O 'Olho de Sauron' já havia sido registrado pelo Telescópio Hubble e se tornado um ícone da divulgação científica / ESA, Kalas/Graham/UCB, Clampin/NASA/GSFC
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A Nebulosa de Hélice, localizada a cerca de 655 anos-luz da Terra, é uma das imagens mais conhecidas da astronomia moderna. Popularmente apelidada de “Olho de Sauron”, por lembrar o símbolo da saga O Senhor dos Anéis, ela já havia sido registrada pelo Telescópio Hubble e se tornado um ícone da divulgação científica.
Agora, porém, uma nova observação mudou completamente o entendimento desse objeto cósmico.
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O Telescópio Espacial James Webb voltou seus instrumentos para a nebulosa e revelou detalhes inéditos, capazes de mostrar não apenas a morte de uma estrela, mas também os processos químicos que podem estar ligados ao surgimento de novos mundos — e, indiretamente, aos ingredientes básicos da vida.
Apesar do nome, nebulosas planetárias não têm relação direta com planetas. Elas se formam quando estrelas semelhantes ao Sol chegam ao fim da vida e expulsam suas camadas externas para o espaço.
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Esse material ejetado cria estruturas complexas de gás e poeira ao redor de um núcleo extremamente denso, conhecido como anã branca.
As novas imagens divulgadas pela NASA mostram esse processo com uma nitidez sem precedentes.
O Webb conseguiu registrar pilares internos de gás e regiões densas da nebulosa iluminadas pela intensa radiação da anã branca central, que, mesmo fora do enquadramento principal, domina toda a dinâmica do sistema.
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O resultado é um retrato detalhado do momento final de uma estrela — um fenômeno violento, mas fundamental para a evolução do universo.
Mais do que beleza visual, as cores captadas pelo Webb carregam informações científicas valiosas. O telescópio conseguiu mapear temperatura e composição química do material espalhado pela nebulosa:
Azul: regiões de gás extremamente quente, energizadas pela radiação ultravioleta emitida pela anã branca
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Amarelo: áreas onde átomos de hidrogênio começam a se combinar, formando moléculas
Vermelho: zonas mais frias, onde o gás se condensa e dá origem à poeira interestelar
É justamente nessas áreas avermelhadas que está o ponto-chave da descoberta. A poeira e as moléculas complexas observadas não representam apenas os restos de uma estrela morta. Elas são matéria-prima essencial para a formação de novos sistemas planetários.
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De acordo com a NASA, o Webb conseguiu registrar um estágio crucial do ciclo cósmico: o momento em que os detritos de uma estrela se transformam em sementes para futuras estrelas, planetas e, potencialmente, ambientes habitáveis.
Elementos químicos dispersos por nebulosas planetárias como a de Hélice acabam sendo incorporados a novas nuvens de gás ao longo de milhões de anos. Esse processo é o mesmo que, no passado remoto, permitiu a formação do Sistema Solar e dos compostos essenciais à vida na Terra.
Ao revelar a “verdadeira face” do chamado Olho de Sauron, o Telescópio James Webb mostra que, no universo, fim e começo fazem parte do mesmo ciclo — e que até a morte de um sol pode carregar as bases para novos mundos.
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