Kenny Mendes: 'O VLT deveria vir pela Zona Noroeste'

Ele foi o vereador mais votado da cidade de Santos, com 24.765 votos e, agora, busca uma cadeira na Assembléia Legislativa de São Paulo

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27 AGO 2018Por Carlos Ratton10h45
Kenny Mendes fala da perseguição sofrida pelo PSDB e critica o trajeto do VLTKenny Mendes fala da perseguição sofrida pelo PSDB e critica o trajeto do VLTFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Ele foi o vereador mais votado da cidade de Santos, com 24.765 votos e, agora, busca uma cadeira na Assembléia Legislativa de São Paulo. Em entrevista ao Diário, Kenny Mendes fala da perseguição sofrida pelo PSDB e critica o trajeto do VLT. Confira os melhores trechos da ­entrevista:

DL - A que você atribui o motivo de sua votação histórica?
Kenny Mendes - Fui surpreendido. Via muito, principalmente durante minhas aulas, queixas de alunos que só viam políticos em ano de eleição. Então, ao entrar na política, quis ser diferente. Mostrar diariamente tudo que um vereador faz. Dar satisfação, estar sempre nas ruas, trabalhando sempre. Em 2016, praticamente não fiz campanha, não usei material impresso. Uma campanha limpa, via redes sociais, sempre aguardando com ansiedade a possibilidade das pessoas reconhecerem esse esforço. Graças a Deus, deu certo.

DL – Sua votação incomodou. Você saiu do PSDB alegando perseguição. Ela continua?
Kenny – Fico triste em falar disso. Eu esperava que, por estar tanto tempo no PSDB, trabalhando muito pelo partido, teria respaldo, um apoio do Executivo, mas infelizmente isso não ocorreu. O PSDB precisa repensar sua estratégia. Na última eleição, ocorreu uma situação ao meu ver equivocada. Lançou para deputado dois nomes, Sadao Nakai (Santos) e o Júnior Bozzella (São Vicente), ao mesmo tempo e ambos acabaram dividindo os votos e morrendo na praia. Agora, fez pior. Está relançando o Cássio Navarro (Praia Grande), o Gilberto Benzi (Guarujá) e, em Santos, Augusto Duarte e Raul Christiano. Estrategicamente falando, isso acaba não ajudando os candidatos. 

DL – O PSDB está pedindo sua cadeira na Câmara de Santos. Como está isso?
Kenny – Sim, o partido entrou com o pedido por conta de eu ter ido para o Progressista. Caso tudo dê certo, dia 7 de outubro nas eleições, essa ação fica extinta por perda de objeto.  

DL – A questão de sua nacionalidade foi resolvida?
Kenny – Venci por unanimidade duas vezes. Agora, o processo se encontra na parte civil e documental. Nesses casos, está mais do que provado que não houve má-fé de minha parte porque eu tinha sete anos e, na infância, jamais poderia pensar que um dia seria vereador. Está prescrito há 41 anos. Sempre deixei claro que possuo dupla nacionalidade: a brasileira e a portuguesa e, quando acreditei que poderia me naturalizar, fui alertado pela Polícia Federal que já era brasileiro por direito e que deveria seguir minha vida tranquilo. 

DL – Quais serão suas bandeiras na Alesp?
Kenny – A Educação, com certeza. Quando o aluno chega ao Ensino Médio, que o prepara para o futuro, para o mercado de trabalho, se depara com uma escola estadual sem estrutura. O aluno acaba saindo. Também vou focar no Ensino Técnico. A Saúde também terá uma atenção especial, caso me eleja deputado. O tratamento de câncer, na Baixada Santista, está praticamente interrompido. As pessoas não têm previsão de início de tratamento. 

DL – Mais alguma luta?
Kenny –
A questão da mobilidade também precisa ser debatida. Vou lutar que a Via Anchieta seja só para caminhões e Rodovia Imigrantes para os demais veículos. É preciso melhorar a mobilidade urbana porque ela também afeta a segurança. O VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) está incompleto, não tem banheiros, o sistema de troncos não foi implantado, nem o bilhete único. Seu trajeto deveria vir pela Zona Noroeste, que seria mais curto, atenderia mais trabalhadores e não serviria somente para mostrar para a ‘turistada’. 

DL - Sucessão na presidência da Câmara: Rui de Rosis ou Sérgio Santana?
Kenny – Sou Rui por ter uma admiração muito grande à família De Rosis. Nada contra o Sérgio Santana.  

DL - A Prefeitura ainda não implantou um serviço especializado de abordagem social de crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual e trabalho infantil, determinado por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). 
Kenny – Teve até um caso de uma menina que faleceu. Isso é lamentável e precisa ser combatido. É preciso priorizar o combate a certas mazelas, como a exploração sexual de crianças e adolescentes, como também melhorar a segurança no entorno das universidades e unidades de ensino. Segurança pode ser estabelecida de várias formas, iluminação pública e poda de árvores, por exemplo. Meu projeto que cria a polícia municipal está parado. 

DL – Equipamentos históricos estão abandonados. Isso poderia estar ocorrendo em ­Santos? 
Kenny – O orçamento da Secretaria de Cultura foi muito reduzido. Tive que destinar muitas emendas para essa importante área. Precisamos rever isso quando for votado o orçamento para o ano que vem. 

DL - O destino dos comerciantes da Rua Áureo Gonzalez de Conde (Rua do Peixe) continua incerta. Isso não deveria estar resolvido?
Kenny – A Prefeitura poderá ter que pagar mil reais por dia, a partir de outubro, caso não encontre uma solução. Ainda não sei de onde virão os recursos para tirar o pessoal, inclusive do Mercado de Peixe. 

DL – E o Hospital dos Estivadores, como você o vê?
Kenny – Eu fiz uma sugestão ao prefeito (Paulo Alexandre Barbosa) que permitisse que o Ambesp (Ambulatório de Especialidades), que está totalmente sucateado, obrigando as pessoas a usarem guarda-chuvas dentro do equipamento, ocupasse o térreo do hospital. Mas ele me disse que não cabe.