Intérprete do evento de Mandela sofre de esquizofrenia

Ele revelou que suas alucinações começaram durante a tradução dos discursos para a língua de sinais e que ele tentou não entrar em pânico porque havia "policiais armados ao meu redor"

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12 DEZ 201312h59

O homem acusado de ser um falso intérprete de língua de sinais e que atuou durante o serviço em homenagem a Nelson Mandela na terça-feira, em Johanesburgo, disse ter visto "anjos" durante o evento, que teve atitudes violentas no passado e que sofre de esquizofrenia.

Thamsanqa Jantjie revelou, em 45 minutos de entrevista à Associated Press, que suas alucinações começaram durante a tradução dos discursos para a língua de sinais e que ele tentou não entrar em pânico porque havia "policiais armados ao meu redor". Ele acrescentou que já ficou internado numa instituição psiquiátrica por mais de um ano.

Jantjie, que ficou a um metro do presidente norte-americano Barack Obama e de outros líderes durante a cerimônia de terça-feira, transmitida para todo o mundo, afirmou que estava fazendo corretamente seu trabalho de interpretação dos discursos para a língua de sinais. Mas também pediu desculpas por sua performance, considerada por muitos especialistas na área como algo sem nexo.

As declarações de Jantjie levantam sérias questões sobre a segurança de Obama, de outros chefes de Estado e personalidades como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que discursaram no estádio de Soweto durante a cerimônia em homenagem a Mandela, ícone da luta contra o apartheid e ex-presidente, que morreu em 5 de dezembro.

O responsável por interpretar na língua de sinais os discursos da cerimônia fingiu, afirmou o diretor nacional da Federação de Surdos da África do Sul (Foto: Evan Vucci/Associated Press/Estadão Conteúdo)

"O que aconteceu naquele dia foi que eu vi anjos chegando ao estádio...eu comecei a perceber que o problema está aqui...e eu não sei como esses ataques acontecem, quando virão. Às vezes eu me torno violento. Às vezes, eu vejo coisas me perseguindo", afirmou Jantjie Said.

"Eu estava numa posição muito difícil", acrescentou. "E eu lembro dessas pessoas, do presidente e os demais, eles estavam armados e havia policiais armados ao meu redor. Se eu entrasse em pânico eu começaria a ser um problema. Eu tenho de lidar com isso de uma forma que não devo constranger o meu país."

Perguntado com que frequência fica violento, ele disse "bastante", mas negou-se a dar detalhes.

A AP entrou em contado por telefone com a SA Interpreters, que contratou Jantjie para trabalhar no evento, mas a empresa se negou a comentar o caso.