Líder de movimento negro da Capital discute ações de combate ao racismo em Santos

Regina é candidata a deputada Federal, pelo PV, mas não veio à Região em campanha

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05 MAR 201321h08

A presidente da Sociedade de Cultura Dombali, a professora Regina Santos, se reuniu com representantes do Grupo Educacional Grubas e da Casa de Cultura da Mulher Negra, na última terça-feira, em Santos, para discutir sobre as disparidades sociais e raciais da Região.

O intuito do encontro foi conhecer a realidade local e trocar experiências sobre os trabalhos que cada entidade desenvolve em prol da erradicação da discriminação racial. “A discriminação racial é uma epidemia que precisa ser controlada. Então discutimos a temática racial do ponto de vista da comunicação, da cultura, do social e o que cada um de nós pode fazer para superar isso”, afirmou Regina.

Regina é candidata a deputada Federal, pelo PV, mas não veio à Região em campanha. A Dombali é uma organização não governamental com sede na Capital paulista que desenvolve atividades sociais junto aos jovens carentes negros, brancos e afrodescentes.

Dados do IBGE e do IPEA revelam que 70% de negros e afrodescendentes brasileiros vivem na faixa de pobreza. Para  Regina, que é ativista do movimento negro há mais de 20 anos, essa realidade se deve à discriminação existente nas escolas e no mercado de trabalho.

Em entrevista ao DL, Regina destacou algumas políticas públicas que considera como avanços na questão da inclusão social que foi a instituição das cotas para negros e afrodescentes e a aprovação da Lei federal nº 10.639, que institui a obrigatoriedade do ensino da História da África e a história do negro brasileiro nas escolas.

Cotas

Regina entende que as cotas são instrumentos paliativos de combate “à epidemia da exclusão social. Nós temos estatísticas que apontam que de cada 100 estudantes universitários, 98 são ‘não negros’, ou seja, maioria de brancos e alguns de origem asiática”.

A ativista considera grave a presença ínfima de negros e afrodescentes no Ensino Superior. “Nós temos um problema no país. Temos dois universitários negros ou afrodescentes num grupo de cem, numa população de 180 milhões que tem cerca de 50% de negros e pardos.”, afirmou Regina.

Educação

“O alto índice de evasão escolar de crianças e adolescentes negras e afrodescentes está intimamente ligado ao processo de discriminação racial e não só ao de exclusão social (pobreza)”. Segundo Regina, o preconceito parte de professores e dos próprios colegas, nas unidades de ensino.