Você já encontrou uma flor roxa na beira de alguma estrada que te chamou a sua atenção pela beleza e aspecto diferente e exótico? Se você encontrou e achou que se tratava de uma espécie silvestre, nativa do Brasil, se enganou redondamente.
A espécie da fotografia é conhecida como Salvia-gigante-tropical (Brillantaisia lamium) uma planta nativa da África tropical que se comporta como espécie invasora na Mata Atlântica, principalmente nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Alvo de atenção dos especialistas, a flor está se espalhando cada vez mais e vem sendo encontrada principalmente em bordas de florestas úmidas, restingas e estradas destes estados. Ela pode atingir até dois metros de altura.
E falando sobre flores, conheça também uma que está proibida em SC , mas é abundante no litoral paulista.
No litoral de São Paulo
Em Peruíbe, ela é encontrada com facilidade na borda das matas da Zona Rural e também no Guaraú, limite de umas das mais importantes áreas preservadas do país.
O botânico Hugo Sousa, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, explicou que ainda não se sabe ao certo como ocorreu a introdução da espécie no Brasil, podendo ter acontecido de maneira não intencional.
Segundo ele, a planta apresenta crescimento vigoroso e uma floração que se estende por boa parte do ano.
“Essa espécie tem um grande potencial invasor. Hoje já é facilmente encontrada nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, tanto à beira de estradas litorâneas, como a BR-101, quanto em bordas de mata. É rústica e cresce em uma ampla variedade de terrenos, como solos arenosos, argilosos, úmidos e até encharcados”, explicou.
Flor coloca ecossistemas em risco
O botânico destacou ainda que, apesar do risco à biodiversidade, estudos recentes apontam que a espécie também possui potencial para uso em processos de fitorremediação, uma técnica que utiliza plantas para remover substâncias poluentes do ambiente, como metais pesados.
Ao comentar sobre espécies invasoras, Hugo Sousa explicou que espécies nativas são aquelas que surgiram em determinado local e cujas populações ocorrem naturalmente ali, conseguindo se reproduzir e manter números estáveis.
Já as espécies exóticas superam diferentes barreiras ecológicas que normalmente impedem a dispersão natural pelo mundo, como condições climáticas, disponibilidade de recursos e barreiras geográficas.
“Quando falamos de espécies invasoras, nos referimos às espécies exóticas que conseguem se estabelecer, se dispersar e têm potencial para causar danos à flora e à fauna local, além de impactos econômicos, sociais e até na saúde”.
E complementa: “É importante destacar que nem toda espécie exótica se tornará invasora, e que fatores como ambientes degradados podem facilitar o estabelecimento dessas espécies”, finaliza.






