Cotidiano

Mal superam o piso legal: Os estados que pagam os menores salários a professores

Greve anunciada recentemente em SP reacende debate sobre a valorização docente no país

Luna Almeida

Publicado em 10/03/2026 às 08:01

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Atualmente, o piso nacional do magistério está fixado em R$ 4.868 / Lucas Fermin/SEED-PR

Continua depois da publicidade

Um levantamento recente sobre os salários de professores das redes estaduais revela que, apesar de todos os estados cumprirem o piso nacional da categoria, diversas unidades da federação ainda oferecem remunerações muito próximas ao mínimo legal. 

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Os dados fazem parte de um estudo divulgado pelo Movimento Profissão Docente, que analisou os vencimentos de 2025 com base em informações oficiais das secretarias estaduais de educação.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Vai ter aula? Professores de SP anunciam greve gera e prometem mobilização nas escolas

• Marinha abre concurso para professores com jornada de 20h semanais e salário de até R$ 4,8 mil

• Cidade investe na Educação e entrega uniformes, espaço de inclusão e escolas reformadas

Atualmente, o piso nacional do magistério está fixado em R$ 4.868, valor que serve como base para o início da carreira em todo o país. Mesmo com a obrigatoriedade legal, o levantamento mostra que alguns estados pagam apenas alguns reais acima desse mínimo.

Entre as redes estaduais com menores salários iniciais estão Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Ceará, Bahia e Piauí. 

Continua depois da publicidade

No Rio de Janeiro, por exemplo, o salário inicial é de R$ 4.867,77, praticamente igual ao piso nacional. Em Minas Gerais, o valor é de R$ 4.867,97, enquanto no Paraná chega a R$ 4.920,55.

Outros estados também aparecem próximos do mínimo legal, como Ceará, com R$ 4.961,73, Bahia, com R$ 4.965,24, e Piauí, com R$ 4.984,17. Nesses casos, a diferença em relação ao piso nacional é mínima, o que evidencia a dificuldade de muitas redes estaduais em ampliar a remuneração inicial dos docentes.

Três estados lideram ranking de melhores salários

No extremo oposto da tabela aparecem redes estaduais que oferecem remunerações significativamente mais altas para professores iniciantes.

Continua depois da publicidade

O destaque é o Mato Grosso do Sul, onde o salário inicial chega a R$ 13.007,12, mais que o dobro do piso nacional. Em seguida aparecem o Maranhão, com remuneração inicial de R$ 8.452,03, e o Pará, que paga R$ 8.289,86 para docentes no início da carreira.

Esses valores demonstram como a remuneração docente pode variar amplamente entre as redes estaduais brasileiras. Em alguns casos, o salário inicial pago por um estado chega a ser 2,7 vezes maior que o oferecido nas redes com menor remuneração.

Diferença salarial ao longo da carreira também varia

Além do salário inicial, o estudo também analisou a evolução da remuneração ao longo da carreira docente, medida pelo conceito de amplitude remuneratória, que indica quanto o salário cresce com o tempo de serviço.

Continua depois da publicidade

Em algumas redes estaduais, essa progressão é bastante limitada. Estados como Piauí e Santa Catarina apresentam crescimento inferior a 3% ao longo da carreira, o que significa que o salário do professor praticamente não muda com os anos de trabalho.

Em outras redes, no entanto, o aumento salarial é mais significativo. O estudo mostra que estados como Ceará, São Paulo, Tocantins, Amapá e Mato Grosso do Sul apresentam progressões mais expressivas, especialmente nos primeiros anos da carreira, o que é considerado importante para atrair e reter profissionais qualificados.

São Paulo paga acima do piso, mas custo de vida pesa

No caso de São Paulo, o salário inicial para professores da rede estadual é de R$ 5.565, valor superior ao piso nacional, mas ainda considerado insuficiente por parte da categoria quando comparado ao custo de vida, especialmente na capital.

Continua depois da publicidade

Estudos sobre o custo de vida na cidade de São Paulo indicam que uma renda mensal confortável para manter despesas básicas pode variar entre R$ 4.500 e mais de R$ 6.000, dependendo do bairro, do padrão de moradia e dos gastos com transporte e alimentação.

Nesse cenário, muitos docentes afirmam que o salário inicial acaba sendo consumido quase integralmente por despesas essenciais, o que dificulta a permanência na profissão ou a dedicação exclusiva ao magistério.

Por outro lado, a rede estadual paulista apresenta uma das maiores remunerações no fim da carreira, chegando a R$ 14.469, atrás apenas do Mato Grosso do Sul, onde o valor final ultrapassa R$ 26 mil.

Continua depois da publicidade

Greve de professores reacende debate sobre valorização

A discussão sobre salários e valorização docente ganhou força após o anúncio de greve geral de professores da rede estadual de São Paulo, marcada para os dias 9 e 10 de abril.

A paralisação foi definida em assembleia organizada pela Apeoesp, sindicato que representa a categoria. O movimento recebeu o nome de Operação Braços Cruzados e deve mobilizar educadores em escolas de todo o estado.

Segundo o sindicato, a greve foi convocada após avaliação do que a entidade considera ataques recentes à educação pública e políticas educacionais que, na visão da organização, representam um enfraquecimento dos serviços públicos.

Continua depois da publicidade

Como parte da mobilização, representantes da entidade devem visitar escolas da rede estadual para dialogar com professores, estudantes, pais e funcionários sobre a campanha e os motivos da paralisação.

No dia 10 de abril, está prevista a realização de uma nova assembleia estadual dos professores, quando a categoria poderá discutir a continuidade ou ampliação do movimento.

Até o momento, o governo do Estado de São Paulo não havia divulgado posicionamento oficial sobre a greve anunciada pela entidade.

Continua depois da publicidade

Salário influencia diretamente a qualidade do ensino

Especialistas em educação apontam que a remuneração docente está diretamente ligada à qualidade do ensino. 

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) indica que o professor é responsável por quase 60% do desempenho dos alunos no ensino fundamental, superando fatores como infraestrutura escolar, tamanho das turmas ou renda familiar.

Por esse motivo, pesquisadores defendem políticas que valorizem o magistério não apenas por meio de reajustes salariais, mas também com melhores condições de trabalho, formação continuada e planos de carreira mais atrativos.

A comparação entre os estados mostra que, embora o piso nacional tenha ampliado a remuneração mínima ao longo dos últimos anos, a valorização docente ainda é desigual no país, com diferenças significativas entre as redes estaduais e desafios persistentes para atrair novos profissionais para a carreira.

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software