Joelmir Beting morre aos 75 anos em São Paulo

O jornalista estava em coma irreversível após sofrer um AVE (Acidente Vascular Encefálico) no último domingo (25)

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29 NOV 201210h37

Morreu na madrugada desta quinta-feira (29), o jornalista Joelmir Beting, de 75 anos. Ele estava internado desde o dia 22 de outubro para tratar de uma doença autoimune , no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e respirava com auxílio de aparelhos desde o último domingo (25) após sofrer um acidente vascular encefálico (AVE) hemorrágico. Joelmir havia entrado em estado de coma irreversível, segundo boletim médico divulgado nessa quarta-feira (28).

Mauro Beting, que estava no ar pela Rádio Bandeirantes, leu uma carta em homenagem ao pai. Num trecho dela, disse: "Uma coisa aprendi com você, Babbo. Antes de ser um grande jornalista é preciso ser uma grande pessoa. Com ele aprendi que não tenho de trabalhar para ser um grande profissional. Preciso tentar ser uma grande pessoa. Como você fez as duas coisas". 
 
O corpo do jornalista é velado no Cemitério do Morumbi, na zona sul, até as 14h. O velório será aberto ao público e a cremação está marcada para as 16h no Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. A cerimônia será restrita à família.
 
Joelmir era casado desde 1963 com Lucila e teve dois filhos: o também jornalista Mauro Beting, e o publicitário Gianfranco.
 
Atualmente, Joelmir era comentarista de economia da TV Band (Foto: Divulgação)
 

Trajetória

Joelmir nasceu em 21 de dezembro de 1936 em Tambaú, interior de São Paulo. Trabalhava atualmente na TV Band, onde fazia comentários sobre economia e apresentava o programa de entrevistas Canal Livre. Em Tambaú, chegou a trabalhar como boia-fria. Em 1957 começou a cursar a faculdade de sociologia na Universidade de São Paulo (USP) e no mesmo ano iniciou sua carreira jornalística na Rádio Jovem Pan e nos jornais O Esporte e Diário Popular, como repórter esportivo.

Veio da sua paixão pelo futebol a expressão "gol de placa", uma das marcas de Joelmir, palmeirense assumido. Depois de um gol marcado por Pelé numa partida contra o Fluminense, no Maracanã, em 1961, o jornalista mandou encomendar uma placa de bronze para homenagear o atleta. A partir de então, narradores de jogos de futebol começaram a sugerir o prêmio a cada belo gol, o que acabou popularizando a expressão.

Na década de 60, Joelmir resolveu partir para o noticiário econômico. No final dos anos de 1960, assumiu a editoria de economia da Folha de S.Paulo. Em 1970, lançou uma coluna diária, republicada em centenas de jornais com o selo da Agência Estado. Nesse período, levava notícias da economia também às rádios Jovem Pan, Gazeta, Bandeirantes e CBN, além de emissoras de televisão (Gazeta, Record, Bandeirantes e Globo). Com a coluna, como o próprio jornalista definia em seu site pessoal, explicou o "economês". "Vulgarizei a informação econômica, fui chamado nos meios acadêmicos enciumados de 'Chacrinha da Economia'", ironizou.

Em 1991, ele se transferiu para o Estado, onde permaneceu até janeiro de 2004, quando voltou para a Band. Joelmir também escreveu dois livros e ensaios em revistas semanais e passou pelas tevês Gazeta, Record, Globo e Bandeirantes.