Localizado em Belém, no Pará, o acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi é o terceiro maior da América do Sul e reúne inúmeros registros da fauna amazônica ao longo das décadas.
Porém, o que muita gente não sabe é que essa coleção não fica nas áreas de visita do museu. Ele se encontra no polo de pesquisa da instituição, também na capital paraense.
A vasta coleção amazônica
Em depoimento ao site do Governo Federal, a bióloga, pesquisadora do Museu Goeldi e autora de um estudo sobre as coleções científicas na América do Sul, Alexandra Bezerra, explica que o material começou a ser reunido de forma menos planejada que o esperado.
O Museu Goeldi “começou a reunir, esporádica e principalmente, material do parque [Parque Zoobotânico, no bairro de São Brás, em Belém], morria um animal, vinha para cá”, diz a bióloga, que menciona também o espaço da coleção que também é uma das bases da instituição.
Ela também acrescenta que “tem muito material do século XX e da Taperinha”, fazenda localizada na cidade de Santarém, no Oeste do Pará.
Essa região é marcada por ricas pesquisas de história natural realizadas por pesquisadores, porém nos séculos XIX e XX.
O que a seção apresenta
Dentre os milhares de exemplares do acervo, grande parte deles são da Amazônia Oriental, sendo mamíferos de médio porte, carnívoros e primatas.
O Museu Goeldi reúne muitos espécimes antigos de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada e o peixe-boi.
Porém, mesmo com o alto volume de registros, a coleção também expõe algumas lacunas no conhecimento sobre a fauna Brasileira.
“Tem muito ‘buraco’ de amostragem — não só na Amazônia, mas no Brasil todo”, afirma Alexandra.
Segundo a mesma, isso ocorre porque historicamente, as coletas se concentraram ao longo de grande rios, deixando as regiões isoladas com uma quantidade de registros muito menor do que as outras.
Razões para guardar esses animais
O acervo funciona como base de pesquisas científicas.
A partir dos registros acumulados nele, é possível estudar evolução das espécies, mudanças de ambiente e doenças que circulam entre animais e humanos.
Apesar de sua relevância, coleções científicas não só no Brasil, mas na América do Sul enfrentam desafios como a falta de pessoas especializadas, além de limitações em suas estruturas.
No Museu Goeldi, por exemplo, sua coleção de mamíferos está sem nenhum curador desde o ano de 2025.
Porém, os dados dos espécimes estão sendo digitalizados e disponíveis em uma plataforma nacional, facilitando o acesso geral de pesquisadores.
Assim, o Museu Emílio Goeldi segue como uma das principais base para os estudos relacionados a biodiversidade amazônica.
