Índios jurunas bloqueiam acesso a canteiro de obras de Belo Monte

Entre as exigências dos índios estariam: R$ 300 mil a título de compensação ambiental e a construção de portos cartesianos.

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08 JAN 201302h25

Cerca de 20 índios jurunas estão bloqueando o acesso a um dos três canteiros de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, estado do Pará, desde a madrugada desta segunda-feira (7). Segundo a Norte Energia, empresa responsável pela construção e operação da usina, os índios alegam que o empreendimento deixou as águas do rio turvas, impedindo-os de pescar.

Para liberarem a pista, os índios estariam exigindo, além de R$ 300 mil a título de compensação ambiental, a construção de poços artesianos nas aldeias. Tentaram  manter contato telefônico com lideranças indígenas ou representantes de organizações sociais que atuam na região, mas não conseguiu falar com nenhum deles. Representantes da Norte Energia e dos jurunas vão se reunir amanhã (8) à tarde para negociar o fim do bloqueio.

De acordo com a assessoria do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), os índios bloquearam a Travessão 27, uma estrada de terra que liga a Rodovia Transamazônica a dois dos três canteiros de obras. Com isso, os 15 ônibus que transportavam os funcionários do turno da manhã não conseguiram chegar até o Sítio Pimental, canteiro a cerca de 69 quilômetros da cidade de Altamira e onde trabalham aproximadamente 4 mil funcionários diretos e terceirizados.

O bloqueio causou a interrupção total dos serviços em Sítio Pimental, mas não afetou o acesso aos outros dois canteiros de obras: Canais e Diques. (Foto: ABr)

O bloqueio causou a interrupção total dos serviços em Sítio Pimental, mas não afetou o acesso aos outros dois canteiros de obras: Canais e Diques, que também fica na Travessão 27, mas antes de Sítio Pimenta;, e Sítio Belo Monte, a cerca de 30 quilômetros do local do bloqueio. Ainda de acordo com a assessoria da CCBM, nenhum ato de violência física ou dano ao empreendimento foi registrado até o momento. Todos os trabalhadores puderam deixar normalmente o local.

Em nota, a Norte Energia garantiu que vem procurando atender a todas as necessidades das comunidades que vivem próximas ao empreendimento, entregando cisternas e preparando, quando necessário, a construção de poços artesianos, em conformidade com os acordos já assinados. Algumas demandas, contudo, são complexas e exigem mais tempo. A empresa também garantiu manter diálogo constante com as lideranças comunitárias.