Mancha de poluição no mar assusta banhistas em cidade popular do Nordeste

Os testes confirmaram que a coloração escura e o cheiro característico vem da decomposição de matéria orgânica comum nos manguezais

O avanço da urbanização desordenada ao redor do Rio Morto contribui para esse problema

O avanço da urbanização desordenada ao redor do Rio Morto contribui para esse problema | Reprodução/Jampa Paradise

Uma mancha escura e com odor forte foi registrada no mar da Região Metropolitana de João Pessoa, especificamente na praia do Bessa, próxima à foz do Rio Jaguaribe. 

O fenômeno, inicialmente atribuído às características naturais do mangue, também apresentou contaminação por coliformes fecais, indicando possível despejo irregular de esgoto na área.

A Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) coletou amostras da água para análise. 

Os testes confirmaram que a coloração escura e o cheiro característico são provenientes da decomposição de matéria orgânica comum nos manguezais, onde a baixa concentração de oxigênio favorece a liberação de compostos como sulfeto de hidrogênio e dimetilsulfeto. 

Contudo, a presença de bactérias associadas a esgoto doméstico na amostra analisada levanta preocupações ambientais.

Impactos ambientais

O trecho do Rio Jaguaribe que deságua no mar, conhecido como Rio Morto, recebe predominantemente águas pluviais e drenagem urbana. 

Durante períodos secos, a água fica represada, acumulando matéria orgânica e gerando substâncias que alteram sua coloração e odor. Em momentos de chuvas intensas, esse material é arrastado para o oceano, formando a chamada “língua negra”.

Embora esse processo seja natural, a identificação de coliformes fecais reforça a preocupação com o lançamento de dejetos sem tratamento adequado na região. 

O avanço da urbanização desordenada ao redor do Rio Morto contribui para esse problema, uma vez que comunidades ribeirinhas frequentemente despejam resíduos diretamente nas águas do rio.

Medidas de precaução

Diante dos resultados, a Sudema recomendou que os banhistas evitem o contato com a água em um raio de 100 metros ao redor do ponto de vazamento.

A superintendência também seguirá monitorando a balneabilidade da área e realizará uma investigação para identificar fontes ilegais de despejo de esgoto, dentro do projeto Praia Limpa.

João Pessoa é considerada a cidade favorita dos turistas, e recebe visitantes o ano inteiro.

As prefeituras de João Pessoa e Cabedelo, em conjunto com o policiamento ambiental, intensificaram a fiscalização no local. 

Novas amostras foram coletadas para análise de parâmetros como pH, temperatura, salinidade e oxigênio dissolvido, buscando esclarecer a real extensão do problema e orientar ações futuras para a melhoria da qualidade ambiental da região.