Itanhaém: catadora de recicláveis faz objetos para se manter

Há cerca de 25 anos, desde 1996, ela recolhe o material reciclável nas ruas, quando veio de São Paulo para morar em Itanhaém

Além das vendas, Raimunda já deu aulas aos turistas na barraca da ONG Ecosurfe, na Praia do Sonho

Além das vendas, Raimunda já deu aulas aos turistas na barraca da ONG Ecosurfe, na Praia do Sonho | Nair Bueno / Diário do Litoral

Transformar o plástico em cortinas, carrinhos de brinquedos, vasos de flores, samambaias, mobiles, guirlandas, entre outros objetos. Essa foi a forma que a catadora de recicláveis e artesã Maria Raimunda Marques dos Santos, de 59 anos, encontrou para ter uma renda e sustentar sua família, no bairro Jardim Umuarama, em Itanhaém.

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Há cerca de 25 anos, desde 1996, ela recolhe o material reciclável nas ruas, quando veio de São Paulo para morar em Itanhaém.

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“Ao chegar no bairro Jardim Umuarama, tive que invadir essa área verde e montar um barraco de madeira para morar, mas, hoje, já regularizei a situação e pago o imposto à prefeitura”, explica.

“Comecei a recolher os recicláveis para manter a família. Aprendi sozinha a fazer as cortinas com garrafas pets. No início, o pessoal comprava só para me ajudar, mas depois, fui aprendendo a montar outros objetos como brinquedos, vasos de plantas e outros.”

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Raimunda conta que sua vida foi bastante difícil. Ela teve nove filhos, porém a primeira filha acabou sendo doada por sua mãe, pois ela era muito nova e perdeu o contato. Trabalhou ainda em uma fábrica de plástico em São Paulo.

Ela sai todos os dias com o seu carrinho, durante a semana, para pegar os materiais recicláveis. Essa é a sua única fonte de renda para garantir o sustento da família.

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“Nos finais de semana aproveito para sair com minha bicicleta triciclo e vender os objetos nas praias do Sonho, do Gaivota, em Itanhaém, e também em Mongaguá. Os carrinhos são amarrados atrás da bike, já que a propaganda é a alma do negócio”, ressalta.

Os carrinhos de brinquedo são os que mais chamam a atenção das crianças. Ela recebe várias encomendas de clientes que já a conhecem e, em especial, no Dia das Crianças. Para montar os carrinhos, ela já deixa as rodas prontas e, em um dia, chega a montar 12.

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Quanto aos valores dos objetos, eles variam conforme o modelo. Um carrinho sai a R$ 10,00, uma cortina a R$ 100,00, e as samambaias R$ 50,00.

GUERREIRA.
Com a pandemia da Covid-19, as vendas caíram bastante, porém Raimunda já tinha alguns fregueses fiéis que faziam as encomendas. Nem mesmo durante essa fase ela não deixou de vender.

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“Ao passar nas ruas algumas pessoas comentam que sou uma guerreira. Isso porque saio embaixo de sol ou de chuva para vender os meus objetos”, revela.

Na sua casa, a artesã tem um quarto onde fica reservado para deixar o material reciclável e montar as peças dos objetos. Ao caminhar pelo jardim, estão expostos diversos vasos de flores, samambaias e mobiles variados, todos feitos com garrafas pets.

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As tampinhas das garrafas pets também são reaproveitadas para montar as cortinas. Outro objeto bastante procurado são as árvores de natal. “Mas este ano, só vou montar as árvores se receber encomendas”, frisa.

Além das vendas, Raimunda já deu aulas aos turistas na barraca da ONG Ecosurfe, na Praia do Sonho. Um dos pontos fixos de vendas é a na barraca do Rubão, na mesma praia, com a exposição dos objetos.

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“Há quatro anos, também ensinei as crianças atendidas pelo projeto social “Flor da Mata”. Meus carrinhos já foram vendidos para os estados do Paraná, Bahia, Minas Gerais e outros”, conta.

A ideia da artesã é, em um futuro próximo, poder se aperfeiçoar e criar outros modelos de objetos para divulgar e oferecer ao público.

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Para divulgar o trabalho, Raimunda tem postado fotos nas redes sociais, como no Facebook (mariaraimundamarques).

Interessados em conhecer ou colaborar com doação de materiais recicláveis ou tinta podem fazer contato pelo WhatsApp 13 99789.6892. (Nayara Martins)