Cotidiano

James Webb revela a 'verdadeira face' do Olho de Sauron e grande segredo sobre a vida

Novas imagens do telescópio captam o momento exato em que poeira de estrela morta se transforma em matéria-prima para planetas habitáveis

Luna Almeida

Publicado em 23/01/2026 às 22:15

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O 'Olho de Sauron' já havia sido registrado pelo Telescópio Hubble e se tornado um ícone da divulgação científica / ESA, Kalas/Graham/UCB, Clampin/NASA/GSFC

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A Nebulosa de Hélice, localizada a cerca de 655 anos-luz da Terra, é uma das imagens mais conhecidas da astronomia moderna. Popularmente apelidada de “Olho de Sauron”, por lembrar o símbolo da saga O Senhor dos Anéis, ela já havia sido registrada pelo Telescópio Hubble e se tornado um ícone da divulgação científica. 

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Agora, porém, uma nova observação mudou completamente o entendimento desse objeto cósmico.

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O Telescópio Espacial James Webb voltou seus instrumentos para a nebulosa e revelou detalhes inéditos, capazes de mostrar não apenas a morte de uma estrela, mas também os processos químicos que podem estar ligados ao surgimento de novos mundos — e, indiretamente, aos ingredientes básicos da vida.

O último suspiro de uma estrela, como nunca visto

O Telescópio Espacial James Webb voltou seus instrumentos para a nebulosa e revelou detalhes inéditos / ESO, VISTA, NASA, ESA, CSA, STScI, J. Emerson (ESO)
O Telescópio Espacial James Webb voltou seus instrumentos para a nebulosa e revelou detalhes inéditos / ESO, VISTA, NASA, ESA, CSA, STScI, J. Emerson (ESO)
O Webb conseguiu registrar pilares internos de gás / NASA, ESA, CSA, STScI
O Webb conseguiu registrar pilares internos de gás / NASA, ESA, CSA, STScI
O 'Olho de Sauron' já havia sido registrado pelo Telescópio Hubble e se tornado um ícone da divulgação científica / NASA, ESA, Kalas/Graham/UCB, Clampin/NASA/GSFC
O 'Olho de Sauron' já havia sido registrado pelo Telescópio Hubble e se tornado um ícone da divulgação científica / NASA, ESA, Kalas/Graham/UCB, Clampin/NASA/GSFC

Apesar do nome, nebulosas planetárias não têm relação direta com planetas. Elas se formam quando estrelas semelhantes ao Sol chegam ao fim da vida e expulsam suas camadas externas para o espaço

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Esse material ejetado cria estruturas complexas de gás e poeira ao redor de um núcleo extremamente denso, conhecido como anã branca.

As novas imagens divulgadas pela NASA mostram esse processo com uma nitidez sem precedentes. 

O Webb conseguiu registrar pilares internos de gás e regiões densas da nebulosa iluminadas pela intensa radiação da anã branca central, que, mesmo fora do enquadramento principal, domina toda a dinâmica do sistema.

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O resultado é um retrato detalhado do momento final de uma estrela — um fenômeno violento, mas fundamental para a evolução do universo.

O segredo escondido nas cores da imagem

Mais do que beleza visual, as cores captadas pelo Webb carregam informações científicas valiosas. O telescópio conseguiu mapear temperatura e composição química do material espalhado pela nebulosa:

Azul: regiões de gás extremamente quente, energizadas pela radiação ultravioleta emitida pela anã branca

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Amarelo: áreas onde átomos de hidrogênio começam a se combinar, formando moléculas

Vermelho: zonas mais frias, onde o gás se condensa e dá origem à poeira interestelar

É justamente nessas áreas avermelhadas que está o ponto-chave da descoberta. A poeira e as moléculas complexas observadas não representam apenas os restos de uma estrela morta. Elas são matéria-prima essencial para a formação de novos sistemas planetários.

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Da morte estelar ao nascimento de novos mundos

De acordo com a NASA, o Webb conseguiu registrar um estágio crucial do ciclo cósmico: o momento em que os detritos de uma estrela se transformam em sementes para futuras estrelas, planetas e, potencialmente, ambientes habitáveis.

Elementos químicos dispersos por nebulosas planetárias como a de Hélice acabam sendo incorporados a novas nuvens de gás ao longo de milhões de anos. Esse processo é o mesmo que, no passado remoto, permitiu a formação do Sistema Solar e dos compostos essenciais à vida na Terra.

Ao revelar a “verdadeira face” do chamado Olho de Sauron, o Telescópio James Webb mostra que, no universo, fim e começo fazem parte do mesmo ciclo — e que até a morte de um sol pode carregar as bases para novos mundos.

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