Cotidiano

Maior cachoeira do Sistema Solar foi em Marte e revela passado com oceanos e clima extremo

Dados da NASA indicam que uma queda d'água de 4 km em Marte expôs mares antigos, colapso climático e pistas sobre vida

Giovanna Camiotto

Publicado em 31/01/2026 às 13:37

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Uma pesquisa indica que o planeta vermelho foi palco da maior cachoeira já identificada no Sistema Solar / Gemini AI

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A busca por ambientes que possam ter abrigado vida fora da Terra levou a NASA a uma das descobertas mais impressionantes já feitas sobre Marte. Dados enviados pelo Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) indicam que o planeta vermelho foi palco da maior cachoeira já identificada no Sistema Solar: uma queda d’água com cerca de 4 quilômetros de altura, formada há aproximadamente 3,7 bilhões de anos.

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As evidências apontam para um evento geológico extremo, resultado da liberação repentina de enormes volumes de água líquida, que despencaram por falésias gigantes na região conhecida como Echus Chasma. O fenômeno ocorreu em um período em que Marte ainda possuía água abundante, mares primitivos e atividade interna intensa.

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Mapeamento

Lançado em 2005, o Mars Reconnaissance Orbiter é considerado o principal instrumento de mapeamento já enviado a Marte. A sonda já completou mais de 60 mil órbitas e transmitiu mais dados do planeta do que todas as missões anteriores somadas, permitindo reconstruir com precisão a história climática e geológica marciana.

Entre seus instrumentos estão a MARCI, que monitora o clima global diariamente; a Context Camera (CTX), responsável por imagens que cobrem cerca de 99% da superfície do planeta; e câmeras de altíssima resolução, capazes de revelar dunas em movimento, avalanches polares e antigas estruturas formadas pela ação da água.

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Esse conjunto de dados permitiu aos cientistas identificar marcas profundas deixadas por fluxos hídricos de grande escala, abrindo caminho para interpretações mais robustas sobre o passado aquático de Marte.

A Bacia de Eridania

Uma das regiões mais estudadas pelo MRO é a Bacia de Eridania, uma vasta depressão localizada sobre algumas das crostas mais antigas do planeta. Formada há cerca de 3,8 bilhões de anos, a área é considerada o remanescente de um antigo mar marciano.

Estimativas indicam que esse corpo d’água teve um volume mais de dez vezes superior ao dos Grandes Lagos da América do Norte e cerca de três vezes maior que o do Mar Cáspio. No fundo da bacia, os instrumentos da NASA identificaram depósitos minerais com até 400 metros de espessura, compostos por materiais típicos de ambientes hidrotermais profundos.

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Na Terra, esse tipo de ambiente está diretamente associado ao surgimento da vida. Entenda mais na galeria que preparamos abaixo.

A maior cachoeira já identificada no Sistema Solar teria se formado em Marte há cerca de 3,7 bilhões de anos, com uma queda d'água estimada em 4 quilômetros de altura/Pexels
A maior cachoeira já identificada no Sistema Solar teria se formado em Marte há cerca de 3,7 bilhões de anos, com uma queda d'água estimada em 4 quilômetros de altura/Pexels
A maior cachoeira já identificada no Sistema Solar teria se formado em Marte há cerca de 3,7 bilhões de anos, com uma queda d'água estimada em 4 quilômetros de altura/Pexels
A maior cachoeira já identificada no Sistema Solar teria se formado em Marte há cerca de 3,7 bilhões de anos, com uma queda d'água estimada em 4 quilômetros de altura/Pexels
A queda d'água teria despencado por falésias gigantes na região de Echus Chasma, espalhando água por cânions com até 100 quilômetros de extensão/Pexels
A queda d'água teria despencado por falésias gigantes na região de Echus Chasma, espalhando água por cânions com até 100 quilômetros de extensão/Pexels
A queda d'água teria despencado por falésias gigantes na região de Echus Chasma, espalhando água por cânions com até 100 quilômetros de extensão/Pexels
A queda d'água teria despencado por falésias gigantes na região de Echus Chasma, espalhando água por cânions com até 100 quilômetros de extensão/Pexels
Segundo dados da NASA, a existência dessa cachoeira reforça a hipótese de que Marte já teve oceanos, mares primitivos e condições ambientais semelhantes às da Terra antiga/Pexels
Segundo dados da NASA, a existência dessa cachoeira reforça a hipótese de que Marte já teve oceanos, mares primitivos e condições ambientais semelhantes às da Terra antiga/Pexels

Condições para a vida

A presença simultânea de água líquida, calor interno e energia química sugere que Marte reuniu, por longos períodos, os principais ingredientes considerados essenciais para o desenvolvimento de formas de vida microbiana. Estudos indicam que essas condições podem ter persistido por centenas de milhões de anos, tempo suficiente para processos biológicos se iniciarem.

O intervalo coincide com o período em que a vida começou a surgir na Terra, reforçando a hipótese de que Marte possa ter sido habitável no passado, ainda que em escala microscópica.

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Colapso climático

Por volta de 3,7 bilhões de anos atrás, Marte passou por uma mudança climática abrupta. O planeta começou a perder calor rapidamente, e grande parte da água líquida congelou, infiltrou-se no subsolo ou migrou para os polos.

Paradoxalmente, esse resfriamento ocorreu em paralelo a um período de intensa atividade vulcânica. O calor liberado do interior do planeta provocou inundações violentas, fazendo com que volumes massivos de água corressem das terras altas do sul em direção a Echus Chasma.

Nesse processo, a água despencou por paredões com cerca de 4 quilômetros de altura, espalhando-se depois por um cânion de aproximadamente 10 quilômetros de largura e 100 quilômetros de extensão. O evento deu origem à maior cachoeira já registrada no Sistema Solar.

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Cicatrizes

Após o fim das inundações, a água desapareceu. O que permaneceu foram as marcas profundas esculpidas na superfície marciana, cicatrizes permanentes de um planeta que já foi quente, úmido e dinâmico.

Hoje, essas formações são estudadas como registros naturais de um passado em que Marte teve oceanos, clima ativo e, possivelmente, ambientes capazes de sustentar vida, tornando o planeta vermelho um dos principais focos da astrobiologia moderna.

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