A luta pela vida uniu as amigas Adriana Rodrigues e Gabriela Cartei. Movidas pela necessidade de encontrar um doador de medula óssea compatível para Cecília Bianchi, que sofria de leucemia, a dupla mobilizou centenas de pessoas. Ela não resistiu e faleceu dias antes do início da primeira campanha de cadastro de doadores promovida pelo grupo. A morte fortaleceu ainda mais a dupla, que se uniu ao projeto Luann Vive, de Santos, e hoje, juntos, trabalham para promover a importância da doação.
“Quem começou a campanha foi a Adriana que era amiga da Cecília. A campanha começou com os amigos e foi crescendo. O pessoal da Luann Vive ficou sabendo da Adriana, abraçaram a causa e agora somos um só. A Cecília faleceu uma semana antes da nossa primeira campanha. A gente não conseguiu salvá-la, mas nesse caminho a gente conheceu outros casos”, afirmou Gabriela.
No próximo sábado (30), o grupo promoverá sua terceira campanha de conscientização do cadastro de doadores de medula óssea na Baixada Santista. A ação acontecerá no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos. A unidade é a única no litoral paulista autorizada a realizar esse tipo de procedimento.
“O hemonúcleo do Guilherme Álvaro abria as sábados apenas para doação de sangue, daí a gente iniciou as campanhas para conseguir cadastrar doadores de medula também. Se alguém procurasse o hemonúcleo no sábado para fazer o cadastro até fazia, mas o foco era a doação de sangue”, destacou Gabriela.
Segundo Gabriela ainda falta informação sobre o assunto, o que dificulta a descoberta de doadores compatíveis uma vez que, no Brasil, a proporção é de um em um milhão. “É um gesto simples que pode salvar muitas vidas. Infelizmente o cadastro não significa a doação. Acontece muita falta de informação. A pessoa não sabe nem como começa. O que é medula óssea? O que faz? Doa como? Como faz a doação? Ela acha que vai fazer um mal, vai prejudicar a coluna, vai ficar paraplégica e não é nada disso”.
Ampliação
Paulo Oshiro, pai do jovem Luann Oshiro, morto em outubro vítima de latrocínio, em Santos, disse que a luta do grupo é para ampliar o número de capacidade de cadastramento do hemonúcleo do Hospital Guilherme Álvaro e desmistificar os mitos que há por trás da doação da medula óssea. Após a morte do filho, ele iniciou o projeto Luann Vive que desenvolve ações nas áreas de educação e cidadania.
“A gente teve uma reunião essa semana na DRS (Diretoria Regional de Saúde) – acredito que tenha sido uma reunião produtiva – onde pedimos até para o responsável pelo hemonúcleo do Guilherme Álvaro, que aumentasse o número da cota. O número é baixo por mês. Mas isso é direto com o Ministério da Saúde”, afirmou Oshiro. Atualmente o hospital pode coletar material e cadastrar apenas 150 doadores.
A falta de informação sobre a doação de medula óssea também é o foco do projeto, que durante as campanhas realizadas todo último sábado do mês, no Hospital Guilherme Álvaro, leva dados sobre o procedimento àqueles que pretendem se cadastrar. Em um dos casos que o grupo acompanha, o paciente encontrou doador compatível, mas a pessoa desistiu do procedimento.
“O Caio chegou a arrumar uma pessoa 100% e a pessoa se negou porque provavelmente não tinha conhecimento. Não é tão simples assim, lança uma campanha vai lá e pronto. Tem um todo um processo. É justamente essa campanha que a gente faz lá no Guilherme Álvaro. A gente faz um outro panfleto e explica para as pessoas para que na hora não aconteça o que aconteceu com o Caio. Pior do que não encontrar é a recusa”, afirmou Oshiro.
