Em tempos de pandemia e com o verão já adentrando a casa de moradores de todo o Brasil, um jovem empreendedor decidiu apostar as fichas em algo simples e eficaz para enfrentar o escaldante calor tropical: gelo. Mas quem acha que esse processo se resume a colocar água no freezer, se engana, porque o produto aqui é um pouco mais refinado, ‘saboroso’ e o resultado tem sido positivo.
A trajetória de Vitor Conrado começou com a criação de seu primeiro negócio, o Space Chicken, restaurante virtual e que entrega frango frito durante os dias úteis e nos fins de semana. Sempre inspirado pelos pais, que já atuavam no ramo de buffets, o jovem de 28 anos começou com passos pequenos, mas que tiveram que se agigantar rapidamente.
“Eu meio que segui meus pais porque eles tinham buffet há dez anos e nunca aceitei de trabalhar registrado em empresa, ter que fazer faculdade, essas coisas, porque eu achava meio injusto meus pais tirarem em um evento ou dois tudo que eu tiraria num mês. Então sempre pensei em fazer algo no mesmo segmento, o alimentício porque é algo que não acaba e é essencial”, explica.
A chegada da pandemia, entretanto, foi um baque e com os pais parados devido ao isolamento social e o impedimento de eventos como os que eles produziam colocou a responsabilidade da casa no restaurante recém-inaugurado.

“Esse isolamento social deu uma alavancada nas vendas, especialmente no começo, em março, ainda mais com nossa rapidez para fazer as entregas até porque só tinha moto nas ruas. A parte ruim, de fato, é que dava muito receio, medo, de sair na rua para comprar as coisas, para fazer o supermercado, pelo fato especialmente que meus pais têm idade, mas não tínhamos o que fazer até porque eles passaram a ficar sem eventos e decidi que o Space Chicken era nossa sobrevivência, nossa maneira de seguir em frente, de sustentar a casa”.
O movimento do restaurante, entretanto, acabou tendo uma pequena queda com a retomada de algumas atividades e flexibilizações liberadas pelas autoridades do Governo do Estado. Com isso, quase que sem querer, Vitor passou a investir em um segundo segmento e que se tornaria em sucesso ainda maior: gelo, mas com sabor.
“A ideia veio de um rapaz que veio trabalhar aqui um dia e perguntou o porquê não fazíamos ‘gelo em embalagem de picolé’ que era a novidade do momento. E isso ficou na minha cabeça porque meus pais tinham estrutura com congeladores e é um investimento alto, mas já tínhamos tudo na mão, mas fui deixando de lado”, explica Conrado.
O gelo saborizado distribuído pela empresa de Vitor pode parecer uma novidade para algumas pessoas, mas ele já é produzido há algum tempinho e de sorvete, não tem nada, pois é focado em ser feito para gelar bebidas por mais tempo e sem deixa-las com aquele gosto ‘aguado’ que se acumula nos últimos goles. Embora a receita não seja lá muito antiga, a empresa de Vitor se especializou em distribuir o gelo em larga escala, deixando para trás os tradicionais cubinhos das formas de cozinha.
“Num belo dia eu decidi colocar essa ideia do gelo para rodar e ver como poderíamos fazer pra dar certo. Fui ver a concorrência e descobri que eram muito poucos no mercado e pensei ‘poxa, to no meio desse público jovem, que aceitaria esse gelo’ e ainda mais nessa pandemia, o pessoal gosta até de beber em casa, ficar em lounge ou adegas, e percebi que seria um ramo muito bom. Fui mais a fundo e consegui ver tudo direitinho o que eu precisaria e hoje a gente colocou para iniciar umas 20 mil unidades e já tenho até pré-vendas”, diz.
A princípio, ele já começou a trabalhar com empresas e até mesmo pessoas interessadas em adquirir algo prático para gelar bebidas alcóolicas ou não.
“É uma coisa boa, diferente no mercado. A diferença dele é vir em saquinhos de picolé e as adegas têm problemas com as caixas para dar para o cliente e teria que ‘cortar a caixa’ para usar o gelo, ou até mesmo as baladas têm problemas para colocar esse tipo de gelo em combos de bebidas, mas aqui, a gente faz tudo com a embalagem plástica, que se torna muito mais prático porque só o consumidor final é quem manuseia, abre a embalagem e coloca na bebida”.
Para quem ainda não usou esse tipo de gelo ou não conhece, ele pode servir para uma gama de bebidas sem deixar que o líquido perca o sabor ou sirva até para complementar o paladar.
“É um gelo que as adegas, baladas, bares, usam bastante hoje em dia, especialmente para quem bebe whisky e outras bebidas. A diferença dele é que ele dá uma adocicada no copo e não tão forte no caso de Whisky ou Vodka. As pessoas bebem e ele não deixa a bebida aguada”, conclui.
Apesar de já estar com algumas pré-vendas fechadas, o empresário afirma que está aceitando encomendas e pode ser encontrado em suas redes sociais, que estão no Instagram com os perfis @spacechicken19 e @loccosdigelo.
