 9 metros

Detalhes do museu Shangri La, antiga mansão da herdeira Doris Duke

A Playhouse foi inspirada no Palácio Chehel Sotoun, no Irã/Architectural Digest Middle East

Quem passa pela fachada da mansão Shangri La, na costa sudeste da ilha de Oahu, no Havaí, sequer imagina o que existe atrás de seus muros. A residência discreta parece apenas uma casa de luxo à beira-mar. No entanto, seu interior abriga uma das mais importantes coleções de arte islâmica do mundo.

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A propriedade esconde mais de 2.500 obras reunidas ao longo de décadas por Doris Duke (1912-1993), uma socialite americana que ficou conhecida como “a garota mais rica do mundo”. Aos 12 anos, ela herdou a fortuna de seu pai, James Buchanan Duke (1856-1925), criador da American Tobacco Company e da Duke Power. A partir daí, dedicou-se aos investimentos financeiros.

Veja as imagens da mansão secreta de Doris Duke

Uma viagem de lua de mel mudou a vida

A história da mansão começou em meados de 1935, quando Doris Duke iniciou uma viagem de lua de mel ao redor do mundo junto com diplomata James H. R. Cromwell (1896-1990). À época, ela tinha apenas 22 anos.

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A dupla passou por países do Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia. Durante a viagem, a herdeira teve o primeiro contato com a arquitetura islâmica e começou a adquirir cerâmicas, tecidos, esculturas, painéis de madeira, objetos metálicos e elementos arquitetônicos históricos.

Ao chegar ao Havaí, a coleção já era tão grande que Doris decidiu construir uma residência inteiramente planejada para receber aquelas peças, em vez de distribuí-las por suas outras propriedades.

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Em geral, a propriedade reúne azulejos persas, mármores indianos, painéis sírios, cerâmicas marroquinas, objetos otomanos e peças históricas.

Casa foi projetada para ser parte da coleção

O projeto ficou a cargo do arquiteto americano Marion Sims Wyeth (1889-1982), que concebeu uma residência térrea cercada por jardins e pátios internos. Embora apresentasse linhas modernas, a arquitetura foi inspirada nas construções tradicionais do mundo islâmico.

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Em vez de destacar a fachada para a rua, o projeto concentra ambientes ao redor de pátios internos, fontes e espaços reservados, característica presente em residências históricas do Oriente Médio. Quem observa a construção encontra uma fachada discreta, embora o cenário interior seja completamente diferente.

Os corredores são revestidos por azulejos iranianos do século XIII, os tetos recebem painéis de madeira entalhada e pintados à mão, enquanto biombos no estilo mashrabiya filtram a luz natural que entra pelos ambientes.

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Acervo reúne peças raras de civilizações islâmicas

Ao longo das décadas, Doris Duke continuou ampliando a residência e a coleção. Após visitar o Taj Mahal, por exemplo, ela encomendou a arquitetos e artesãos da Índia uma suíte inteira revestida em mármore, inspirada na arquitetura mogol.

O conjunto inclui paredes esculpidas, portas de bronze e trabalhos de incrustação em pedra que transformaram o espaço em uma das áreas mais sofisticadas da casa.

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Entre as obras mais valiosas está um mihrab, nicho de oração utilizado em mesquitas, produzido no século XIII em Kashan, no Irã. Assinada pelo ceramista Abu Zayd, a peça é considerada uma das mais importantes da cultura iraniana preservadas em coleções públicas ou privadas.

Os interiores foram desmontados em seus países de origem e remontados dentro da residência, incluindo uma sala de recepção síria do século XIX trazida de Damasco.

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Arquitetura mistura tradição islâmica e engenharia americana

Um dos espaços mais curiosos da mansão é a chamada Playhouse, um pavilhão para hóspedes inspirado no Palácio Chehel Sotoun, construído no século XVII na cidade iraniana de Isfahan.

Doris Duke recriou o efeito visual das colunas refletidas sobre um espelho d’água, característico do edifício persa. Ao mesmo tempo, incorporou um elemento totalmente americano para a época: um trampolim hidráulico capaz de se elevar a quase nove metros de altura sobre a piscina.

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O resultado foi uma combinação incomum entre referências da arquitetura persa e soluções de engenharia típicas dos Estados Unidos dos anos 1930.

Residência virou museu após a morte da proprietária

Amigos próximos afirmavam que Doris Duke nunca considerou Shangri La uma obra concluída. A residência permaneceu em constante transformação durante toda a sua vida, acompanhando a chegada de novas peças e a reorganização dos ambientes.

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Quando morreu, a herdeira deixou em testamento o desejo de transformar a propriedade em um centro dedicado ao estudo e à preservação da arte islâmica. A vontade foi cumprida em 2002, quando a residência foi aberta ao público como o Shangri La Museum of Islamic Art, Culture & Design.

Como visitar a mansão?

Atualmente, as visitas começam no Museu de Arte de Honolulu e seguem até a propriedade, onde os visitantes percorrem ambientes preservados como foram deixados pela colecionadora. Além do acervo histórico, o museu mantém programas de pesquisa, conservação e residência artística, recebendo estudiosos e artistas de diferentes países.

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A visitação custa US$ 45 para turistas e visitantes que não são residentes do estado. O ingresso inclui uma visita semiguiada de 75 minutos, transporte de ida e volta até a propriedade e entrada gratuita, no mesmo dia, no museu de onde parte o passeio. Para moradores do Havaí (kamaʻāina), os valores são reduzidos: US$ 20 às quintas e sextas-feiras e US$ 25 aos sábados.

O acesso ao Shangri La é feito exclusivamente por um traslado oficial, com cerca de 20 minutos de duração, que parte do Honolulu Museum of Art (HoMA) ou do Bishop Museum, instituições parceiras do programa de visitas.

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Crianças menores de 7 anos não podem participar do tour na mansão, e os ingressos são disponibilizados mensalmente. Como a procura costuma ser alta, o museu recomenda fazer a reserva com vários meses de antecedência para garantir uma vaga.