Uma pesquisa indica que o planeta vermelho foi palco da maior cachoeira já identificada no Sistema Solar / Gemini AI
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A busca por ambientes que possam ter abrigado vida fora da Terra levou a NASA a uma das descobertas mais impressionantes já feitas sobre Marte. Dados enviados pelo Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) indicam que o planeta vermelho foi palco da maior cachoeira já identificada no Sistema Solar: uma queda d’água com cerca de 4 quilômetros de altura, formada há aproximadamente 3,7 bilhões de anos.
As evidências apontam para um evento geológico extremo, resultado da liberação repentina de enormes volumes de água líquida, que despencaram por falésias gigantes na região conhecida como Echus Chasma. O fenômeno ocorreu em um período em que Marte ainda possuía água abundante, mares primitivos e atividade interna intensa.
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Lançado em 2005, o Mars Reconnaissance Orbiter é considerado o principal instrumento de mapeamento já enviado a Marte. A sonda já completou mais de 60 mil órbitas e transmitiu mais dados do planeta do que todas as missões anteriores somadas, permitindo reconstruir com precisão a história climática e geológica marciana.
Entre seus instrumentos estão a MARCI, que monitora o clima global diariamente; a Context Camera (CTX), responsável por imagens que cobrem cerca de 99% da superfície do planeta; e câmeras de altíssima resolução, capazes de revelar dunas em movimento, avalanches polares e antigas estruturas formadas pela ação da água.
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Esse conjunto de dados permitiu aos cientistas identificar marcas profundas deixadas por fluxos hídricos de grande escala, abrindo caminho para interpretações mais robustas sobre o passado aquático de Marte.
Uma das regiões mais estudadas pelo MRO é a Bacia de Eridania, uma vasta depressão localizada sobre algumas das crostas mais antigas do planeta. Formada há cerca de 3,8 bilhões de anos, a área é considerada o remanescente de um antigo mar marciano.
Estimativas indicam que esse corpo d’água teve um volume mais de dez vezes superior ao dos Grandes Lagos da América do Norte e cerca de três vezes maior que o do Mar Cáspio. No fundo da bacia, os instrumentos da NASA identificaram depósitos minerais com até 400 metros de espessura, compostos por materiais típicos de ambientes hidrotermais profundos.
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Na Terra, esse tipo de ambiente está diretamente associado ao surgimento da vida. Entenda mais na galeria que preparamos abaixo.
A presença simultânea de água líquida, calor interno e energia química sugere que Marte reuniu, por longos períodos, os principais ingredientes considerados essenciais para o desenvolvimento de formas de vida microbiana. Estudos indicam que essas condições podem ter persistido por centenas de milhões de anos, tempo suficiente para processos biológicos se iniciarem.
O intervalo coincide com o período em que a vida começou a surgir na Terra, reforçando a hipótese de que Marte possa ter sido habitável no passado, ainda que em escala microscópica.
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Por volta de 3,7 bilhões de anos atrás, Marte passou por uma mudança climática abrupta. O planeta começou a perder calor rapidamente, e grande parte da água líquida congelou, infiltrou-se no subsolo ou migrou para os polos.
Paradoxalmente, esse resfriamento ocorreu em paralelo a um período de intensa atividade vulcânica. O calor liberado do interior do planeta provocou inundações violentas, fazendo com que volumes massivos de água corressem das terras altas do sul em direção a Echus Chasma.
Nesse processo, a água despencou por paredões com cerca de 4 quilômetros de altura, espalhando-se depois por um cânion de aproximadamente 10 quilômetros de largura e 100 quilômetros de extensão. O evento deu origem à maior cachoeira já registrada no Sistema Solar.
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Após o fim das inundações, a água desapareceu. O que permaneceu foram as marcas profundas esculpidas na superfície marciana, cicatrizes permanentes de um planeta que já foi quente, úmido e dinâmico.
Hoje, essas formações são estudadas como registros naturais de um passado em que Marte teve oceanos, clima ativo e, possivelmente, ambientes capazes de sustentar vida, tornando o planeta vermelho um dos principais focos da astrobiologia moderna.