A Justiça do Trabalho proibiu que crianças e adolescentes atuem como influenciadores digitais no Facebook e no Instagram sem autorização judicial. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (27) pela 7ª Vara do Trabalho de São Paulo e determina multa diária de R$ 50 mil por perfil irregular.
A medida atende a uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério Público de São Paulo, que também pedem R$ 50 milhões de indenização por danos morais coletivos.
Além disso, as plataformas deverão adotar mecanismos de controle capazes de identificar e exigir a apresentação de alvarás judiciais em contas com atuação comercial de menores.
Riscos apontados pela Justiça
Na decisão, a magistrada destacou que expor crianças na internet para fins de lucro sem avaliação judicial traz riscos imediatos e sérios, como:
- pressão para manter rotina intensa de produção de conteúdo, afetando a saúde física e mental;
- ataques virtuais e danos à autoestima;
- uso indevido da imagem, já que fotos e vídeos podem ser copiados e compartilhados sem limite;
- prejuízo escolar, com a substituição dos estudos pelo trabalho;
- perda de experiências próprias da infância.
O MPT argumenta que o objetivo não é impedir a participação artística de crianças e adolescentes, mas garantir que ela aconteça dentro dos parâmetros legais e com proteção adequada.
Contexto de exploração na internet
As investigações do Ministério Público foram acompanhadas por dados preocupantes. A Polícia Civil de São Paulo, por meio do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), identificou ao menos 700 vítimas de exploração sexual infantil no Brasil com imagens distribuídas em plataformas digitais.
De acordo com o levantamento, meninos e meninas foram aliciados para práticas criminosas que envolvem estupros virtuais, automutilações, maus-tratos a animais e até induzimento ao suicídio.
A apuração revelou ainda que os envolvidos atuavam como organização criminosa, promovendo a venda de material de pornografia infantil pela internet.
