A descoberta foi feita a partir das primeiras imagens do Observatório Vera Rubin, no Chile, um dos projetos científicos mais ambiciosos da atualidade. / ImageFX
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Um asteroide maior do que a maioria dos arranha-céus acaba de surpreender a comunidade científica e entrar para os livros de recordes da astronomia. Batizado de 2025 MN45, o objeto tem cerca de 710 metros de diâmetro e completa uma rotação inteira em apenas 113 segundos — pouco menos de dois minutos.
Nunca antes um asteroide com mais de meio quilômetro havia sido observado girando tão rapidamente.
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A descoberta foi feita a partir das primeiras imagens do Observatório Vera Rubin, no Chile, um dos projetos científicos mais ambiciosos da atualidade.
O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e marca também um feito histórico: é o primeiro artigo científico revisado por pares baseado em dados da câmera LSST, a maior câmera digital já construída.
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Asteroides são remanescentes diretos da formação do Sistema Solar, ocorrida há cerca de 4,5 bilhões de anos. Por isso, funcionam como verdadeiras cápsulas do tempo, preservando informações sobre os processos que moldaram planetas e luas. Ao analisar propriedades como órbita, tamanho e velocidade de rotação, os astrônomos conseguem reconstruir parte dessa história primordial.
A rotação, em especial, é um dado crucial. Ela pode revelar colisões passadas, formato irregular ou diferenças na composição interna do corpo. Em muitos casos, girar rápido demais é sinal de um impacto violento no passado — ou de um objeto à beira da destruição.
A maioria dos asteroides conhecidos não é um bloco sólido. Eles são formados por “pilhas de escombros”, aglomerados de rochas e detritos mantidos juntos principalmente pela gravidade. Esses corpos têm baixa resistência interna. Se a rotação acelera demais, a força centrífuga supera a gravidade, fazendo o asteroide se despedaçar.
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No cinturão principal de asteroides, entre Marte e Júpiter, existe um limite bem estabelecido: objetos que completam uma rotação em menos de 2,2 horas só permanecem intactos se forem estruturalmente muito resistentes. A maioria não é.
É justamente aí que o 2025 MN45 se torna extraordinário.
Com uma rotação de menos de dois minutos e um diâmetro superior a 500 metros, o asteroide ultrapassa de forma extrema esse limite crítico. Segundo os pesquisadores, isso indica que o objeto não pode ser um simples amontoado de fragmentos.
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'Claramente, este asteroide deve ser feito de um material com altíssima resistência para se manter íntegro enquanto gira tão rapidamente', afirmou Sarah Greenstreet, astrônoma do NSF NOIRLab e autora principal do estudo. De acordo com os cálculos, o 2025 MN45 precisaria ter uma força coesiva comparável à de uma rocha sólida.
Uma das hipóteses é que ele seja um fragmento compacto remanescente de um asteroide muito maior, destruído em uma colisão antiga. Outra possibilidade é que sua composição interna seja incomum, formada por materiais capazes de suportar tensões extremas.
A identificação do asteroide só foi possível graças às capacidades inéditas do Observatório Vera Rubin, projetado para escanear repetidamente o céu do Hemisfério Sul ao longo de dez anos, como parte do projeto LSST (Legacy Survey of Space and Time). A missão é criar um verdadeiro “filme” do Universo, registrando desde supernovas até objetos que se movem rapidamente, como asteroides.
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Com 3.200 megapixels, a câmera LSST captura uma nova imagem do céu a cada 40 segundos. Em apenas sete noites de observações, entre abril e maio de 2025, o observatório identificou cerca de 1.900 asteroides inéditos.
Desse total, os pesquisadores conseguiram medir com precisão a rotação de 76 objetos. Entre eles, 16 foram classificados como de rotação 'super-rápida' e três entraram na categoria ainda mais rara de rotação 'ultra-rápida', com períodos inferiores a cinco minutos. O 2025 MN45 é o caso mais extremo, mas não o único.
O estudo também destaca outros corpos impressionantes, como o 2025 MJ71, com rotação de 1,9 minuto, e o 2025 MK41, de 3,8 minutos. Todos têm centenas de metros de diâmetro e estão entre os asteroides subquilométricos mais rápidos já observados.
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Até agora, muitos desses objetos eram conhecidos principalmente entre os asteroides próximos da Terra, em parte por serem mais fáceis de detectar. Com o monitoramento contínuo do Rubin, os cientistas esperam montar um retrato muito mais detalhado da população de asteroides do Sistema Solar.
Se o 2025 MN45 for apenas o primeiro de muitos, a próxima década promete redefinir o que a ciência sabe sobre as rochas que vagam pelo espaço — e revelar que o Universo ainda guarda surpresas capazes de girar mais rápido do que qualquer previsão.