Jovens disputam entregas em apps de delivery

Entregadores se aglomeram em frente a shoppings e restaurantes na esperança de conseguir ao menos uma entrega.

A turma de jovens tem uma idade média de não mais do que 23 anos e todos se agrupam e conversam em frente a uma unidade de uma rede de lanchonetes fast-food no Gonzaga, em Santos, enquanto olham fixamente para seus celulares. Eles, entretanto, não estão no local a passeio, pelo contrário, disputam entre si as entregas feitas pelo restaurante e ganham poucos trocados para se sustentar enquanto procuram uma maneira de voltar ao mercado de trabalho formal.

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A rotina dos entregadores de comida por aplicativos de celular tem se resumido a ‘marcar território’ e se manter próximo de restaurantes com grande demanda de pedidos. A aglomeração deles se inicia geralmente por volta das 11h em todos os dias da semana e muitos podem ser vistos no local até o fim da noite. Tudo com o objetivo de conseguir dinheiro para se manter durante o mês.

“Em um dia bom, mas bom mesmo, a gente consegue ganhar até uns R$ 80,00, mas em dias mais ‘normais’ por assim dizer, a gente tira algo em torno de R$ 40,00 e tem ocasiões em que a gente não faz mais do que R$ 10,00. Já teve sábados em que eu ganhei exatamente isso”, afirma o estudante Eduardo Souza, de 18 anos, que revela estar cursando faculdade com a ajuda de outras pessoas próximas.

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No dia em que a reportagem foi até o local para conversar com alguns dos entregadores, cerca de cinco ou seis trabalhadores estavam na frente do restaurante próximo da Praça da Independência. Em outros dias, entretanto, é possível observar mais de dez pessoas paradas no local com suas mochilas nas costas e os olhos grudados nas telas de celulares.

“A gente é selecionado pelo sistema deles, mas não tem bem uma prioridade, nosso colega chegou primeiro, às 9h30 e agora, ao meio-dia, ainda não foi chamado para fazer nenhuma entrega”, explica Eduardo, que não tirou os olhos do celular.

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Em alguns dias, eles explicam que mais de 20 entregadores se reúnem no ponto e afirmam que rapidamente descobrem durante as conversas que praticamente todos eles são profissionais que perderam o emprego, não conseguiram retornar ao mercado de trabalho e acabaram recorrendo aos aplicativos de delivery para tentar sobreviver.

“Eu trabalhava em contabilidade, mas acabei perdendo o emprego e vim para tentar a sorte com os aplicativos”, diz Jonatan Jesus, de 30 anos.

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Segundo alguns deles, a espera por uma única entrega às vezes chega a quatro horas. Enquanto esperam por sua vez na fila dos aplicativos, eles seguem procurando oportunidades para voltar ao mercado formal.

“O sistema dos aplicativos funciona aleatoriamente e além de às vezes sermos 20 entregadores, ainda têm alguns que ficam circulando. Geralmente nós nos concentramos aqui ou perto do Shopping Iporanga e do Shopping Praiamar, onde também tem muito restaurante”, concluem.

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DESEMPREGO

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego no Brasil ficou em 11,8 % no trimestre que acabou em agosto. Com isso, é possível afirmar que 12,6 milhões de pessoas estão desempregadas. O número ficou estável em relação ao trimestre encerrado em julho deste ano.

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Ainda segundo o IBGE, o trabalho informal chegou à marca de 41,4%, o que significa que quase metade dos trabalhadores do Brasil está atualmente na informalidade. Essa é a maior taxa já verificada pelo órgão desde 2016, quando a pesquisa passou a investigar empregadores e trabalhadores por conta própria sem possuir um CNPJ.