Manifestação contra o casamento gay reúne pelo menos 340 mil em Paris

Milhares de manifestantes franceses, levando crianças, brandiram bandeiras históricas à Torre Eifel, protestando contra a legalização do casamento gay.

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13 JAN 201319h00

Centenas de milhares de manifestantes franceses convergiram para a Torre Eiffel neste domingo, brandindo bandeiras históricas da França e muitas vezes levando crianças, em protesto contra o plano do presidente do país, François Hollande, em legalizar nesta semana o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O projeto proposto por Hollande também permitirá que casais homossexuais adotem crianças e esse pareceu ser um ponto importante no descontentamento dos manifestantes. A oposição ao projeto de Hollande mostrou divisões importantes entre os franceses, cuja maioria é católica mas também secular, em um contraste maior entre os que vivem em Paris e nas capitais regionais e as populações rurais, mais conservadoras. Segundo a polícia, 340 mil pessoas participaram da manifestação. Já os organizadores disseram ao jornal Le Monde que foram 800 mil.

Pesquisas de opinião, contudo, indicam que a maioria dos franceses ainda apoia o casamento gay. A manifestação deste domingo começou em três pontos diferentes da capital francesa, com as colunas partindo da Place d'Italie, da porta Mailot e de Denfert-Rochereau, indo ao Campo de Marte e convergindo para o ponto turístico mais emblemático de Paris. A polícia parisiense estimou a multidão em 340 mil pessoas, o que tornou a manifestação uma das maiores feitas na capital francesa desde 1984, nos protestos contra a reforma educacional. Portando bandeiras cor-de-rosa, os manifestantes pediram a Hollande que suspenda o projeto.

Manifestantes tomaram a área em volta do Torre Eifel para protestar contra a legalização do casamento gay no país. (Foto: Divulgação)

"Essa lei levará a uma mudança na civilização que nós não queremos", disse Philippe Javaloyes, professor de literatura que acompanhou 300 conterrâneos da região do Franco Condado, perto da Suíça. "Nós não temos nada contra estilos diferentes de vida, mas acreditamos que uma criança deve crescer em uma família com um pai e uma mãe", disse.

A oposição dos líderes religiosos reduziu a tolerância dos franceses com o casamento gay. Uma pesquisa de opinião publicada neste domingo indica que 52% dos franceses são atualmente a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, abaixo dos 65% que eram favoráveis em agosto do ano passado. A união civil entre pessoas, aprovada na França em 1999, é popular tanto entre casais heterossexuais quanto homossexuais. Mas a lei de união civil francesa não prevê a adoção de crianças, questão que virou central no debate atual sobre o casamento gay na França.

O apoio ao casamento gay - e principalmente a adoção de crianças por casais do mesmo sexo - é particularmente fraco fora de Paris e neste domingo milhares de manifestantes de várias regiões francesas vieram à capital protestar, com os emblemas e escudos que representam as regiões desde a Idade Média, gritando "pai" e "mãe".

A manifestação, contudo, não reuniu apenas católicos romanos - muitos muçulmanos, conservadores laicos e até homossexuais protestaram hoje contra o projeto de lei.

"A mensagem enviada ao presidente Hollande é muito poderosa" disse Jean-François Copé, líder do partido de centro-direita União por um Movimento Popular (UMP), o mesmo do ex-presidente Nicolas Sarkozy. "É perigoso ver Hollande impor uma reforma deste tipo, apesar de toda a oposição", disse Copé, que liderou um grupo de manifestantes. Hollande, prometeu legalizar o casamento gay, concedendo a casais do mesmo sexo proteções legais que os permitirão adotar crianças, entre outros benefícios.

A ministra da Justiça, Christiane Taubira, disse que o governo pressionará pela aprovação do projeto. O Partido Socialista possui maioria na Assembleia Nacional, tanto na câmara dos deputados quanto no Senado. A votação ocorrerá nesta semana, mas em momento em que Hollande perde popularidade. No fin al do 1º semestre do ano passado, logo após a eleição presidencial, a aprovação de Hollande estava em 53%; em dezembro de 2012, havia caído para 35%. No mês passado, Hollande sofreu outra derrota, quando a suprema corte francesa derrubou uma lei defendida pelos socialistas, que aumentaria os impostos para 75% da renda dos franceses que ganham acima de € 1 milhão por ano.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.