PC Siqueira foi socorrido por bombeiros após tentar tirar a própria vida. / Reprodução/Instagram
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Dois anos após a morte do influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, mais conhecido como PC Siqueira, a Justiça de São Paulo atendeu a um pedido do Ministério Público (MP) para que a Polícia Civil retome as investigações sobre o caso. A Promotoria não concordou com a conclusão anterior do inquérito, que classificava o ocorrido como suicídio, e ordena que novas linhas de apuração sejam seguidas.
Uma reconstituição dos fatos, tecnicamente chamada de reprodução simulada, teria ocorrido na manhã desta terça-feira (20) no apartamento onde o influenciador residia com dois cachorros, em Santo Amaro, na Zona Sul da capital paulista. A nova fase da investigação busca esclarecer se houve eventual instigação ao suicídio ou até mesmo um homicídio simulado.
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O MP colocou em dúvida os laudos periciais e depoimentos que sustentaram a tese de que PC teria tirado a própria vida em 27 de dezembro de 2023. Naquela ocasião, a perícia do Instituto Médico Legal (IML) indicou que a morte ocorreu por asfixia mecânica decorrente de enforcamento, e o Instituto de Criminalística corroborou a tese, afirmando que o ato teria ocorrido na frente da ex-namorada da vítima.
A ex-namorada de PC Siqueira, que é considerada a principal testemunha por ter relatado que tentou salvá-lo sem sucesso, não deve comparecer à reconstituição. Sua defesa informou à Justiça que ela reside atualmente no Rio de Janeiro e está amamentando um bebê de três meses, impossibilitando seu deslocamento. Diante da ausência, os peritos utilizarão as declarações dadas por ela anteriormente para guiar os trabalhos de campo.
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Outras pessoas envolvidas, como uma vizinha que prestou os primeiros socorros e o síndico do edifício paulista, foram intimadas para participar da diligência. Os advogados da família de PC Siqueira, Caio Muniz e Geraldo Bezerra da Silva Filho, contestam o resultado dos laudos iniciais e apontam falhas na apuração feita em 2023.
Segundo a defesa, elementos importantes no imóvel não foram devidamente analisados e testemunhas indicadas pela família deixaram de ser ouvidas. "A hipótese de suicídio é contestável. Ela pode ter acontecido, sim, mas também pode ter sido outra coisa", declarou Muniz ao defender que a polícia investigue todas as pessoas que tiveram contato com o apresentador nas horas que antecederam sua morte.
Além da reconstituição, o MP solicitou uma acareação entre a ex-namorada e a vizinha para esclarecer divergências em seus relatos. Amigos próximos do influenciador também questionam a versão oficial. Francis Null, amigo e produtor de PC, afirmou que não acredita que o parceiro tenha atentado contra a própria vida e defende a investigação de um possível homicídio.
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O contexto da época revela que PC Siqueira enfrentava um quadro de depressão, agravado por uma investigação criminal de 2020 sobre suposto compartilhamento de imagens de abuso sexual infantil, caso que foi encerrado em 2024 devido à extinção de punibilidade após o seu falecimento.
Até o momento, as autoridades ressaltam que não há suspeitos formalmente identificados nem elementos conclusivos que confirmem a ocorrência de um crime. As novas diligências, que incluem perícias complementares e a análise de mensagens e contatos recentes, visam garantir que todas as dúvidas levantadas pela promotoria e pela família sejam sanadas.
O caso segue sob segredo de justiça em determinados pontos, mas a movimentação desta terça-feira (20) marca um passo decisivo para a revisão de um dos episódios mais comentados da cultura digital brasileira.
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