Cotidiano

Joia maravilhosa do litoral brasileiro já teve candidato primata com 400 mil votos em eleição

Já pensou em um animal disputando a Prefeitura do Rio? Parece roteiro de comédia, mas quase virou realidade em 1988

Igor de Paiva

Publicado em 02/03/2026 às 08:01

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Com o lema "Tudo pela evolução. Para prefeito, macaco Tião!" / Pixabay

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Já pensou em um animal disputando a Prefeitura do Rio? Parece roteiro de comédia, mas quase virou realidade em 1988. O protagonista dessa história foi o macaco Tião, morador ilustre do Zoológico do Rio de Janeiro, que acabou entrando para o folclore político do país.

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Com o lema “Tudo pela evolução. Para prefeito, macaco Tião!”, o primata teve o nome lançado simbolicamente na corrida eleitoral daquele ano. A iniciativa ganhou as ruas, virou assunto nas rodas de conversa e rapidamente se transformou em um fenômeno de protesto bem-humorado entre os cariocas.

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O resultado surpreendeu: Tião recebeu cerca de 400 mil votos e teria ficado em terceiro lugar na apuração extraoficial — um número expressivo que evidenciava o descontentamento de parte do eleitorado com os candidatos da época.

A verdade por trás da “candidatura”

Apesar da votação simbólica, Tião nunca foi candidato de fato. A ação foi idealizada pela revista Casseta Popular, com apoio do então deputado Fernando Gabeira. A proposta era escancarar a insatisfação popular e ironizar o cenário político, sugerindo que até um macaco poderia representar melhor a população do que algumas opções reais na disputa.

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De atração do zoológico a símbolo de protesto

Batizado em homenagem a São Sebastião, padroeiro da cidade, Tião era uma das principais atrações do zoológico. Ficou conhecido por andar sobre duas patas, fazer caretas e interagir com o público, especialmente com as crianças.

Na década de 1980, porém, após ser transferido para uma jaula, seu comportamento mudou. Tornou-se mais agressivo e passou a arremessar fezes nos visitantes — incluindo, segundo relatos populares, o então prefeito da cidade. O temperamento explosivo acabou reforçando sua imagem irreverente e contribuiu para o tom satírico da “campanha”.

Um personagem que virou lenda

Tião morreu em 1996, aos 33 anos, em decorrência de complicações causadas por diabetes. Ainda assim, seu nome permanece vivo na memória popular como um dos episódios mais curiosos — e criativos — da história política brasileira. Mais do que uma piada, o macaco Tião se transformou em símbolo de protesto e em retrato bem-humorado de um momento de descrença na política nacional.

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