Jovens garimpam sonhos em Praia Grande

Em 2019, a Semana Missionária da Pastoral da Juventude coincidiu com as férias escolares de 70 participantes, todos rumo à Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Praia Grande

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07 AGO 2019Por Lincoln Spada07h30
Semana Missionária da Pastoral da Juventude (PJ) de 2019 coincidiu com as férias escolares de 70 participantesFoto: Lincoln Spada/DL

"Moro no Quarentenário, mas até então não conhecia o Quarentenário", diz uma jovem de 18 anos no banco da igreja. A verdade é que Milene Pupo já sabia de cor as vias que abrangem o atual Jardim Irmã Dolores, com seus 23,4 mil moradores. Porém, não conhecia de fato os seus vizinhos.

A sensação de pertencimento ampliou em 2018, quando visitou lares por sete dias. A alegria são os relatos porta adentro: uma anfitriã relatou como milagre não ter tido sequelas de um derrame. Tratava-se da Semana Missionária da Pastoral da Juventude (PJ).

Em 2019, o evento coincidiu com as férias escolares de 70 participantes, todos rumo à Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Praia Grande. A maioria conseguiu uma lotação exclusiva da área continental vicentina para ida e volta (dias 14 e 21).

Foi a segunda vez da estudante de Cinema, Maria Eduarda Barbosa da Silva. Em 2018, a sua mãe não só abriu a porta, como acolheu uma missionária em casa. Madu dividiu o quarto com outra adolescente: "a missão nos uniu, ela se tornou uma irmã e foi a melhor experiência da minha vida".

Afilhada de Irmã Dolores, "sinto seguir os passos dela na semana". Comoveu-se quando, numa de suas visitas, uma viúva chorava de alegria por ser cuidada pelos vizinhos. Histórias de superação quanto à violência doméstica e vícios são ouvidas geralmente pelos trios e pares de adolescentes que, em geral, partilham versículos e orações pela saúde ou pelo emprego dos anfitriões.

"Com a missão, mudamos nosso pensar, somos mais gratos com nossas famílias", comenta o jogador de 16 anos, Rhuan de Marcus Nieves, de São Caetano do Sul.

O coletivo da PJ de 14 a 23 anos reunia também moradores de Embu das Artes, Guarujá, Guarulhos, Santos, e, em grande parte, Praia Grande e São Vicente, cita Larissa da Silva Santos. Aos 22, a coordenadora diocesana da PJ lembra tanto da comissão organizadora de conversar pessoalmente com os pais dos inscritos, quanto das reuniões na igreja do Samambaia, público-alvo do evento.

Durante a missão, às manhãs e tardes, adolescentes professavam a fé e realizaram a escuta com os mais velhos nas ruas do Jardim Melvi e Ribeirópolis. Todos munidos de uma mucuta (bolsa de pano) com bloco de notas, crachá, subsídio de orações, hinos e dicas - "mantenha-se hidratado", "peça licença, por favor e agradeça" -, um frasco de água benta e uma camisa com o lema "mão com mão, é tempo de libertação".

Cada inscrito entregou um valor simbólico para custeio do projeto. Seis adultos da igreja seguiam das 7 às 16 horas preparando o café, almoço e lanche comunitário no salão. Já dezenas de paroquianos hospedavam os novos filhos adotivos.

O professor de Espanhol de Guarulhos, Diogo Silva, 23 anos, destaca que em sua diocese as missões são só de fins de semana: "Para mim, está sendo uma novidade. Dá tempo de vivenciar melhor o senso de comunidade". Uma professora, Elisangela, pediu férias para acompanhar com o marido Fábio Martins os três jovens missionários na casa no decorrer da semana. Dividiram com os meninos as memórias de seus 18 anos de casamento e as orações pré-jantar. Cada um levou um presente dos novos pais.

Momentos coletivos de espiritualidade às 8 horas, e partilhas do dia às 17 horas completam a agenda semanal, sempre com uma surpresa diária. Por exemplo, cinedebate, oficinas e até rodas de conversa sobre o SUS (tema da Campanha da Fraternidade). O início e o fim do projeto foram celebrados em missas na paróquia.

Esse é o primeiro ano que Praia Grande recebe a Missão da PJ: em São Vicente, já houve no Humaitá (2012), México 70 (2015) e Quarentenário (2018), em Santos no Morro São Bento (2013) e em Guarujá na Vila Santa Rosa (2017).

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