Jacarés são 'presenças ilustres' nas cidades da Baixada Santista

Só em Santos, ao menos 12 animais estariam 'morando' na Alemoa.

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22 ABR 2019Por LG Rodrigues06h04
Ricardo afirma ter visto ao menos 12 répteis na última vez em que visitou o local e busca ajuda para assegurar a segurança dos répteis.Ricardo afirma ter visto ao menos 12 répteis na última vez em que visitou o local e busca ajuda para assegurar a segurança dos répteis.Foto: Aline Lira/Divulgação

Um simples passeio a pé por alguns bairros da Baixada Santista pode se tornar em uma ótima oportunidade para observar a fauna do nosso amado litoral. Os mais atentos podem flagrar vários animais em seus habitats como por exemplo as garças, as andorinhas e os jacarés. É isso mesmo que você leu, para quem frequenta, por exemplo, a área próxima de uma lagoa na Avenida Engenheiro Augusto Barata, em Santos, os répteis já viraram parte da rotina.

A boa relação entre os moradores da Baixada Santista e os jacarés, entretanto, não é novidade. De 2016 para cá, a população de Cubatão já noticiou ao menos dois aparecimentos de répteis. O primeiro flagrante ocorreu na Ponte do Arco Íris e meses depois disso, outro jacaré apareceu no bairro Vila Nova.

Itanhaém também já recebeu a visita de um destes animais na praia Boca da Barra e no último dia 10 foi a vez da Guarda Civil Ambiental ser acionada para retirar um jacaré de uma área de mata na Prainha Branca, em São Vicente.

Mas sem sombra de dúvidas, o jacaré mais famoso de nossa Região era 'Florentina'. A réptil, que foi batizada por moradores, já deixou sua antiga morada, a Lagoa da Saudade, no morro da Nova Cintra, há quase 15 anos, mas ainda vive no imaginário de boa parte da população.

Apesar disso, desde que o famoso jacaré fêmea se foi, os 'moradores' descobertos mais recentemente na Alemoa podem ser alguns dos mais fáceis de se localizar e observar na região. A presença dos jacarés, porém, preocupa quem já os viu nadando pelas redondezas.

"É uma área de muito fácil acesso e nos preocupa porque nada impede que os animais deixem o local e possam se ferir", afirma o dentista Ricardo Antonio Nunes Neto.

Responsável por fazer fotos dos jacarés, Ricardo afirma ter visto ao menos 12 répteis na última vez em que visitou o local e busca ajuda das autoridades para assegurar que a ação humana não afete o habitat.

"Pelo que conversei com alguns especialistas, os jacarés são da espécie papo amarelo, que está em situação de risco", explica.

O dentista ainda afirma que passou a conhecer a situação dos animais durante os protestos realizados devido à entrada de caminhões com gado bovino no Porto de Santos em janeiro de 2018.

"Alguns caminhoneiros que estavam lá na época nos avisaram da situação dos jacarés e nos acompanharam até a área em que eles vivem. Eu jamais soube que eles sequer estavam ali. O pessoal joga resto de marmita e outras coisas para eles comerem. Me preocupa a situação."

Ricardo ainda explica que levou a vereadores de Santos uma ideia de isolar a área com alambrados para que os jacarés não possam deixar o local e possam se ferir ou colocar em risco a segurança das pessoas que passam pela região. Ele afirma, entretanto, que ainda não há qualquer tipo de movimentação do tipo para que tal ação seja tomada.

AUTORIDADES

A Prefeitura de Santos diz que por serem animais silvestres, a competência do monitoramento dos jacarés da Alemoa seria de responsabilidade do Ibama.

Já a União, que é atualmente a responsável pela área, afirmou que não iria se pronunciar sobre o estado dos animais já que o assunto não seria fundiário e não caberia à Secretaria do Patrimônio da União se manifestar.

O Diário também entrou em contato com o próprio Ibama, mas foi informado que devido a uma orientação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o assunto seria encaminhado à assessoria de comunicação do Ministério para atendimento. Até a publicação da reportagem o Ministério do Meio Ambiente não tinha se pronunciado.

A orientação das autoridades para a população continua sendo de não se aproximar de um jacaré caso se depare com um e acione a Polícia Ambiental pelo telefone 190.