Mães de autistas sofrem em Itanhaém

Comissão afirma que CAPS não atende crianças de forma satisfatória

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21 SET 2020Por Nayara Martins07h00
Elas contam que já participaram de várias reuniões, mas a Saúde contrata profissionais que não permanecem por muito tempo.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão reclamando sobre a falta de atendimento médico especializado na unidade do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS Infanto-Juvenil), no bairro Jardim Sabaúna, em Itanhaém.

Uma comissão de mães com filhos autistas explica que, desde 2017, o atendimento médico não ocorre de forma satisfatória. Este ano, porém, a situação se agravou devido ao período da pandemia, já que as crianças não estão indo nas escolas e nem podem sair de casa.

A dona de casa Tatiane de Brito Lima, 29 anos, possui um filho de 11 anos com autismo severo. Segundo ela, o serviço especializado do CAPS nunca teve a equipe completa e um atendimento efetivo como determina a lei federal 12.764.

"Antigamente ainda havia um suporte melhor, com duas psiquiatras, psicólogos, fonoaudióloga e um neurologista, porém, os profissionais acabaram saindo do local e não há um acompanhamento", lamenta.

A dona de casa Elisângela Barbosa Macedo, de 44 anos, também tem um menino de 13 anos, com autismo de grau leve. Ela afirma que as mães estão enfrentando uma situação difícil. "Apenas um médico pediatra está atendendo hoje no CAPS para renovar a receita, mas isso não resolve".

Elas contam que já participaram de várias reuniões com os vereadores, o vice-prefeito e o secretário municipal de Saúde, Fábio Crivellari Miranda, mas a Saúde contrata os profissionais, porém eles não permanecem por muito tempo.

Uma manifestação pacífica com as mães ocorreu no último dia 4, em frente a Secretaria de Saúde, para buscar uma solução referente a falta de médicos especializados no CAPS. O secretário municipal de Saúde, o médico Fábio Miranda, atendeu as mães e se reuniu com a comissão, na última terça-feira (15), na Secretaria de Saúde.

Ele garantiu que, a partir de quarta-feira (16), começaria um psiquiatra no CAPS com uma carga horária de 4 horas semanais, além de outro que iniciou no dia 1º deste mês, com carga horária de seis horas.

Segundo as mães, apesar dessa contratação de profissionais, esse número não irá atender à demanda do município. Dizem ainda que há apenas uma terapeuta ocupacional, mas ela está de licença médica.

 

Elisângela ressalta que cada criança diagnosticada com autismo apresenta um grau diferente. Nos casos mais graves, as crianças apresentam várias crises caso não tenham os medicamentos, mas os mais leves também são prejudicados.

"O atendimento principal deve ser feito pelo psiquiatra que faz a avaliação e a medicação, e depois, ele encaminha aos demais profissionais. Procuramos por um tratamento digno com todos os médicos. O ideal é que atendessem a todas as crianças, sem distinção", esclarece.

A comissão de mães de crianças autistas ainda entrou, no dia 14 de agosto, com uma ação de denúncia coletiva no Ministério Público, mas o MP ainda não se pronunciou sobre o caso. A comissão é formada por quatro mães.

MARCHA

As mães estão organizando a 1ª Marcha Autista, que vai acontecer no próximo dia 12 de outubro, às 15h30, com saída da Praça 22 de Abril, na Boca da Barra. O objetivo é mostrar ao público a importância da inclusão com as crianças autistas.

OUTRO LADO

A Prefeitura de Itanhaém afirma que a rede municipal de Saúde conta, atualmente, com cinco psiquiatras, mas que dois profissionais realizam o atendimento infantil, sendo que um iniciou na última quarta-feira (16).

Ressalta que desde março houve a interrupção das atividades de caráter ambulatorial em todo o território nacional por conta da pandemia do coronavírus. Conforme a Administração, há pouco mais de um mês, vem ocorrendo a retomada dos trabalhos.

A Prefeitura diz ainda que o serviço de saúde mental não fugiu à regra. "No período de recesso forçado foi montado um plantão de acolhimento aos casos mais graves. Atualmente, cerca de 130 crianças com transtorno mental estão cadastradas no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS Infanto-Juvenil)", afirma.