Infectologista esclarecerá sobre ebola na Codesp

Encontro foi anunciado ontem durante reunião com sindicalistas portuários e Anvisa. Os portuários ameaçaram parar as operações, dizendo que faltam informações sobre os riscos

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23 AGO 201400h46

As reivindicações dos portuários começam a ser atendidas pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A primeira providência será a realização de um encontro no próximo dia 4 de setembro para esclarecimento sobre o vírus ebola e risco de disseminação pelo Porto de Santos. O encontro foi anunciado na manhã de ontem durante reunião promovida pelos sindicalistas portuários na sede do Sindaport.

As autoridades compareceram à reunião, inclusive um representante da Anvisa, de Brasília, após a ameaça dos portuários de paralisarem as operações em navios oriundos de países africanos.

Segundo a superintendente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Codesp, Alexandra Sofia Grota, no próximo dia 4 será promovida uma palestra no auditório da estatal. O horário ainda não foi definido. Ela disse que o evento está sendo organizado em conjunto com a Anvisa que convidará um médico infectologista para esclarecer tudo sobre a doença. A superintendente convidou os portuários para o encontro.

O convite agradou aos representantes de seis categorias que participaram da reunião intermediada pelo presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos.

Os portuários pedem esclarecimentos sobre o ebola e o risco de transmissão caso atraquem navios no Porto oriundos de países africanos com tripulantes doentes.

Os portuários ameaçaram parar as operações, pois sutentam não receber informações sobre as origens dos navios em que vão operar com antecedência.

Cirino cobrou novamente das autoridades a elaboração de um boletim informativo para ser distribuído aos portuários. Alexandra Grota informou que o material será elaborado pela Codesp e Anvisa. O texto deve ser apresentado aos portuários no dia 2. A categoria solicita que o material seja escrito na linguagem dos portuários. Por isso, o texto será avaliado por eles antes da impressão.

Por último, os sindicalistas questionaram as autoridades sobre quais serão os hospitais de referência na Baixada que atenderão casos suspeitos de ebola, se surgirem.

O superintendente de Fiscalização, Controle, e Monitoramento da Anvisa, Eduardo Hage Carmo, veio a Santos especialmente para a reunião. Ele esclareceu que somente o Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, referência em infectologia, está autorizado a atender os casos suspeitos. Carmo explicou que devido ao risco de contágio, embora bem mais difícil do que o do vírus influenza A (H1N1), o procedimento é transferir o doente com sintomas da doença diretamente para o hospital onde ele será tratado com toda a infraestrutura e isolamentos necessários.

Os portuários perguntaram porque o Hospital Guilherme Álvaro e o Hospital Emílio Ribas de Guarujá não poderiam ser designados para esses atendimentos. O chefe do Posto da Anvisa em Santos, Francisco das Chagas de Assis, disse que os portuários podem encaminhar o pedido para a Anvisa, em Brasília.

Representantes da Codesp e da Anvisa esclareceram dúvidas de portuários (Foto: Matheus Tagé/DL)

Disseminação da doença no Porto de Santos é remota

Os representantes da Anvisa que participaram da reunião de ontem com os portuários no Sindaport afirmaram que a disseminação do ebola no Porto de Santos é remota, entre outros fatores pelo baixo risco de transmissão da doença. Ambos informaram sobre os protocolos da Anvisa em casos de doenças contagiosas e que seguem não só as normas vigentes no País, mas legislações internacionais reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O chefe do Posto da Anvisa em Santos, Francisco das Chagas de Assis, esclareceu que não tem conhecimento da vinda de 35 navios com origem nos portos da Libéria ou países afetados pela epidemia de ebola, conforme divulgado em veículos de imprensa recentemente.

Assis disse que de 49 navios que estão programados para atracar no Porto de Santos, entre os dias 21 de agosto a 4 de setembro, apenas um navio é oriundo da África, mas ele garantiu que a embarcação não vem de nenhum dos três países afetados pelo ebola que são Serra Leoa, Libéria e Guiné- Bissau.

O superintendente de Fiscalização, Controle, e Monitoramento da Anvisa, Eduardo Hage Carmo, ressaltou que a gravidade da doença é mais importante do que a transmissão, pois o risco de contágio é remoto, mas o índice de mortalidade é alto.

Carmo disse que os principais sintomas da doença são febre e hemorragia. A transmissão se dá pelo contato direto com as secreções do doente: vômitos com sangue, hemorragias e diarreia com sangue.

O superintendente da Anvisa explicou que em condições adequadas o ebola é uma doença de fácil controle e já foi erradicada em outros países africanos que enfrentaram epidemia.

O chefe da Anvisa de Santos explicou que o órgão está acompanhando não só as origens como também as escalas dos navios com destino ao Porto de Santos.