A Prefeitura de São Vicente anunciou uma força-tarefa para desobstruir as galerias e os canais da Rua da Constituição, no Itararé. Os trabalhos devem começar hoje. A decisão foi tomada após reunião com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) realizada ontem no Paço Municipal. O órgão estadual é responsável pelo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que teve as operações interrompidas, na última quarta-feira, após moradores, que foram atingidos pelos alagamentos do início da semana, retirarem blocos de concreto dispostos entre os trilhos.
“Nós vamos oferecer todo apoio que a Prefeitura precisar, caminhão e equipamento, para fazer a limpeza das galerias. A população tem dito que foram as obras do VLT que causaram esses alagamentos. O que não é verdade. A região do Itararé é uma região que está quase na cota do mar. Tem problemas sérios ali com algumas galerias pré-existentes a obra assoreadas”, disse Joaquim Lopes, presidente da EMTU. A expectativa é que o VLT volte a operar nesta sexta-feira.
Lopes disse que a EMTU registrou três Boletins de Ocorrência (BOs) contra a ação dos moradores nos trilhos. “O pessoal não tem o direito de vandalizar, depredar. Registramos três BOs. Pedimos para levantar esse processo porque esses vândalos têm que ser responsabilizados por seus atos“.
Os moradores da Rua da Constituição afirmam que as obras do VLT favoreceram o aumento dos alagamentos, que já ocorriam, porém com menor intensidade. O Ministério Público Estadual (MPE) investiga o caso. A EMTU nega que o projeto tenha prejudicado o sistema de escoamento de águas daquela área.
Ainda de acordo com os moradores, a empresa responsável pelas obras do VLT depositou dois caminhões de terra ao lado da linha para realizar o plantio do jardim. Com a chuva, o material foi levado para as galerias e impediu o escoamento da água que se misturou a lama e invadiu as casas. A EMTU não concorda com a afirmação.
“A terra é vermelha você viu a cor das águas que entrou na casa das pessoas? É preta. Aquela terra é a terra para fazer a acabamento do trilho. É vermelha. Se olhar todas as imagens a terra é preta que desceu material do morro. Não tem nada a ver com a terra vermelha do plantio da grama”, disse Lopes.
Drenagem
O secretário de Transportes de São Vicente, Raimundo Oliveira, disse os alagamentos nos trechos são comuns e registrados todos os anos. Apesar de reconhecer a necessidade de melhorias na drenagem do local, ele isentou as obras da EMTU e a própria Prefeitura de culpa no alagamento do início da semana.
“Falta obras de drenagem. A tubulação que a gente tem ali não é uma tubulação que comporte todo esse volume de água que desce dos morros. Ocorre que muita gente acha que é por conta do VLT e não é. Não é questão de obras de drenagem é a simples limpeza do canal das águas que escorrem do morro e vem para a praia“, disse o secretário.
Oliveira criticou a falta de limpeza dos canais. “Se não houver manutenção dos canais periodicamente vai acontecer. Tivemos a informação que essa manutenção é feita há cada 10 dias. Dez dias é muito pouco. A gente vai pedir para que a cada cinco dias limpem os canais”, afirmou.
Dias depois
Os moradores da Rua da Constituição reclamaram da falta de atenção da Prefeitura referente à limpeza do local, que só foi realizada na quarta-feira, após protesto. A Reportagem esteve no local ontem e ainda há lama pela rua. As marcas da enxurrada também estão nas paredes das casas e também na memória de quem nelas residem.
“Fiquei indignado com o descaso, pois só vieram limpar a rua depois que fiz um protesto e chamei outros moradores para saírem às ruas. Eles disseram que os moradores jogaram lixo. O que estava aqui não era lixo era tudo o que os moradores tinham e perderam”, disse o morador Luiz Antonio Pedroso Oliveira.
O empreiteiro Walter Ribeiro disse que foi muito difícil limpar a casa. A espessa camada de lama que adentrou os cômodos do imóvel parecia areia movediça. “A terra invadiu a casa quase 80 centímetros. Foi um trabalhão tirar tudo (diz ele mostrando a marca na parede). A lama que desceu do morro se juntou com a terra que eles jogaram para fazer o jardim e deu nisso. Antigamente alagava, mas ficou pior depois da obra”, afirmou.
