Jornalista transforma vida com lúpus em livro

Portadora de lúpus desde os 19 anos, já tinha vivenciado cinco crises, mas nenhuma delas havia deixado sua pressão 25 por 18 e nem dado quase 30 quilos a mais em três meses, por retenção de líquido.

Quando a jornalista e escritora Beth Soares, hoje com 38 anos, foi para uma consulta de rotina para descobrir o que estava acontecendo com seu corpo naquele 23 de junho de 2015, não imaginava que flertava com a morte e só sairia da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) 21 dias depois.

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Portadora de lúpus desde os 19 anos, já tinha vivenciado cinco crises, mas nenhuma delas havia deixado sua pressão 25 por 18 e nem dado quase 30 quilos a mais em três meses, por retenção de líquido.

O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, isto é, quando o sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do próprio corpo. Não há cura e as causas não estão completamente esclarecidas, mas acredita-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais estejam envolvidos no aparecimento da doença.

“O lúpus pode afetar qualquer órgão do organismo e produzir uma série de sintomas e manifestações clínicas, por isso é conhecido como a doença de mil faces. Mas o acometimento renal que a doença traz é muito conhecido e bastante comum nos portadores da enfermidade”, explica o médico nefrologista Bruno Graçaplena Vieira, quem cuidou de Beth durante as três semanas de internação e a acompanha desde então.

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E foram justamente os rins o Calcanhar de Aquiles da jornalista. No hospital, descobriu que havia perdido 50% da função deles. “O médico foi taxativo: não posso garantir que você sairá daqui”, recorda a paciente.

Na UTI, em meio a medicamentos para diminuir a imunidade e impedir que o corpo continuasse atacando a si próprio, Beth, lúcida e angustiada com o que poderia acontecer, buscou um tratamento paralelo: a escrita. Foi no leito hospitalar que redigiu a primeira crônica.

Enquanto isso, seu companheiro, o também jornalista e escritor, Marcus Vinicius Batista, tentava administrar a impotência e o medo de perder a amada com a vida cotidiana, que não poderia parar. Para externar o sofrimento, utilizou o mesmo remédio: escrever.

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Quatro anos depois, com dezenas de textos escritos sobre a fase difícil, o casal decidiu reunir 35 crônicas no livro ‘O Lobo, o Urso e a Cura’, primeiro que escrevem juntos. Em 216 páginas, o leitor encontrará textos em ordem cronológica, da pré-crise à remissão da doença, além de sentimentos como tristeza, raiva, indignação, alívio e felicidade.

“Não tínhamos a intenção de fazer algo com as crônicas, era apenas uma forma de colocar para fora o que estávamos sentindo. Gostaria que aqueles que possuem doenças incuráveis percebessem que há uma oportunidade de pelo menos conviver bem com o problema”, resume Beth.

O nefrologista Bruno, que hoje tornou-se amigo, foi o convidado para o prefácio da obra. O livro ‘O Lobo, o Urso e a Cura’ foi lançado neste mês pela editora Ateliê de Palavras, e pode ser encontrado pelo site www.ateliedepalavras.com.