Atualmente, o piso nacional do magistério está fixado em R$ 4.868 / Lucas Fermin/SEED-PR
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Um levantamento recente sobre os salários de professores das redes estaduais revela que, apesar de todos os estados cumprirem o piso nacional da categoria, diversas unidades da federação ainda oferecem remunerações muito próximas ao mÃnimo legal.Â
Os dados fazem parte de um estudo divulgado pelo Movimento Profissão Docente, que analisou os vencimentos de 2025 com base em informações oficiais das secretarias estaduais de educação.
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Atualmente, o piso nacional do magistério está fixado em R$ 4.868, valor que serve como base para o inÃcio da carreira em todo o paÃs. Mesmo com a obrigatoriedade legal, o levantamento mostra que alguns estados pagam apenas alguns reais acima desse mÃnimo.
Entre as redes estaduais com menores salários iniciais estão Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Ceará, Bahia e PiauÃ.Â
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No Rio de Janeiro, por exemplo, o salário inicial é de R$ 4.867,77, praticamente igual ao piso nacional. Em Minas Gerais, o valor é de R$ 4.867,97, enquanto no Paraná chega a R$ 4.920,55.
Outros estados também aparecem próximos do mÃnimo legal, como Ceará, com R$ 4.961,73, Bahia, com R$ 4.965,24, e PiauÃ, com R$ 4.984,17. Nesses casos, a diferença em relação ao piso nacional é mÃnima, o que evidencia a dificuldade de muitas redes estaduais em ampliar a remuneração inicial dos docentes.
No extremo oposto da tabela aparecem redes estaduais que oferecem remunerações significativamente mais altas para professores iniciantes.
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O destaque é o Mato Grosso do Sul, onde o salário inicial chega a R$ 13.007,12, mais que o dobro do piso nacional. Em seguida aparecem o Maranhão, com remuneração inicial de R$ 8.452,03, e o Pará, que paga R$ 8.289,86 para docentes no inÃcio da carreira.
Esses valores demonstram como a remuneração docente pode variar amplamente entre as redes estaduais brasileiras. Em alguns casos, o salário inicial pago por um estado chega a ser 2,7 vezes maior que o oferecido nas redes com menor remuneração.
Além do salário inicial, o estudo também analisou a evolução da remuneração ao longo da carreira docente, medida pelo conceito de amplitude remuneratória, que indica quanto o salário cresce com o tempo de serviço.
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Em algumas redes estaduais, essa progressão é bastante limitada. Estados como Piauà e Santa Catarina apresentam crescimento inferior a 3% ao longo da carreira, o que significa que o salário do professor praticamente não muda com os anos de trabalho.
Em outras redes, no entanto, o aumento salarial é mais significativo. O estudo mostra que estados como Ceará, São Paulo, Tocantins, Amapá e Mato Grosso do Sul apresentam progressões mais expressivas, especialmente nos primeiros anos da carreira, o que é considerado importante para atrair e reter profissionais qualificados.
No caso de São Paulo, o salário inicial para professores da rede estadual é de R$ 5.565, valor superior ao piso nacional, mas ainda considerado insuficiente por parte da categoria quando comparado ao custo de vida, especialmente na capital.
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Estudos sobre o custo de vida na cidade de São Paulo indicam que uma renda mensal confortável para manter despesas básicas pode variar entre R$ 4.500 e mais de R$ 6.000, dependendo do bairro, do padrão de moradia e dos gastos com transporte e alimentação.
Nesse cenário, muitos docentes afirmam que o salário inicial acaba sendo consumido quase integralmente por despesas essenciais, o que dificulta a permanência na profissão ou a dedicação exclusiva ao magistério.
Por outro lado, a rede estadual paulista apresenta uma das maiores remunerações no fim da carreira, chegando a R$ 14.469, atrás apenas do Mato Grosso do Sul, onde o valor final ultrapassa R$ 26 mil.
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A discussão sobre salários e valorização docente ganhou força após o anúncio de greve geral de professores da rede estadual de São Paulo, marcada para os dias 9 e 10 de abril.
A paralisação foi definida em assembleia organizada pela Apeoesp, sindicato que representa a categoria. O movimento recebeu o nome de Operação Braços Cruzados e deve mobilizar educadores em escolas de todo o estado.
Segundo o sindicato, a greve foi convocada após avaliação do que a entidade considera ataques recentes à educação pública e polÃticas educacionais que, na visão da organização, representam um enfraquecimento dos serviços públicos.
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Como parte da mobilização, representantes da entidade devem visitar escolas da rede estadual para dialogar com professores, estudantes, pais e funcionários sobre a campanha e os motivos da paralisação.
No dia 10 de abril, está prevista a realização de uma nova assembleia estadual dos professores, quando a categoria poderá discutir a continuidade ou ampliação do movimento.
Até o momento, o governo do Estado de São Paulo não havia divulgado posicionamento oficial sobre a greve anunciada pela entidade.
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Especialistas em educação apontam que a remuneração docente está diretamente ligada à qualidade do ensino.Â
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) indica que o professor é responsável por quase 60% do desempenho dos alunos no ensino fundamental, superando fatores como infraestrutura escolar, tamanho das turmas ou renda familiar.
Por esse motivo, pesquisadores defendem polÃticas que valorizem o magistério não apenas por meio de reajustes salariais, mas também com melhores condições de trabalho, formação continuada e planos de carreira mais atrativos.
A comparação entre os estados mostra que, embora o piso nacional tenha ampliado a remuneração mÃnima ao longo dos últimos anos, a valorização docente ainda é desigual no paÃs, com diferenças significativas entre as redes estaduais e desafios persistentes para atrair novos profissionais para a carreira.