Irmã de Papa Francisco diz que ter um irmão Papa é uma bênção de Deus

Segundo ela, Bergoglio nunca demonstrou querer ocupar o cargo máximo da Igreja Católica

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14 MAR 201323h22

A única irmã viva de Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, ex-arcebispo de Buenos Aires, María Elena Bergoglio, disse em entrevista ao Grupo Estado que ficou em estado de choque e chorou muito quando ouviu o anúncio que seu irmão era o mais novo Papa. "Ter um irmão que é Papa é uma bênção de Deus", afirmou. E disse que pelas imagens que viu do irmão, ontem, pela TV, ele tinha "uma expressão de plenitude".

Segundo ela, Bergoglio nunca demonstrou querer ocupar o cargo máximo da Igreja Católica. "Ele nunca se aprofundou nos motivos e não sei o que foi que o mudou agora. Mas seja feita a vontade de Deus", argumentou.

Ainda emocionada com a notícia que surpreendeu os argentinos na quarta-feira (13), Maria Elena afirmou que Bergoglio "ama" a cidade de Buenos Aires e poderia ter permanecido toda a vida nela. Ela o descreveu como uma pessoa que sempre se dedicou aos pobres, fracos, oprimidos, idosos e crianças. Órfãos de pai ainda quando eram crianças, a irmã do Papa disse que ele foi como um pai para ela. E que, apesar da distância física, ele sempre foi "presente e companheiro".

Ela também antecipou que não viajará a Roma para a posse do irmão, mas desejou forças ao Papa. Até o meio da tarde desta quinta-feira (14), ela ainda não havia conseguido comunicar-se com ele.

Jose Bergoglio, o filho de Maria Elena, sobrinho do Papa, explicou que a notícia foi um "choque" para todos. "Tive que me sentar quando ouvi o nome dele. Nos dá muito orgulho", contou. O papa argentino teve outros três irmãos, Alberto Horacio, Oscar Adrián e Marta Regina, que já morreram. Jose disse que a família esperava o regresso de Bergoglio no dia 23 de março para preparar as homilias da Semana Santa.

Humildade e solidariedade - A família de Bergoglio, colegas da arquidiocese de Buenos Aires, e fiéis são unânimes em ressaltar a humildade e a solidariedade que sempre fizeram parte do caráter do novo Papa. Segundo contou o padre Lorenzo de Vedia, conhecido como padre Toto, da favela 21, uma das maiores da periferia de Buenos Aires, o novo Papa lutou muito para acabar com o flagelo das drogas. "Na inauguração de um centro de recuperação de drogados que construímos, ele veio e fez a cerimônia de lava-pé, honrando a todos", disse o padre.

Segundo ele, Bergoglio "sempre deu tratamento especial a todos e com muita simplicidade". Na mesma favela, outro colega, José María Di Paola, o padre Pepe, comentou que Bergoglio "é um pastor que acompanhou os pobres". Ele contou que "toda a comunidade se emocionou e chorou com a notícia de que o homem que sempre acompanhou as procissões e batizou seus filhos era o Papa".

O padre Pepe conta que recebeu total apoio de Bergoglio quando recebeu graves ameaças por sua campanha contra as drogas. Para ele, Bergoglio levará ao Vaticano uma "direção voltada para os mais pobres". A austeridade do ex-cardeal o levava a usar sempre o transporte público como meio para locomover-se e não gostava de luxo nem em suas vestimentas e calçados. Muitos eram usados, segundo contam na arquidiocese de Buenos Aires.

Na dor da perda, Bergoglio também foi recordado como um sacerdote presente na comunidade argentina. Durante a tragédia em um show na boate Cromanhón, em 2004, onde um incêndio matou 194 jovens, incluindo crianças, o cardeal acompanhou as famílias Amelia Borrás, mãe de Gabriela Borrás, uma das jovens que morreu, contou que o arcebispo argentino foi até o hospital na periferia onde muitas vítimas estavam internadas. "Ele abençoou minha filha, que pôde abrir os olhos antes de morrer e me ver", contou emocionada ao canal de TV TN. Segundo ela, Bergoglio "esteve com os mais necessitados".

Namorada - O ex-cardeal de Buenos Aires teve uma namorada de infância para quem declarou o seu amor e jurou que se não se casasse com ela, se tornaria padre. Emocionada, a senhora Amalia, que era vizinha no local onde o Papa cresceu, no bairro de Flores, de classe média, recordou dele com muito carinho.

Ela recordou que Bergoglio lhe enviou uma carta, quando tinha uns 12/13 anos, com o desenho de uma casa com teto pintado de vermelho e as paredes brancas, e dizia que era a casinha que compraria para ela quando se cassassem. "Se não nos casamos, me torno padre", disse Bergoglio na carta usada para declarar o amor à colega da escola e vizinha.

"Meu pai me deu uma surra porque eu me atrevi a receber uma cartinha de um garoto. Depois do castigo, pedi que ele não se aproximasse mais", contou ternamente. Amalia ressaltou a vocação sacerdotal de Bergoglio e disse que quando o viu pela TV, levantou-se e disse: "Jorge te abraço, pelo carinho de toda uma vida". Amalia também expressou o desejo de que "ele nunca se afaste do caminho e que se lembre de suas raízes".