Investigador do caso Pistorius é acusado de homicídio

Promotores disseram que não estavam inteirados sobre as acusações enfrentadas pelo investigador Hilton Botha quando pediram seu comparecimento ao tribunal

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21 FEV 201312h17

O principal investigador do caso envolvendo Oscar Pistorius, atleta acusado de premeditar o assassinato de sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, na madrugada do dia 14, em Pretória, enfrenta uma acusação de tentativa de homicídio durante um tiroteio ocorrido em 2011.

A informação foi confirmada pela polícia da África do Sul nesta quinta-feira (21), terceiro dia seguido de audiência de fianças do astro paralímpico.

Os promotores do caso disseram que não estavam inteirados sobre as acusações enfrentadas pelo veterano investigador Hilton Botha quando pediram seu comparecimento ao tribunal que processa Pistorius. Na última quarta-feira, o detetive se manifestou contra o pedido de liberdade de Pistorius, dizendo em audiência que o atleta solto representaria um "risco à sociedade" e alegando que ele poderia tentar fugir da África do Sul.

O corredor sul-africano é acusado pela promotoria de premeditar o assassinato da modelo de 29 anos, morta com quatro tiros no banheiro da casa do atleta, na capital sul-africana. Pistorius alega que confundiu a namorada com um ladrão e afirmou que os disparos foram acidentais.

O corredor sul-africano é acusado pela promotoria de premeditar o assassinato da modelo de 29 anos, morta com quatro tiros no banheiro da casa do atleta, na capital sul-africana (Foto: Divulgação)

O chefe policial Neville Malila afirmou que Botha deverá comparecer no tribunal agendada em maio, em razão de sete acusações de tentativa de homicídio relacionados com um incidente ocorrido em outubro de 2011, quando o investigador e outros dois policiais dispararam contra um ônibus de pequeno porte que tentavam parar.

Medupe Simasiku, porta-voz da promotoria que acusa Pistorius de assassinato premeditado, disse que não sabe se as acusações contra Botha poderiam afetar o caso envolvendo o atleta, que fez história no ano passado, em Londres, ao se tornar o primeiro biamputado a disputar uma edição dos Jogos Olímpicos.

Mas Bulewa Makeke, outro porta-voz da promotoria, admitiu que era "totalmente estranho" um policial acusado de assassinato liderar a investigação do caso envolvendo Pistorius e admitiu que o detetive deveria ser retirado do processo contra o atleta. "Será que ele (Botha) vai ser retirado do caso? Eu não sei. Acho que a coisa certa para ele seria ser descartado", disse Makeke, pouco antes do início da audiência desta quinta-feira no tribunal de Pretória.

A revelação negativa sobre Botha foi mais um golpe para a acusação contra Pistorius, depois de a Promotoria do Ministério Público da África do Sul ter afirmado na última quarta-feira que houve um erro testemunhal do investigador, quando o policial informou que foram encontradas caixas com testosterona no quarto do atleta. Simasiku disse que é cedo para identificar a substância encontrada no local e que exames de laboratório precisam ser feitos.

O advogado de Pistorius, Barry Roux, confirmou a existência das caixas na residência do corredor sul-africano, mas disse que elas não contém "esteroide e nem uma substância proibida". A revelação da polícia levantou a possibilidade de o atleta ter feito uso de doping para melhorar o seu rendimento esportivo.

Botha também foi ainda foi acusado por Roux de "contaminar a cena do crime" ao caminhar com sapatos sem proteção sobre o chão da casa de Pistorius. O investigador admitiu que deveria ter tomado este cuidado. As informações são da Associated Press.