Inquérito da Polícia Civil age contra ação do ‘Tribunal do Crime’ na Baixada Santista

Ex-presidiário foi sequestrado, baleado nos dois pés e exigiu antecipação de alta médica de hospital com medo de ser executado pelo PCC

Um ex-presidiário de 40 anos, baleado nos pés durante uma tentativa de homicídio, em 28 de maio na Área Continental de Santos, e que ainda seria “julgado” na mesma data, em Guarujá, pelo “Tribunal do Crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC), chegou a apressar um pedido de alta médica no Hospital Santo Amaro por temer que pudesse ser executado dentro da unidade de saúde por integrantes da facção.

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Os fatos constam no inquérito do 1° Distrito Policial de Santos (Centro) que esclareceu a tentativa de homicídio e que ainda tramita visando a responsabilização penal de todos os envolvidos no “tribunal de exceção”. As investigações, sob o comando do delegado Max Pilotto, titular do distrito, e do investigador-chefe, Rodrigo Cesar Lima, já resultaram na prisão temporária do motorista autônomo de 33 anos acusado de transportar, em seu Palio, dois comparsas do PCC e a vítima, dominada no banco de trás. Os policiais também obtiveram o mandado de prisão temporária do ex-cunhado da vítima e principal articulador do crime, que está foragido.

Em 28 de maio, caso uma viatura da Guarda Municipal de Santos não tivesse agido na Rio-Santos, o ex-presidiário, apontado pelos rivais como integrante da CDL (Comando Democrático da Liberdade), seria transportado até a Favela do Caixão, em Guarujá, onde seria “julgado”  e poderia ser assassinado.

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Vítima exigiu antecipação de alta do Hospital Santo Amaro temendo ser executada dentro da unidade pelo PCC (Foto: Hygor Abreu/Prefeitura de Guarujá)

Naquela ocasião, os três comparsas conseguiram fugir e a vítima foi retirada do carro para ser socorrida.

Temendo ser assassinado, o ex-presidiário, depois que teve a alta, sequer veio ao 1° DP de Santos para ser ouvido no inquérito. Investigadores do distrito santista foram até a capital paulista, onde ouviram a vítima em um unidade policial. Participam das diligências os policiais Marcos Roberto Neves, Marcos Prado e Victor Silvério.

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PCC no encalço

Conforme as investigações da Polícia Civil, os autores da tentativa de execução suspeitam que o ex-detento, na condição de membro da CDL, “Armas e Rosas”, matou um integrante do PCC na década passada dentro da extinta carceragem da Delegacia Sede de Guarujá. Ele nega.

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Em 26 de maio de 2020, após ser solto de uma penitenciária em Balbinos, no interior paulista, o homem iniciou uma viagem até Bertioga para visitar o filho na casa de sua ex-mulher no bairro Centerville.

No dia 27, o homem chegou à residência da ex-mulher para ver o filho e pernoitou no imóvel porque estava tarde. Na data seguinte, ele foi surpreendido pelo ex-cunhado, que armado com uma pistola o rendeu e disse que o levaria para uma conversa reservada com integrantes do PCC devido à atuação na CDL.

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Em um carro prata a vítima foi levada a um barraco no Jardim Vista Linda, onde havia um adolescente e um outro rapaz. Os policiais já ouviram o adolescente e o rapaz no distrito e ambos negaram envolvimento o crime, mas seguem sob investigação.

A ex-mulher da vítima quis ir ao barraco também visando garantir a segurança do homem. O irmão dela exigiu que ela fosse embora e o crime então teve sequência com o transporte da vítima para a Área Continental, com destino a Guarujá, em um carro de transporte clandestino.

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A vítima questionou para onde seria levada e um dos criminoso que estava no banco de trás, com uma tatuagem de lágrima no rosto, disse “que iriam para outra quebrada”.

No trajeto, os criminosos perguntavam para a vítima a todo momento se ele havia matado “algum irmão” do PCC. Quando o carro se aproximava de uma base da Polícia Rodoviária Estadual, o ex-presidiário lutou com os sequestradores e foi atingido com um tiro no pé. Na sequência ele foi alvo de um golpe “mata-leão” e foi atingido por um  segundo tiro em outro pé.

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O motorista então ingressou na estrada de serviço e parou embaixo do viaduto. Um dos criminoso desceu e ficou apontando a arma para a vítima, enquanto o outro foi para a parte de trás do carro e ficou o telefone. Segundo o relato da vítima, o motorista dizia o tempo todo “mata logo ele e vamos embora”, demonstrando claramente que estava junto com os demais na prática do crime.

Antes de um novo disparo, chegou uma viatura da Guarda Municipal, o que culminou na fuga dos criminosos.

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O ex-presidiário permaneceu internado por dois dias no Santo Amaro até solicitar a alta médica para a garantia de sua segurança.