Justiça Eleitoral investiga vereador do PSB em Guarujá

Pastor Marcos Pereira teria usado Assembleia de Deus para pedir votos respaldado por deputado

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07 FEV 2017Por Carlos Ratton08h00
Panfleto com foto, logotipo da Assembleia e pedido de votos seria a principal prova contra o vereador PereiraPanfleto com foto, logotipo da Assembleia e pedido de votos seria a principal prova contra o vereador PereiraFoto: Reprodução

O ano legislativo em Guarujá começa oficialmente hoje, às 15 horas. No entanto, para o pastor Sargento Marcos Pereira (PSB) não será um começo muito confortável. É que no próximo dia 23, ele será ouvido pela Justiça Eleitoral por ter, supostamente, enquanto candidato a vereador, exibido propaganda política dentro de um dos templos da Assembleia de Deus, contrariando a legislação vigente.

A denúncia foi formulada e protocolada no dia 29 de setembro do ano passado, pelo então candidato a prefeito Jonatas Nunes da Cruz (Psol), e assinada por dois advogados de Guarujá – Diego Soares de Oliveira Scarpa e Glauber Rogério do Nascimento Souto.

A principal prova anexada à denúncia é um panfleto, com timbre da Assembleia, fotografia do pastor e do deputado estadual Paulo Corrêa Júnior (PEN) – que assina panfleto como presidente do Ministério Assembleia de Deus de Santos – e um texto que, além do número do candidato, pede voto para os fiéis e suas famílias, em 2 de outubro de 2016.     

“No meu modesto entender, não precisaria nem ser ouvido em audiência, pois a ação possui prova documental. Segundo foi denunciado por um fiel, o panfleto era distribuído dentro da igreja, junto com o santinho do então candidato. Foi quando o Jonatas Cruz resolveu entrar com a denúncia. Quando ela (a denúncia) foi efetivada, ele (Marcos Pereira) fez um vídeo em que, novamente, pede voto na condição de pastor. Acredito que houve abuso de poder religioso”, afirma Glauber Souto.

Pastor

Procurado, Marcos Pereira disse, por intermédio de sua Assessoria, que respeita o Judiciário e entende ser legítimo o questionamento, haja vista que há milhares de ações semelhantes tramitando em todo o País e que é tarefa de tal Poder apurar as denúncias que lhe são encaminhadas.

Afirma ainda que, ao contrário do presumido, sente-se confortável e, sobretudo, aliviado por ter a oportunidade de esclarecer a questão, tendo em vista tratar-se de denúncia sem testemunha, embasada apenas em uma suposta carta e que terá oportunidade de trazer as suas testemunhas de defesa e esclarecer toda e qualquer dúvida.      

Vale lembrar que, no último dia 30, o pastor fez a primeira denúncia formal contra o Governo Válter Suman no Ministério Público (MP), solicitando investigação e abertura de um processo para apurar negligência no Cemitério da Vila Júlia. O documento também tem a assinatura de Paulo Corrêa Júnior.

O pastor Marcos Pereira é do mesmo partido do prefeito. Ele resolveu apelar para o MP por estar indignado pela falta  de médico legista  e funcionários para realizar o sepultamento.

A Prefeitura já se manifestou a respeito da denúncia, alertando que encontrou contrato dos cemitérios vencido, licitação com indícios de superfaturamento e direcionamento.

Atendendo a uma recomendação do MP e a um parecer da Advocacia Geral do Município (AGM), a atual Administração anulou as licitações e abrirá sindicância para apurar a situação.

Em nota, a assessoria do deputado estadual Paulo Corrêa Júnior informou que a assinatura do documento é do apóstolo Paulo Corrêa e não dele, que teve apenas sua foto colocada no documento.