Inclusão é a palavra no Dia Internacional da Síndrome de Down, em SV

Na EMEI Cidade de Naha, o menino Lourenzo inicia a vida escolar e prova que ser diferente é normal

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21 MAR 2018Por Da Reportagem17h01
Lorenzo completará quatro anos em abrilFoto: Divulgação/PMSV

 “O Lourenzo me fez enxergar a vida com outros olhos”. É assim que a dona de casa Valéria da Silva Gonçalves define a chegada do terceiro filho. O menino, que completará quatro anos em abril, é portador da Síndrome de Down. O medo do novo, em lidar com uma criança especial ficou para trás. A palavra inclusão passou a fazer parte da rotina da família, que busca garantir ao caçula um futuro onde a diferença não o impeça de ser feliz e de alcançar seus objetivos.

 “Assim que ele nasceu não percebi a diferença. Durante a gravidez, a única coisa que apareceu foi uma dilatação no rim dele, mas nenhuma indicação da síndrome. Meu marido notou quando o viu pela primeira vez. Mostrou uma foto e na hora eu senti: meu filho é Down. Ele ficou mais calmo que eu. Tive medo do novo. Medo de como criar, como agir com uma criança especial”, contou Valéria, que tem mais dois filhos, um com 14 anos e outro com 17.

Os exames confirmaram o que o coração dos pais e as características do filho já haviam diagnosticado: Lourenzo era portador da Síndrome de Down. “Minha vida mudou. A partir daí procurei profissionais que pudessem me ajudar: fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. Foi o fisioterapeuta que me indicou a Apae (Associação de Paes e Amigos dos Excepcionais). Fui muito bem recebida. Ele teve todo o atendimento para se desenvolver normalmente como qualquer criança”, lembrou a dona de casa, que deixou o emprego em uma loja no Centro de São Vicente para se dedicar ao filho.

Valéria contou que teve de lidar com o preconceito. As diferenças que antes não enxergava, e agora presente em sua casa, a fizeramver o mundo de outra forma. “As pessoas olham para o meu filho com cara de dó ou de ‘engraçadinho’. Eu não ligo. Quando eu não o tinha também olhava assim. Ou melhor, eu não via. Era como se não existissem. Hoje eu os vejo, e tem tantos outros como ele. Eles têm representatividade. Vou na lanchonete e o atendente é Down. Vou no Poupatempo e sou atendida por uma moça que também tem a síndrome. Eles são pessoas comuns. As oportunidades e a representatividade são importantes, sim”.

Educação

Lourenzo está na fase escolar. Iniciou no Ensino Infantil este ano. É na EMEI Cidade de Naha, no Catiapoã, em São Vicente, que ele dá os primeiros passos para o desenvolvimento pedagógico. “Uma escola muito boa, que dá atenção. Ele tem pouco tempo aqui, mas já teve melhora na aprendizagem”, disse, enquanto observava o filho participando de uma atividade alusiva ao outono com os colegas em sala de aula.

A sala tem pouco mais de 20 alunos. Lá dentro, além das crianças, a professora, uma auxiliar e um tutor. Eles conhecem frutas características do outono. A atividade envolve também o brincar. As crianças interagem umas com as outras, e Lourenzo está entre elas. Ali a diferença não se faz presente.

 “O Lourenzo é super amável, muito carinhoso e querido pelos colegas de classe. A equipe é muito boa, e me dá respaldo, desde a direção ao pedagógico. É a primeira vez que trabalho com um aluno especial. Ser sua professora é um privilégio. Tenho aprendido muito. Aqui não há diferença”, disse a professora Sonia Maria Santos Guimarães, que tem quase 10 anos de profissão.

Wagner Gonçalves é o tutor de Lourenzo em sala de aula. Na função de Atendente de Educação há um mês, ele define a experiência como enriquecedora. “O ajudo em suas necessidades e no relacionamento com outras crianças. Ele é muito tranquilo. Todos os dias é um estímulo para trabalhar”.

Inclusão

Lourenzo passa o dia todo na escola. Ele está no maternal e a sala é de período integral. A diretora da EMEI Cidade de Naha, Lilian Chiquesi, destacou a rotina das crianças. “De manhã ele tem as atividades em sala de aula e educação física, tudo com os outros alunos sem distinção. À tarde, duas vezes por semana, ele vai para a Sala de Recursos Multifuncionais (SRM), que tem atividades específicas para ele durante 45 minutos, com o acompanhamento da professora (especializada em Educação Especial)”. A escola é referência e atende crianças especiais de outras unidades da rede municipal de ensino daquela região.

A diretora tambémfalou da relação com os pais de Lourenzo, em especial a mãe, Valéria, e da importância do apoio deles no processo de adaptação do filho na escola. “Ela é muito parceira. Nos passa todas as informações necessárias e conversa com os professores, ajudando-os em tudo o que eles precisam”.

A supervisora da Secretaria de Educação (Seduc), CléiaPoppe, explicou como funciona o trabalho de inclusão na rede municipal de ensino. “Todas as escolas estão voltadas à inclusão e contam com professores e atendentes. O atendimento é de acordo com cada aluno, já que cada um tem sua característica e necessidade”, explicou.