Khamenei: desenvolvimento de arma nuclear no Irã é mito

O líder supremo do país exortou as tropas a aumentar a sua prontidão defensiva. O discurso refletiu o estado de tensão das relações entre a liderança iraniana e os EUA

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19 ABR 201515h47

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse neste domingo que as alegações de que o país estava tentando desenvolver armas nucleares são um mito e apontou os EUA e Israel como as reais ameaças à segurança no Oriente Médio. As observações foram feitas por ocasião do Dia do Exército anual no Irã. Khamenei exortou as tropas a aumentar a sua prontidão defensiva. O discurso refletiu o estado de tensão das relações entre a liderança iraniana e os EUA.

"Eles fabricaram o mito da arma nuclear para dizer que a República Islâmica do Irã é uma ameaça", disse Khamenei, de acordo com seu site oficial. "Não! A ameaça são os EUA, que cometem interferências causadoras de insegurança, sem qualquer controle." Os EUA e Israel, conforme Khamenei, agiram sem qualquer regulamentação e "se intrometem em qualquer lugar em que acham necessário". O Departamento de Estado dos EUA não pode ser imediatamente contatado para comentar a fala de Khamenei.

Os países ocidentais há muito afirmam que as atividades de desenvolvimento nuclear do Irã têm como objetivo produzir armas nucleares. O Irã sempre insistiu em que suas atividades são para fins pacíficos.

Sob um acordo-quadro alcançado no início deste mês, o Irã tem de fechar milhares de centrífugas de enriquecimento de urânio e converter algumas instalações de enriquecimento em centros de pesquisa, de acordo com o governo dos EUA. Mas, desde então, importantes diferenças surgiram entre as partes que negociam a questão.

Khamenei, que tem a palavra final sobre a maioria dos assuntos de Estado do Irã, introduziu duas novas linhas vermelhas em 9 de abril, dizendo que o Irã não permitirá inspeções de instalações militares e insistindo que todas as sanções devem ser removidas de uma só vez assim que o acordo final for assinado. É improvável que os EUA e as outras potências envolvidas nas negociações - China, França, Alemanha, Rússia e Reino Unido - aceitem um acordo que proíbe inspeções de centros militares, já que algumas das principais instalações nucleares do país estão localizadas em locais que atualmente abrigam ou já abrigaram bases militares.