Cotidiano

Invisível e voraz: Essa planta carnívora engole presas em milissegundos e reapareceu após 80 anos

Trata-se da Utricularia warmingii, uma espécie rara de planta carnívora aquática redescoberta por pesquisadores no interior do Piauí

Ana Clara Durazzo

Publicado em 20/03/2026 às 12:34

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Diferente das plantas carnívoras mais conhecidas, como a dionéia, a Utricularia não tem aparência ameaçadora / Gov/Francisco Sousa/Divulgação

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Uma planta quase invisível a olho nu, capaz de capturar presas em milissegundos, reapareceu no Brasil após mais de 80 anos sem registros — e o achado está longe de ser apenas uma curiosidade científica.

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Trata-se da Utricularia warmingii, uma espécie rara de planta carnívora aquática redescoberta por pesquisadores no interior do Piauí. O achado reacende o alerta sobre a preservação de ecossistemas frágeis e levanta um debate urgente: a planta pode desaparecer novamente — desta vez, de forma definitiva.

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Uma planta carnívora que 'engole' a presa em milissegundos

Diferente das plantas carnívoras mais conhecidas, como a dionéia, a Utricularia não tem aparência ameaçadora. Na verdade, ela vive submersa e se alimenta principalmente de organismos microscópicos.

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O gênero reúne cerca de 250 espécies espalhadas pelo mundo, todas com um mecanismo de caça impressionante: pequenas estruturas chamadas utrículos, que funcionam como armadilhas de sucção.

Esses “sacos” criam uma pressão negativa interna. Quando um micro-organismo encosta na planta, a armadilha se abre e suga a presa em um movimento ultrarrápido — entre 10 e 15 milissegundos. Apesar do tamanho diminuto, a eficiência é tão alta que algumas espécies maiores conseguem capturar até pequenos insetos aquáticos.

Redescoberta histórica no interior do Piauí

A Utricularia warmingii foi encontrada em uma área alagada conhecida como Lagoa do Bode, no município de Campo Maior, a cerca de 80 quilômetros de Teresina.

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A espécie não era registrada em diversas regiões do Brasil há mais de oito décadas. Em São Paulo, por exemplo, não há registros desde 1939, enquanto em Minas Gerais os últimos dados são do século XIX. Por isso, cientistas já consideravam a possibilidade de extinção local ou até nacional.

Além do Brasil, a planta também ocorre em países como Bolívia, Colômbia e Venezuela, mas sempre com registros raros e isolados.

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Beleza delicada esconde alta vulnerabilidade

Com até 6 centímetros de altura, a planta apresenta flores brancas com manchas amarelas e vermelhas, que flutuam na superfície graças a uma haste cheia de ar — uma adaptação que facilita sua reprodução.

Mas, apesar da delicadeza, sua sobrevivência está longe de ser garantida. Os pesquisadores identificaram que a população encontrada pode estar restrita a um único local, sem registros adicionais na região mesmo após novas buscas. Isso torna a espécie extremamente vulnerável.

Área mínima e risco real de desaparecer

Embora a planta esteja distribuída teoricamente pela América do Sul, na prática ela ocupa uma área estimada de apenas 36 km² — um espaço extremamente pequeno para garantir sua sobrevivência.

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Na prática, isso significa que, se uma população desaparecer, é muito improvável que outra volte a ocupar o mesmo local naturalmente. Ou seja: uma vez extinta, dificilmente retorna.

Ameaças crescentes colocam espécie em perigo

O maior risco para a Utricularia warmingii está na destruição de seu habitat natural. A planta depende de ambientes muito específicos, como lagoas rasas e áreas de alagamento temporário — ecossistemas considerados alguns dos mais ameaçados do planeta.

Entre as principais ameaças identificadas pelos cientistas estão:

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  • Expansão agropecuária desenfreada;

  • Uso de agrotóxicos e fertilizantes que contaminam a água;

  • Introdução de espécies invasoras;

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  • Alterações no uso do solo;

  • Mudanças climáticas, que afetam os ciclos naturais de cheias e secas.

Diante desse cenário, especialistas já defendem que a espécie seja oficialmente classificada como “em perigo de extinção”.

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Alerta sobre a biodiversidade desconhecida

Mais do que um caso isolado, a redescoberta da Utricularia warmingii revela o quanto a biodiversidade brasileira ainda é pouco conhecida — especialmente em regiões menos exploradas, como o interior do Nordeste.

Para os pesquisadores, o episódio mostra que espécies raras podem estar sobrevivendo de forma silenciosa, mas também extremamente vulnerável. Sem proteção adequada, podem desaparecer antes mesmo de serem completamente estudadas pela ciência.

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