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Longas esperas na UPA Central revoltam santistas

Fundação do ABC afirma que procura na UPA Central de Santos cresceu cerca de 15% desde a semana passada

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08 JAN 2020Por LG Rodrigues07h30
Equipamento vem sofrendo com o aumento da procuraFoto: Nair Bueno/DL

Sala cheia, desorganização, barulho alto e longas filas de espera, infelizmente, porém, não estamos falando de um restaurante badalado às 18h de um sábado no litoral paulista e sim de uma unidade de saúde localizada no 'coração de Santos' às 14h e em plena temporada de verão.

O cenário pode ser encontrado sem muita dificuldade na Rua Joaquim Távora, 260, endereço da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central de Santos. Principal posto de saúde para atender o público dos bairros Vila Mathias, Vila Belmiro, Jabaquara e Marapé, o local sofre com o aumento da procura devido ao movimento de turistas na Baixada Santista.

Inaugurado em 2016, o equipamento foi 'marketado' pela administração municipal como um espaço que marcaria uma nova forma de socorro médico em situações emergenciais em Santos e que teria capacidade para realizar até 600 atendimentos ao dia. Apesar disso, entretanto, quem vai no local nos últimos dias tem enfrentado problemas.

"Eu trouxe minha esposa para ser atendida e tirar um raio-x porque ela estava com um pouco de dor, mas ficamos aqui das 11h às 14h e saímos sem ser atendidas porque a fila de espera era muito grande e não 'andava' infelizmente", afirma a funcionária pública Mariane Borges.

Em dezembro de 2019, o local recebeu pintura e outras melhorias que tinha como objetivo tornar a unidade de urgência e emergência mais agradável e humanizada. A intervenção incluiu ainda uma remodelação e troca do balcão na área de recepção, assim como as paredes, que ganharam adesivos com imagens de Santos na mesma semana em que foi feita a troca dos conjuntos de cadeiras. Apesar de todos esses esforços destacados pela Prefeitura de Santos em seu portal, Borges destaca que falta material humano na unidade.

"A gente ficou esperando na recepção, mas o médico não chamava e eu perguntei o porquê da demora para a recepcionista e ela me disse que era por qualificação de cores, pelo sistema de pulseiras, e também me disse que estavam sem um médico e que aguardavam a chegada de uma outra profissional para agilizar o atendimento, mas viemos embora sem passar nem ao menos pelo clínico geral porque iria demorar demais", afirma.

A situação foi destacada até mesmo pela vereadora Telma de Souza (PT) em suas redes sociais. Ela afirma que foi procurada por moradores se queixando dos mesmos problemas já no primeiro fim de semana de 2020.

"A alegação de que a presença de turistas e visitantes na Cidade provoca essa demora não se justifica porque o serviço de saúde deve se planejar e estar preparado para esse aumento de demanda. Ou é novidade o aumento da população na temporada? Contatei a secretaria de Saúde e cobrei providências rápidas para diminuir os problemas enfrentados pelos pacientes" disse a parlamentar.

Em resposta, a Fundação do ABC esclarece que a UPA Central de Santos registra nesta semana aumento atípico da procura por atendimentos, o que tem gerado maior tempo de espera para os casos classificados como azuis e verdes - ou seja, aqueles de baixa complexidade. Contudo, mesmo com o aumento da demanda, o tempo de espera permanece dentro dos limites estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Já os casos amarelos e vermelhos, em função da maior gravidade, têm atendimento imediato.

No comparativo com o mesmo período da semana passada, a procura na UPA Central de Santos cresceu cerca de 15%. A instituição diz ainda que: não procedem os boatos de "poucos médicos" porque a UPA Central ampliou seu quadro e desde novembro conta com mais um médico clínico na equipe, o que permitiu manter o tempo de espera dentro dos padrões preconizados no Sistema Único de Saúde mesmo com o aumento da procura - o que também confirma que o fluxo dos atendimentos e o número de funcionários estão adequados à demanda.

Por fim, a nota diz ainda que a UPA Central de Santos funcionou durante toda esta terça-feira (7) e permanece neste momento com equipes assistenciais 100% completas. Ao todo são 6 médicos clínicos, 2 pediatras, 1 ortopedista e 1 dentista, além da equipe de enfermagem e demais profissionais de apoio à disposição dos usuários.