Jovem especial sonha em estudar Direito

Beatriz Rodrigues conseguiu uma vaga na Unisanta, mas faltam recursos financeiros para pagar os estudos

Beatriz Rodrigues concluiu o Ensino Médio de forma precária na Escola Estadual Marquês de São Vicente, em Santos, depois de Fernanda ter desafiado a direção da unidade e insistido em matriculá-la. A mãe da adolescente ‘cansou’ de denunciar a falta de estrutura educacional do Estado que sequer forneceu uma professora auxiliar à Beatriz. A menina tem dificuldades com os livros, cadernos e a lousa.   
 
O problema enfrentado pela estudante chegou à Assembleia Legislativa, que também não conseguiu sensibilizar o Governo do Estado a resolver a questão. Em 2014, a
então deputada estadual Telma de Souza (PT) apresentou requerimento de informação à Secretaria de Estado da Educação.
 
Telma queria saber qual o aparato material à disposição dos estudantes com deficiência física, auditiva, visual ou intelectual em todo o Estado, bem como o universo de estudantes, professores e auxiliares especializados, assim como as escolas onde estes alunos estão matriculados na Baixada Santista.
 
Também em 2014, o caso de Beatriz foi objeto de análise da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. O deputado e membro da comissão Marco Aurélio de Souza
(PT), que assim como Telma soube do caso por intermédio da Reportagem, chegou a fazer um pronunciamento na tribuna da Casa.
 
“Essa situação ultrapassou a esfera do simples acesso à Educação e atinge diretamente os direitos humanos. Essa reportagem põe em evidência o tratamento dado pelo Estado a pessoas portadoras de necessidades especiais. E isso não é uma questão partidária, mas estritamente humana”, disse o deputado à ocasião.  
 
Durante o Ensino Médio, Beatriz postou várias mensagens nas redes sociais. Numa delas, dizia o seguinte: “A deficiência visual nunca me impediu de estudar ou de correr atrás dos meus sonhos. Vivi situações de revolta e me surpreendi com a falta de respeito e com a discriminação”.
 
A Reportagem percebeu que a história de Beatriz ainda está muito longe de terminar: “Desde muito nova decidi o que faria depois do Ensino Médio. Ao concluir esse ano, prestei o vestibular para Direito. Ver meu nome na lista de aprovados foi um momento indescritível e inesquecível, pois um dos meus maiores sonhos é ser advogada. O meu objetivo com isso é, através dos conhecimentos que essa profissão irá me trazer, ajudar os deficientes e outras minorias a lutarem por seus direitos”, disse a menina.