Kerry cancela retorno aos EUA e permanece em negociações com Irã

A decisão foi divulgada em meio a sinais de que as reuniões chegaram a um impasse, poucos dias antes do prazo final de 31 de março estabelecido para que se chegasse a um acordo preliminar

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29 MAR 201510h16

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, cancelou seu retorno aos Estados Unidos para permanecer em negociações sobre o programa nuclear do Irã, que acontecem na Suíça. A decisão foi divulgada em meio a sinais de que as reuniões chegaram a um impasse, poucos dias antes do prazo final de 31 de março estabelecido para que se chegasse a um acordo preliminar.

Kerry participa de reuniões com o ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, desde quinta-feira. Ontem, ministros da França e da Alemanha chegaram a Lausanne, e autoridades da Inglaterra, da China e da Rússia devem se juntar ao grupo ainda hoje.

O acordo preliminar deverá abrir caminho para uma nova rodada de negociações, com o objetivo de impor restrições de longo prazo às atividades nucleares do Irã, em troca da redução de sanções ao país.

John Kerry cancelou seu retorno aos Estados Unidos (Foto: Associated Press)

Autoridades de países ocidentais afirmaram que as negociações estão avançando em relação aos limites ao programa de enriquecimento de urânio. Entretanto, o país estaria relutante quanto ao tempo em que terá que limitar o uso dessa tecnologia. Com o enriquecimento de urânio, é possível produzir material para usos na medicina, pesquisas científicas e geração de energia, mas também para a construção de uma bomba atômica. Nas últimas semanas, o Irã teria modificado sua demanda de manter 10 mil centrífugas para 6 mil centrífugas de enriquecimento de urânio, e agora o país pode aceitar reduzir ainda mais esse número. O governo de Teerã também estaria disposto a enviar todo o urânio enriquecido produzido para a Rússia.

Os Estados Unidos e outros países aliados buscam um acordo para aumentar o tempo que o Irã levaria para produzir armas nucleares dos atuais dois a três meses para pelo menos um ano, por no mínimo uma década. O ponto de maior discórdia seria a duração das restrições. O Irã estaria pedindo que todas as restrições fossem retiradas após dez anos, enquanto os demais países insistem na remoção progressiva.

O limite à pesquisa e desenvolvimento de novas centrífugas é outro ponto de atrito, afirmaram as fontes. O Irã criou um protótipo que é capaz de enriquecer o urânio 16 vezes mais rápido que o modelo atual. Os EUA querem restringir a pesquisa, uma vez que a adoção da nova tecnologia iria aumentar a velocidade em que o país poderia produzir matéria-prima suficiente para a fabricação de uma bomba, assim que as restrições fossem encerradas.