Itaquitanduva: a beleza e a paz atrás do morro

Praia no interior do Parque Estadual Xixová-Japuí chama atenção pela beleza

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13 FEV 2017Por Diário do Litoral11h00
O acesso à praia de Itaquitanduva pode ser feito por duas trilhas: a dos Surfistas e a do Curtume; percurso dura aproximadamente 40 minutos e é de nível moderadoO acesso à praia de Itaquitanduva pode ser feito por duas trilhas: a dos Surfistas e a do Curtume; percurso dura aproximadamente 40 minutos e é de nível moderadoFoto: Rodrigo Montaldi/DL

“Depois do morro tem um paraíso”. Foi com essa frase na cabeça que a equipe do Diário do Litoral iniciou a Trilha dos Surfistas, no Morro do Xixová, em São Vicente, rumo à Praia de Itaquitanduva. Além dos amantes das ondas perfeitas, o local, que fica no interior do Parque Estadual Xixová-Japuí, atrai pessoas que apreciam a paz e as belezas da ­natureza.

O acesso à praia de Itaquitanduva é feito por duas trilhas: a dos Surfistas e a do Curtume. A Reportagem escolheu a primeira, que conta um grau de dificuldade menor. Uma placa do Parque Estadual Xixová-Japuí indica as características da área e o que o visitante encontrará pela frente. Não há portões ou guardas para monitorar a entrada e a saída das ­pessoas.

Um homem acondiciona vasilhames de água, que acabara de encher numa bica antes da subida, no bagageiro da bicicleta. A Reportagem também aproveita para molhar a boca antes de iniciar a trilha. Neste trecho, a intervenção do homem é nítida. Há sacos de lixo espalhados, apesar da indicação ‘preserve a natureza’, e as ruínas de um imóvel.

Havia chovido no dia anterior. A terra está molhada e escorregadia. Tênis e roupas confortáveis favorecem a subida, que conta com muitas pedras. Em alguns trechos, o caminho é mais íngreme e é necessário encontrar apoio nos galhos. Meia hora de caminhada. A visão ainda é do céu entre as folhas e galhos das árvores. O barulho dos passos se mistura ao dos pássaros. O percurso inteiro dura aproximadamente 40 minutos.

No caminho há muitas goiabeiras. Visitantes colhem a fruta do pé. Alguns trechos são estreitos e é preciso cuidado para não escorregar no barranco. Quando chega a uma ponte de madeira, a praia já está próxima.

O barulho do mar apressa o passo. A vista, que até então era do céu entre as folhas verdes, já começa a se abrir. O outro lado do morro surge. A areia fica mais próxima. O cenário paradisíaco enfim é ­revelado.

É sexta-feira e há poucas pessoas em Itaquitanduva. A maior frequência é aos finais de semana. À direita visitantes registram fotos ao lado de uma pedra. À esquerda, bem distante é possível ver os prédios da orla de São Vicente. Adeptos à canoa havaiana se aprontam para fazer a viagem de volta. Dois agentes de uma entidade que realiza o trabalho de monitoramento e preservação das tartarugas marinhas caminham pela areia. O surgimento de espécies mortas é comum no local, seja pela pesca predatória ou o descarte indevido de lixo, que são levados pela maré até a praia.

A água que jorra debaixo de uma rocha ajuda os visitantes a matar a sede. Também há um cano onde é possível banhar-se. Os quarenta minutos de percurso de nível moderado são recompensados. Não há moradias próximas e nem locais para a venda de alimentos.

É hora de voltar. Uma cobra d’água surge no início do caminho. Assustado, o animal foge para o meio da mata. O restante do percurso é feito mais rápido que na ida. O dia está na metade e ainda há uma família e surfistas seguindo no caminho contrário, rumo ao paraíso escondido atrás do morro.  

Parque

O acesso à praia de Itaquitanduva é gratuito. O Parque Estadual Xixová-Japuí orienta aos visitantes que entrem em contato previamente e agendem o passeio com o acompanhamento de monitores do parque ou credenciados.

O Diário do Litoral questionou a Fundação Florestal, responsável pela administração do Parque, sobre o desenvolvimento de projetos ecoturísticos no local e a manutenção dos acessos. O órgão informou que possui estudos e projetos para a recuperação e adequação estrutural dos caminhos que levam à praia.

A fiscalização do local é de responsabilidade do Parque, com o apoio da Prefeitura de São Vicente e de Praia Grande, já o ­local fica próximo à ­divisa dos dois municípios. A Polícia Militar Ambiental e outros órgãos ambientais também auxiliam no ­monitoramento daquela região, que é considerada de preservação.

Lixo levado pela maré prejudica a praia

Apesar de Itaquitanduva não contar com moradias próximas, o lixo levado pela maré, e também deixado por frequentadores, prejudica o visual da praia e contribui para a mortandade de animais marinhos. Com campanhas voltadas para o combate ao descarte irregular de resíduos, a Ong Ecomov pretende atuar junto aos visitantes e moradores do entorno da reserva ecológica.

“As campanhas de 2017 e 2018 vão reforçar a questão do descarte dos resíduos nas praias. Essa é uma das praias mais bonitas e intactas de São Vicente, mas que sofre tanto quantas as outros devido ao lixo no mar e a poluição”, ­afirmou Rodrigo Azambuja, presidente da Ecomov ao recolher materiais na areia de Itaquitanduva.

A técnica e guia regional de Turismo Kelly Couto, que também integra a entidadel, vê no local um grande potencial para a realização de projetos de ecoturismo. “O ecoturismo importante não apenas para São Vicente, mas para a região. Fiz essa trilha uma vez em 1992 e ela não tinha sofrido esse impacto. O trabalho da Ecomov é conscientizar não só o morador da cidade, mas o turista”.

Ela ressaltou a importância das campanhas de conscientização de moradores e turistas. “O trabalho de conscientização deve ­começar nas escolas. Lembro que comecei na minha adolescência com a ‘Eco 92’. É de pequeno que a gente começa a trabalhar a consciência ambiental”, estacou Kelly.