Cotidiano

Jogo lançado há mais de uma década parece ter previsto ataque à Venezuela

Lançado em 2013, Call of Duty: Ghosts retratou uma ofensiva militar contra Caracas e hoje é resgatado nas redes em meio a eventos políticos recentes

Ana Clara Durazzo

Publicado em 05/01/2026 às 12:30

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Para muitos fãs, o enredo teria 'antecipado' um cenário de ataque ao país sul-americano, reacendendo debates sobre os limites entre ficção, geopolítica e cultura pop / Divulgação/Microsoft

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O jogo Call of Duty: Ghosts, lançado em 2013 como o décimo título da franquia que hoje já soma 22 jogos voltou ao centro das discussões nas redes sociais após jogadores apontarem semelhanças entre sua trama e acontecimentos recentes envolvendo a Venezuela.

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Para muitos fãs, o enredo teria 'antecipado' um cenário de ataque ao país sul-americano, reacendendo debates sobre os limites entre ficção, geopolítica e cultura pop.

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Na história do game, a principal antagonista dos Estados Unidos é a Federação, uma aliança fictícia de países da América do Sul cuja capital é Caracas. No jogo, o bloco é retratado como uma superpotência militar que desafia diretamente os interesses norte-americanos, levando a confrontos armados e operações estratégicas em território venezuelano.

Polêmica na época do lançamento

Ainda em 2013, a escolha narrativa gerou forte repercussão na Venezuela. À época recém-eleito, o presidente Nicolás Maduro criticou publicamente o jogo, afirmando que ele associava o país a uma ameaça militar global e colocava a Venezuela no papel simbólico de inimiga dos Estados Unidos.

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Mais de uma década depois, o título voltou a ser lembrado justamente por essa ambientação. Nas redes sociais, jogadores compartilham cenas, capturas de tela e trechos da campanha que mostram operações militares em Caracas, ataques pontuais, infiltrações de forças especiais e ações descritas como 'cirúrgicas'  imagens que, segundo os usuários, lembrariam o noticiário internacional atual.

Ficção, coincidência ou 'programação preditiva'?

Parte do debate online recorre ao conceito de 'programação preditiva', teoria segundo a qual filmes, séries e jogos introduziriam ideias para preparar psicologicamente o público para eventos futuros. Especialistas, no entanto, tendem a adotar uma leitura mais cautelosa.

Sob a ótica da navalha de Occam princípio segundo o qual a explicação mais simples costuma ser a correta , o caso pode ser interpretado como resultado da própria proposta da franquia. Ao longo de décadas, Call of Duty construiu suas narrativas misturando conflitos reais, tensões geopolíticas e extrapolações ficcionais, o que torna provável que algum de seus enredos acabe, com o tempo, parecendo 'premonitório'.

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Soft power e estética da guerra

Outro ponto levantado por analistas culturais é o papel do jogo como ferramenta de soft power. A franquia costuma retratar operações militares altamente tecnológicas, com poucas baixas e ações de elite bem-sucedidas uma estética que reforça a imagem de poder e eficiência das forças norte-americanas.

Não por acaso, muitos internautas destacam que a forma como conflitos são imaginados hoje com imagens em primeira pessoa, incursões noturnas e extrações rápidas dialoga diretamente com a linguagem visual popularizada por jogos como Call of Duty. Para uma geração que cresceu jogando, a iconografia da guerra já foi, de certa forma, 'ensinada' pelos videogames.

Um jogo que ganha novos significados

Embora Call of Duty: Ghosts seja uma obra de ficção, o ressurgimento do debate mostra como produtos culturais ganham novas leituras conforme o contexto histórico muda. O que em 2013 parecia apenas um roteiro controverso, hoje é reinterpretado por parte do público como um reflexo ou até um prenúncio de tensões reais.

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Se coincidência ou não, o fato é que o jogo voltou a ser discutido como exemplo de como a fronteira entre entretenimento e realidade política pode se tornar surpreendentemente tênue.

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