Inclusão social dos deficientes auditivos é foco em Guarujá

Três escolas contam com profissionais especializados e equipamentos especiais.

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06 NOV 201212h29

“O serviço que Guarujá presta aos surdos e deficientes auditivos é mais do que ensinar. Nós mostramos que eles são dignos de ter uma vida comum, trabalhar e constituir uma família”.

A declaração é da coordenadora de Deficiência Auditiva e Surdez da Educação Especial da Prefeitura de Guarujá, Eloisa Helena Macaro, sobre o trabalho de inclusão social dos alunos com deficiência auditiva (DA) e surdez na rede municipal de ensino.

A Cidade possui três escolas da rede (Escola Municipal Antônio Ferreira de Almeida Junior, E.M. Dirce Valério Gracia e E.M. Napoleão Rodrigues Laureano) com profissionais especializados e equipamentos necessários para estes alunos.

Além de Eloisa, o trabalho tem como coordenadora Patrícia Moreira Duarte. O Município foi o primeiro do Estado a apresentar proposta de educação bilíngüe à Secretaria de Educação e já foi premiado pela União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

O Atendimento Educacional Especializado (AEE) ocorre na Sala de Recursos Multifuncionais, no contraturno escolar. O primeiro é em Língua Brasileira de Sinais (Libras), em que o professor trabalha com os conteúdos curriculares. O segundo é o atendimento em Língua Portuguesa, em que o português escrito é orientado pela concepção bilíngue.
 
Nicolas passou a ter mais interesse nos estudos depois que passou a freqüentar a sala de recursos (Foto: Divulgação)
 
Professora da Sala de Recursos Multifuncionais da Escola Municipal Dirce Valério Gracia, Márcia Pereira Camargo, disse que o intuito é capacitar os alunos com deficiência auditiva a executar atividades normais. “Ensinamos que eles podem ter uma vida normal. Receber esse benefício não significa que eles são incapazes”, ressaltou Marcia.
 
A aluna Mirelle de Jesus começou a perder a audição aos 9 anos e hoje, aos 15 anos, só escuta com a ajuda de aparelho auditivo. Jaqueline de Jesus, mãe da menina, teve que parar de trabalhar na época para ajudar a filha nos estudos. Ela começou a frequentar a sala de recursos da E.M. Almeida Junior em 2009 e aprendeu Libras, meio pelo qual se comunica normalmente. De acordo com a professora Márcia, Mirelle ainda tem dificuldades com a Matemática, mas tem muito bom desempenho na literatura. 
 
Ao contrário de Mirelle, Dilas Pereira da Silva gosta mais de Matemática. O aluno teve pneumonia com 18 meses de vida e foi perdendo a audição, até ficar totalmente surdo. Segundo a mãe do jovem, Edineide Bezerra Penedo da Silva, ele se desenvolveu bastante por causa da SRM. “Ele precisava de companhia para levá-lo à escola, mas eu e a professora (Márcia) o incentivamos a aprender o caminho. Hoje, ele anda sozinho”, disse. 
 
A mãe de Nicolas de Andrade, Cátia Duran de Andrade, afirma que o filho começou a ter mais interesse nos estudos depois que passou a frequentar a sala de recursos. “Ele não aprendia nada e, se não fosse esse trabalho, continuaria sem aprender”, disse Cátia.