Leilão de imóveis: os riscos ocultos que podem transformar o sonho em prejuízo

Especialista alerta que dívidas de IPTU, condomínio e ocupação irregular são os principais desafios para compradores desavisados

Um dos erros mais graves cometidos por iniciantes é ignorar as entrelinhas do edital

Um dos erros mais graves cometidos por iniciantes é ignorar as entrelinhas do edital | Divulgação

O mercado de leilões de imóveis tem atraído cada vez mais brasileiros em busca de descontos que podem superar 50% do valor de mercado. No entanto, o que parece uma oportunidade de ouro pode esconder uma “bomba-relógio” financeira se não houver uma análise técnica rigorosa. 

O advogado Carlos Campi, especialista em Direito Imobiliário, ressalta que o leilão é um ambiente seguro, mas exige conhecimento técnico para evitar que dívidas anteriores recaiam sobre o novo proprietário.

Um dos erros mais graves cometidos por iniciantes é ignorar as entrelinhas do edital. “Um cliente meu, após arrematar um bem, foi surpreendido por uma cobrança de R$ 70 mil em taxas de condomínio. A informação constava no edital, mas ele não consultou um suporte jurídico antes do lance”, revela Campi. 

Segundo o advogado, pendências de IPTU e condomínio podem, dependendo das regras da oferta, ser transferidas diretamente para o bolso do arrematante.

Judicial ou Extrajudicial: entenda as diferenças

A segurança jurídica da operação muda drasticamente conforme a modalidade do certame:

Leilão Judicial: Supervisionado pela Justiça, geralmente utiliza o valor da própria venda para quitar dívidas anteriores, facilitando a desocupação dentro do próprio processo.

Leilão Extrajudicial: Regido por contratos com bancos, pode manter dívidas atreladas ao imóvel e exigir ações judiciais separadas para a retirada de moradores.

Outro ponto crítico é a ocupação do imóvel. Muitos investidores agem por impulso sem avaliar o perfil do ocupante, o que pode resultar em processos de desocupação demorados e custosos. 

Carlos Campi reforça que, embora essas situações tenham solução legal, o desgaste emocional e o custo financeiro devem estar previstos no planejamento do investimento.

Como investir sem cair em armadilhas

Para garantir um bom negócio, o especialista recomenda três pilares: informação de qualidade, leitura técnica minuciosa dos editais e assessoria jurídica especializada. 

O suporte de um advogado deve ocorrer antes do lance, com a análise de riscos; durante, com a definição de estratégias; e após a arrematação, para garantir a regularização da matrícula e a posse efetiva do bem. “Com o preparo certo, qualquer pessoa pode lucrar nesse mercado, desde que substitua o impulso pela estratégia”, finaliza Campi.