Instituto do Mar e Sintrage recorrem a meios para recuperar embarcação W.Besnard

A proposta é que navio seja usado como escola de navegação para marinheiros e museu

O desmonte do navio da USP Professor Wladimir Besnard, publicado na edição de ontem do Diário do Litoral, mobilizou um grupo que luta a favor da recuperação da embarcação. Formado por integrantes do Instituto do Mar (Imar) e do Sindicato dos Trabalhadores Aquaviários do Guarujá e Região (Sintrage), a proposta é que o W. Besnard seja usado como escola de navegação para marinheiros e museu da própria história do navio, aberto para visitação pública durante o período em que estiver ocioso.

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“Na história do navio consta que ele sofreu um grave incêndio, que demorou 12 horas para ser contido. Esse incêndio teria feito com que o navio não pudesse mais ser usado. No entanto, estive no navio e a situação real é bem diferente da relatada. Pegou fogo no camarote inferior, porém, nesse camarote, apenas chamuscou o refeitório. O revestimento foi tirado e não tem mais nada. Tudo está funcionando na área interna”, destaca Fernando Liberalli Simoni, presidente do Instituto do Mar.

Liberalli defende que, por não possuir danos em sua estrutura, o navio deve continuar operando. Ele acredita que o equipamento pode ser gerido por uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que se encarregará de conseguir o aporte necessário para realizar eventuais melhorias estruturais e colocar o navio novamente em operação. 

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De acordo com ele, algumas das peças já foram retiradas. “A desmontagem começou antes mesmo da definição final do que seria feito do navio. Agora corremos contra o tempo para tentar reverter a situação e impedir o desmonte ou o afundamento da embarcação”, destaca o presidente do instituto.

Uma das alternativas tomadas foi tentar interlocução com a própria universidade para evitar o desmonte do navio. “Conversei com o presidente do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Também fui no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) pedir o tombamento do navio. Para esgotar as possibilidades, ingressei com uma representação no Ministério Público”, desabafa.

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Para Luiz Carlos Ferreira Pontes, presidente do Sintrage, o navio poderia também sediar um curso de marinheiro de esporte e recreio. “Hoje este é um subemprego. Mais do que abrigar o curso, o navio poderia servir como escola para esses profissionais”, destaca.

Na semana passada, o Ministério Público enviou um ofício para a Universidade de São Paulo pedindo informações sobre o processo de desmontagem. 

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“O Besnard tem uma importância histórica muito grande. A hipótese de desmontar sua estrutura é incompreensível. A USP precisa apresentar um laudo de imprestabilidade para afundar o navio. Se eles apresentarem um, eu contesto e apresento outro de prestabilidade”, finalizou.

A reportagem entrou em contato com a USP, mas não teve retorno até o fechamento desta ­edição.