Cotidiano
LÃder do Terreiro do Gantois por duas décadas, a iyalorixá faleceu em Salvador deixando um legado ancestral de sabedoria e resistência
A lÃder religiosa estava internada no Hospital Português, em Salvador / Divulgação/Terreiro do Gantois
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O candomblé brasileiro perdeu na madrugada desta sexta-feira (26) uma de suas referências mais imponentes e respeitadas, a mãe Carmen D'Òṣà gyÃan, iyalorixá do Ilé ÃŒyá Omi Àṣẹ ÃŒyámase, também conhecido como o Terreiro do Gantois. Ela faleceu aos 98 anos em Salvador. A lÃder religiosa estava internada no Hospital Português e a causa do óbito não foi detalhada pela famÃlia.
Herdeira de uma linhagem que se confunde com a própria história da afirmação das religiões de matriz africana no paÃs, Carmen era a filha mais nova da lendária Mãe Menininha do Gantois, de quem carregava não apenas o sangue, mas a responsabilidade de manter viva uma tradição fundada ainda no século 19.
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À frente do Gantois desde 2002, Mãe Carmen consolidou uma liderança marcada pela discrição, pela firmeza e por um profundo zelo ritualÃstico. Ela assumiu o comando da casa após a morte de sua irmã, Mãe Cleusa, dando continuidade ao legado iniciado por sua mãe, que projetou o terreiro internacionalmente.
Em nota, a Associação de São Jorge Ebé Oxóssi destacou que Carmen "nasceu para o sagrado", descrevendo sua trajetória como um desÃgnio dos Orixás e ressaltando que sua presença atuava como um farol para a comunidade, equilibrando silêncios acolhedores e ensinamentos rigorosos sobre a ancestralidade iorubana.
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Para além do impacto religioso, Mãe Carmen foi uma figura central na cultura brasileira, servindo de inspiração para artistas e intelectuais. Em 2019, sua importância foi celebrada no projeto musical "Obatalá", que reuniu nomes como Gilberto Gil, Ivete Sangalo e Margareth Menezes em uma homenagem fonográfica à sua história.
A repercussão de sua partida mobilizou autoridades baianas, como o governador Jerônimo Rodrigues e o prefeito Bruno Reis, que reforçaram o papel da ialorixá como um pilar de resistência e preservação da identidade cultural de Salvador.
Mãe Carmen D'Òṣà gyÃan deixa duas filhas, três netos, quatro bisnetos e uma vasta comunidade de filhos de santo que agora guardam o legado de seu axé.
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