Kenny Mendes denuncia perseguição na Guarda Municipal

Sindicato também revela que assédio moral atinge inúmeros profissionais

“Peço aos colegas vereadores que se unam para evitar perseguição aos guardas que estão hoje aqui se manifestando, pois sei que após a denúncia do Canil (realizada pelo Diário do Litoral) um guarda foi perseguido por ter permitido a entrada da reportagem”. A denúncia é do vereador Kenny Mendes (PSDB), da base aliada do prefeito Paulo Alexandre Barbosa, e foi dita na sessão da última segunda-feira (2), quando os guardas municipais lotaram as galerias exigindo a saída do comandante da Corporação, Flávio de Brito Júnior, a desmilitarização da corporação e o cumprimento da lei 13.022, que instituiu o Estatuto Geral das Guardas Municipais do Brasil.

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O Diário conseguiu entrevistar o guarda mencionado por Kenny, André de Oliveira Farias, que foi retirado do Canil da Guarda Municipal de Santos e que há sete anos prestava serviços à unidade. “Fomos penalizados por conta da permissão de entrada. Outro colega também foi removido. Isso é absurdo e eu agora tenho que prestar serviço em uma escola, embaixo do Morro do São Bento, uma área perigosa, tendo vários cursos de adestramento de cães. Fui desvalorizado e estou frustrado. Isso é perseguição”, afirma o GM Farias.

Conforme explica, a situação do Canil continua insalubre, com instalações precárias. “Não é uma área digna de um profissional que trabalha com segurança, principalmente com cães. Mesmo assim, nos apegamos aos animais. Parece castigo mas, agora, todos que trabalham no Canil são obrigados a se trocar na Base Oswaldo Justo (Mercado Municipal), que também é insalubre, e depois se dirigir para o Canil. Na hora do almoço também. O Comando chega a ironizar falando o seguinte: o local não é insalubre conforme vocês denunciaram? Então, não pode se trocar e nem comer lá”. 

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Assédio moral é comum

O presidente do Sindicato dos Guardas Municipais da Baixada Santista (Sindguardas), Sérgio Lucio da Costa, afirma que o Comando da Guarda é responsável por 540 homens e mulheres, que são tratados de forma arrogante e violenta. “Há inúmeros processos de assédio moral em andamento no Ministério Público. Os guardas são obrigados a prestar serviços em locais perigosos sem direito a reclamação. Muitos se afastam por problemas psicológicos”, afirma Costa, que vem lutando para mudar a realidade da categoria.

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O sindicalista afirma que o Regime Disciplinar da Guarda se baseia no Militar, que praticamente daria aval ao assédio moral, pois se o guarda não cumprir ordens, mesmo absurdas e pondo em risco sua vida, “recebe suspensão e até exoneração por indisciplina”, completa o presidente do Sindguardas, alertando que a Corporação se encontra totalmente sucateada e vem sendo tratada com descaso pela Administração Municipal.

Canil e base são exemplos de falta de atenção  

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Em março último, o Diário publicou uma reportagem mostrando guardas municipais tendo que praticamente se estapear para poder se trocar em vestiários improvisados e apertados, na Coordenadoria da Orla da Guarda Municipal, situada na ilha central, em frente à Avenida Conselheiro Nébias, no Boqueirão, em Santos.

Baldes espalhados pelo chão contra goteiras; instalações elétricas precárias e sob risco de choque; armários velhos e enferrujados; bebedouros, geladeira e micro-ondas instalados de forma irregular também faz parte do cotidiano deles. Uma das fotos enviadas à Redação mostrava um dos guardas tendo que comer sentado no chão por falta de cadeiras.

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O cenário só não é pior do que o constatado no Canil, quando foi flagrado um ambiente completamente sucateado e insalubre. Kenny conseguiu uma emenda de R$ 250 mil, do deputado federal Guilherme Mussi (PP), para reforma do Canil. No entanto, na última sessão, informou que a verba é insuficiente.

Guarda. A Prefeitura de Santos informa pela Assessoria de Imprensa que a Guarda está a disposição da Câmara para quaisquer esclarecimentos, desde que solicitando o encaminhamento da denúncia de forma oficial e de caráter formal.