X
Cotidiano

Itaquitanduva: a beleza e a paz atrás do morro

Praia no interior do Parque Estadual Xixová-Japuí chama atenção pela beleza

O acesso à praia de Itaquitanduva pode ser feito por duas trilhas: a dos Surfistas e a do Curtume; percurso dura aproximadamente 40 minutos e é de nível moderado / Rodrigo Montaldi/DL

“Depois do morro tem um paraíso”. Foi com essa frase na cabeça que a equipe do Diário do Litoral iniciou a Trilha dos Surfistas, no Morro do Xixová, em São Vicente, rumo à Praia de Itaquitanduva. Além dos amantes das ondas perfeitas, o local, que fica no interior do Parque Estadual Xixová-Japuí, atrai pessoas que apreciam a paz e as belezas da ­natureza.

O acesso à praia de Itaquitanduva é feito por duas trilhas: a dos Surfistas e a do Curtume. A Reportagem escolheu a primeira, que conta um grau de dificuldade menor. Uma placa do Parque Estadual Xixová-Japuí indica as características da área e o que o visitante encontrará pela frente. Não há portões ou guardas para monitorar a entrada e a saída das ­pessoas.

Um homem acondiciona vasilhames de água, que acabara de encher numa bica antes da subida, no bagageiro da bicicleta. A Reportagem também aproveita para molhar a boca antes de iniciar a trilha. Neste trecho, a intervenção do homem é nítida. Há sacos de lixo espalhados, apesar da indicação ‘preserve a natureza’, e as ruínas de um imóvel.

Havia chovido no dia anterior. A terra está molhada e escorregadia. Tênis e roupas confortáveis favorecem a subida, que conta com muitas pedras. Em alguns trechos, o caminho é mais íngreme e é necessário encontrar apoio nos galhos. Meia hora de caminhada. A visão ainda é do céu entre as folhas e galhos das árvores. O barulho dos passos se mistura ao dos pássaros. O percurso inteiro dura aproximadamente 40 minutos.

No caminho há muitas goiabeiras. Visitantes colhem a fruta do pé. Alguns trechos são estreitos e é preciso cuidado para não escorregar no barranco. Quando chega a uma ponte de madeira, a praia já está próxima.

O barulho do mar apressa o passo. A vista, que até então era do céu entre as folhas verdes, já começa a se abrir. O outro lado do morro surge. A areia fica mais próxima. O cenário paradisíaco enfim é ­revelado.

É sexta-feira e há poucas pessoas em Itaquitanduva. A maior frequência é aos finais de semana. À direita visitantes registram fotos ao lado de uma pedra. À esquerda, bem distante é possível ver os prédios da orla de São Vicente. Adeptos à canoa havaiana se aprontam para fazer a viagem de volta. Dois agentes de uma entidade que realiza o trabalho de monitoramento e preservação das tartarugas marinhas caminham pela areia. O surgimento de espécies mortas é comum no local, seja pela pesca predatória ou o descarte indevido de lixo, que são levados pela maré até a praia.

A água que jorra debaixo de uma rocha ajuda os visitantes a matar a sede. Também há um cano onde é possível banhar-se. Os quarenta minutos de percurso de nível moderado são recompensados. Não há moradias próximas e nem locais para a venda de alimentos.

É hora de voltar. Uma cobra d’água surge no início do caminho. Assustado, o animal foge para o meio da mata. O restante do percurso é feito mais rápido que na ida. O dia está na metade e ainda há uma família e surfistas seguindo no caminho contrário, rumo ao paraíso escondido atrás do morro.  

Parque

O acesso à praia de Itaquitanduva é gratuito. O Parque Estadual Xixová-Japuí orienta aos visitantes que entrem em contato previamente e agendem o passeio com o acompanhamento de monitores do parque ou credenciados.

O Diário do Litoral questionou a Fundação Florestal, responsável pela administração do Parque, sobre o desenvolvimento de projetos ecoturísticos no local e a manutenção dos acessos. O órgão informou que possui estudos e projetos para a recuperação e adequação estrutural dos caminhos que levam à praia.

A fiscalização do local é de responsabilidade do Parque, com o apoio da Prefeitura de São Vicente e de Praia Grande, já o ­local fica próximo à ­divisa dos dois municípios. A Polícia Militar Ambiental e outros órgãos ambientais também auxiliam no ­monitoramento daquela região, que é considerada de preservação.

Lixo levado pela maré prejudica a praia

Apesar de Itaquitanduva não contar com moradias próximas, o lixo levado pela maré, e também deixado por frequentadores, prejudica o visual da praia e contribui para a mortandade de animais marinhos. Com campanhas voltadas para o combate ao descarte irregular de resíduos, a Ong Ecomov pretende atuar junto aos visitantes e moradores do entorno da reserva ecológica.

“As campanhas de 2017 e 2018 vão reforçar a questão do descarte dos resíduos nas praias. Essa é uma das praias mais bonitas e intactas de São Vicente, mas que sofre tanto quantas as outros devido ao lixo no mar e a poluição”, ­afirmou Rodrigo Azambuja, presidente da Ecomov ao recolher materiais na areia de Itaquitanduva.

A técnica e guia regional de Turismo Kelly Couto, que também integra a entidadel, vê no local um grande potencial para a realização de projetos de ecoturismo. “O ecoturismo importante não apenas para São Vicente, mas para a região. Fiz essa trilha uma vez em 1992 e ela não tinha sofrido esse impacto. O trabalho da Ecomov é conscientizar não só o morador da cidade, mas o turista”.

Ela ressaltou a importância das campanhas de conscientização de moradores e turistas. “O trabalho de conscientização deve ­começar nas escolas. Lembro que comecei na minha adolescência com a ‘Eco 92’. É de pequeno que a gente começa a trabalhar a consciência ambiental”, estacou Kelly.

Deixe a sua opinião

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Cotidiano

Programa 'Conecta São Vicente' abre inscrições para Curso de Informática Básica

As vagas são limitadas e as aulas estão programadas para começar em 22 de agosto, com duração aproximada de quatro meses e carga horária total de 80 horas

Santos

Projetos ambientais recebem investimento para fortalecer ações em Santos

Três diferentes ações de projetos ambientais receberam um importante reforço para fortalecer suas atuações em Santos

©2021 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software