Ligação por trem entre Suzano e Rio Grande da Serra já foi avaliada pela CPTM

O estudo analisou a viabilidade técnica e operacional da implantação de um serviço regional de passageiros

A simulação da CPTM indicou que o maior volume de passageiros nos horários de pico chegaria a cerca de 2.500 por hora

A simulação da CPTM indicou que o maior volume de passageiros nos horários de pico chegaria a cerca de 2.500 por hora | Divulgação

A possibilidade de criar uma ligação ferroviária de passageiros entre Suzano e Rio Grande da Serra, no Alto Tietê e Grande ABC, já foi estudada pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em 2005. O trecho, atualmente usado para transporte de cargas, tem cerca de 27 km e atravessa áreas urbanas e de preservação ambiental. 

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Ele é apontado como parte do chamado Tramo Leste do Ferroanel e tem despertado interesse por sua capacidade de conectar diretamente regiões hoje dependentes de longos deslocamentos por linhas de ônibus ou baldeações em estações como Brás.

O estudo da CPTM analisou a viabilidade técnica e operacional da implantação de um serviço regional de passageiros. 

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Na época, a demanda por transporte público entre as duas cidades era considerada limitada, atendida apenas por três linhas intermunicipais que operavam pela Rodovia Índio Tibiriçá. Juntas, essas linhas ofereciam cerca de 800 lugares por hora no horário de pico.

Estudo de demanda indicou baixa utilização

A simulação da CPTM indicou que o maior volume de passageiros nos horários de pico chegaria a cerca de 2.500 por hora. 

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Esse número representa apenas 12,5% da capacidade de uma linha com trens de até 2.000 lugares circulando a cada seis minutos, ou seja, com capacidade de 20 mil passageiros por hora/sentido. No total diário, a estimativa de usuários seria de 55 mil pessoas.

Para viabilizar essa operação, o investimento necessário seria de cerca de R$ 1 bilhão, considerando a média de 10 milhões de dólares por quilômetro sinalizado e eletrificado, sem incluir os custos com material rodante. Os altos custos aliados à baixa demanda levaram os técnicos a considerar a proposta inviável naquele momento.

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Simulações operacionais

As projeções indicavam como estações principais Suzano, Jardim Cacique, Palmeiras, Ouro Fino e Rio Grande da Serra. Os dados simulados apontaram, por exemplo, que Suzano teria o maior total diário de passageiros (17.442), enquanto Ouro Fino teria menor movimentação (1.511). 

Em sentido inverso, Rio Grande da Serra também apresentou número significativo de passageiros (15.847).

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Obstáculos institucionais e ambientais

Além da baixa demanda, o estudo identificou duas barreiras principais para o projeto: a ferrovia pertence a outra empresa e não à CPTM, o que exigiria negociações institucionais complexas, e boa parte do trajeto passa por áreas de proteção ambiental. 

A implantação de um serviço de grande porte nesse trecho poderia incentivar o adensamento urbano em zonas sensíveis, contrariando políticas de preservação.

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Propostas alternativas

Em vez de uma linha ferroviária de alta capacidade, o relatório apontou alternativas mais viáveis, como a modernização do sistema viário existente e a melhoria da integração entre diferentes modais de transporte. A ideia era atender de forma mais eficiente à demanda local sem os altos custos e os impactos ambientais do novo serviço.

Na época, o Expresso Leste ainda não havia sido estendido até Suzano, e outras propostas ferroviárias estavam em análise, como o chamado Expresso Sudeste, que também previa ligação com Rio Grande da Serra. 

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Embora o projeto do trem regional entre Suzano e Rio Grande da Serra não tenha avançado, o estudo permanece como referência para possíveis reavaliações futuras.