Lei ameaça relíquia centenária e Luciano Hang protesta: ‘não mexam na nossa linguiça’

Empresário visita fábrica centenária em Pomerode e protesta contra novas regras técnicas que podem descaracterizar o embutido

O empresário Luciano Hang visita fábrica de linguiças

Produto típico catarinense está no centro de debate sobre limite de gordura em embutidos/Reprodução

Produtores da linguiça Blumenau, um dos símbolos da colonização alemã em Santa Catarina, estão preocupados com uma norma federal que limita a quantidade de gordura em embutidos. A crise gira em torno de uma possível alteração na receita preservada há mais de 125 anos.

O governo catarinense reconheceu, por meio da Portaria SAR 14/2026, as diretrizes federais da Instrução Normativa nº 4/2000 do Ministério da Agricultura. A regra determina que produtos não podem ultrapassar 30% de gordura, uma exigência que os fabricantes afirmam ser difícil de controlar.

O embutido suíno é produzido de forma artesanal e passa por um processo de cura e defumação que reduz a umidade ao longo do tempo. Representantes do setor dizem que a técnica aumenta a concentração de gordura nas análises após a fabricação, mesmo quando a receita apresenta índices entre 23% e 25%.

Selo cultural de Santa Catarina

Desde 2024, a linguiça Blumenau é reconhecida com o selo de Indicação Geográfica (IG) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O produto é um patrimônio cultural da imigração alemã no Vale do Itajaí, onde movimenta quase 2 milhões de unidades por ano em cerca de 20 produtores.

A preocupação do setor é que a norma federal entre em conflito com as características históricas da receita tradicional. Produtores argumentam que seguem todos os protocolos sanitários e defendem a criação de regras específicas para produtos com reconhecimento de origem e valor cultural.

Desde terça (2), os representantes do Ministério da Agricultura, do Ministério Público, da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina e da associação de produtores discutem alternativas para evitar impacto. A expectativa é que uma nova regulamentação preserve a receita original sem comprometer as exigências de segurança alimentar.

Luciano Hang protesta

O empresário Luciano Hang visitou a fábrica centenária Olho Embutidos em Pomerode, no Vale do Itajaí, para defender a preservação do produto catarinense. Ele demonstrou preocupação com as novas exigências técnicas que podem descaracterizar o alimento tradicional do estado.

“Estamos falando de um produto que gera emprego, movimenta a economia e representa a herança deixada pelos imigrantes que ajudaram a construir Santa Catarina. Quem produz conhece essa realidade e precisa ser ouvido antes de qualquer decisão burocrática. Tenho confiança de que o bom senso vai prevalecer”, disparou Hang, que segurou uma placa escrita “Não mexam na nossa linguiça!”.

A Linguiça Blumenau foi criada no fim do século 19, e tornou-se um dos produtos mais tradicionais da gastronomia catarinense ao longo das gerações. A receita acompanha carne suína, toucinho, alho, sal e pimenta branca. Ela é consumida in natura e em receitas que vão de risotos e pizzas a cucas e lanches.