Macrodrenagem: Início das obras ainda não surte efeitos

Apesar de projeto para acabar com os alagamentos na Zona Noroeste já ter iniciado, moradores ainda se “sentem ilhados”

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14 SET 201111h56

Apesar das obras de macrodrenagem já terem iniciado em Santos, o resultado ainda não surtiu efeito. Com isso, a cada chuva forte ou aumento da maré, os moradores da Zona Noroeste continuam convivendo com a sensação de estarem ilhados em suas casas devido ao alagamento nas ruas. Em alguns casos, as inundações ultrapassam os limites do portão invadindo quintal à dentro.

Após vivenciar oito inundações, a autônoma Ana Lúcia dos Santos desistiu de ter móveis. Os poucos que ainda resistiram às enchentes estão improvisados. "Aumentamos a altura dos ‘pés’ dos móveis para quando alagar, a água não entrar em contato, assim, evitamos que eles apodreçam.”, conta Ana Lúcia que precisou aumentar em quase dois palmos o pé da cama em que dorme.

“O único armário que ainda tenho é o da minha mãe, que fica pendurado na parede, sem contato com o chão. Minhas roupas estão todas em caixas que ficam em cima de prateleiras ou cadeiras”, diz a autônoma. Vizinha de Ana Lúcia, a cabeleireira Severina José da Silva diz “ter sorte” em virtude da água não invadir a sua casa. “Mesmo assim a gente fica ilhado. Para ir pra escola, as crianças têm que pisar na água suja. A professora já até falou para não levá-los à aula em dia de alagamento”, relata a cabeleireira.

Severina conta ainda que seu filho já caiu ao caminhar pela rua alagada. “Com tudo inundado, ele não viu o desnível, tropeçou e se machucou feio”, lembra a moradora da Rua Professor Edmundo Mendonça, no bairro Castelo. “É muito ruim esta situação, nós pagamos impostos, que são caros, e com qualquer chuvinha ficamos impossibilitados de sair de casa”. Como se já não bastasse a invasão de águas, a cabeleireira conta que outros visitantes indesejados surgem durante a inundação: “é um festival de ratos e pererecas invadindo as casas”.

Assoreamento

Recentemente foram implantadas galerias onde havia um valão na rua Flor Horácio Cirilo, também no bairro Castelo. A vala que existia nesta rua foi assoreada e em cima dela estão sendo construídas casas sobrepostas, como parte do programa Santos Novos Tempos. Apesar das modificações, os moradores do local dizem não ter sentido os efeitos do início das obras de macrodrenagem.

“Piorou, agora alaga mais”, diz a moradora Jacimara Cardoso da Silva. Quando a reportagem do DL chegou ao local, Jacimara estava limpando o quintal para retirar a sujeira deixada pelo último alagamento. “A maré encheu esses dias e já alagou aqui”, disse a dona de casa que apontou como o único fator positivo do assoreamento, o fim do mau cheiro e de insetos e bichos que vinham do valão.

A vala tem continuidade na Haroldo de Camargo, mas neste trecho ainda não foram implantas as galerias. De acordo com o secretário de desenvolvimento de assuntos estratégicos de Santos, Márcio Lara, as obras na Rua Flor Horácio Cirilo não proporcionaram mais enchentes no local. “O que acontece é uma impressão de que há mais alagamento porque este ano tivemos muitas chuvas e bastante maré alta. De qualquer forma, os moradores desta região vão sentir realmente o resultado das obras de macrodrenagem quando as galerias forem implantadas no restante do valão”, disse Lara. 


Projeto de Macrogrenagem

A prefeitura de Santos, por meio do Programa Santos Novos Tempos, fez um projeto de macrodrenagem para acabar com os problemas de alagamentos na Zona Noroeste. O secretário Marcio Lara acredita que em até 2 anos e meio as obras estarão concluídas. “Mas a população poderá sentir os efeitos antes deste prazo. Trata-se de um conjunto de obras, mas, conforme a finalização de cada trecho, alguns bairros já sentirão a diferença”. Segundo o secretário, podem ser desenvolvidos mais de um trecho ao mesmo tempo. 

O projeto prevê a implantação de 14 estações elevatórias, 13 comportas, dois canais, 4 galerias, 1 reservatório de contenção, popularmente conhecido como ‘piscinão’, 2 reservatórios verticais e desassoreamento dos rios São Jorge e Lenheiros. A primeira etapa do programa de macrodrenagem contempla as obras das galerias na Rua Flor Horácio Cirilo e a construção da Estação Elevatória Dique 1.

“Os 44 milhões de dólares para a macrodrenagem da primeira etapa já resolve os problemas da Martins Fontes, Saboó e Radio Clube”, garantiu o secretário.
Atualmente a prefeitura aguarda a licitação para dar continuidade às obras de macrodrenagem. “Mas, as obras não estão totalmente paradas. A prefeitura tem feito ajustes e trabalhos na microdrenagem enquanto aguarda o processo licitatório ser concluído”, disse o secretário.

Na segunda fase do projeto devem ser implantadas galerias e estação elevatória com comportas na Avenida Haroldo de Camargo e a implementação de bomba e comportas nos bairros São Manoel, Vila Alemoa, Saboó e o desassoreamento dos rios São Jorge e lenheiros. O efeito destas obras será a redução das enchentes na Avenida Nossa Senhora de Fátima e na entrada da cidade.

O projeto contempla ainda mais outras duas etapas, sendo que a última está prevista para iniciar no segundo semestre de 2012. Serão investidos R$ 268 milhões na macrodrenagem com recursos do Banco Mundial, governo federal e estadual e recurso do Fehidro. Santos está selecionado para receber mais R$ 177 milhões para a macrodrenagem e obras de contenção pelo PAC 2.

Santos Novos Tempos

O Programa Santos Novos Tempos pretende realizar o desenvolvimento socioeconômico com inclusão social das Zonas Noroeste, Morros e Centro Histórico de Santos. O Programa congrega as políticas públicas, planos, projetos e ações de desenvolvimento urbano, habitação, infraestrutura (macrodrenagem, contenções, infovia), regularização fundiária e urbanística, qualificação profissional. O programa é apoiado por diferentes contratos e fontes de recursos.