Um estudo pretende reunir informações de como e quando a zika chegou a Baixada Santista e sobre a incidência e os efeitos da doença na população. A análise será feita pelo Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Hospital Ana Costa. A iniciativa foi divulgada ontem (12) durante reunião entre a diretoria do hospital e pesquisadores. A pesquisa deve durar aproximadamente dois anos.
O início da pesquisa, que deve durar aproximadamente dois anos, ainda depende de aprovação dos comitês de ética. Além de identificar a chegada do vírus à região, o estudo pretende reunir informações sobre a incidência do zika e o impacto dele em grávidas e seus bebês. Serão utilizados materiais biológicos e dados clínicos de pacientes, entre eles doadores de sangue, grávidas e de mulheres que deram à luz no Hospital Ana Costa.
“Todo mundo está mobilizado. A gente já vem organizando uma estrutura de coleta. O que nós vamos fazer agora é aumentar e acelerar o volume de coleta de exames biológicos e dados clínicos, no contexto dessas pesquisas”, afirmou o médico Evaldo Stanislau, chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do Hospital Ana Costa. A parceria do hospital com o instituto é antiga, desde de 2003, e gerou informações importantes sobre a dengue.
Segundo Stanislau, todos os casos suspeitos de zika já são encaminhados para análise, porém os resultados não são imediatos. “O que a gente não pode é prometer para as pessoas um resultado em tempo real porque não é igual a um exame enviado para um laboratório comercial – você colhe hoje e daqui a quatro dias tem o resultado. Ele é feito dentro de um ambiente universitário, num contexto de pesquisa, sem financiamento especifico para isso. O usuário que eventualmente for atendido por nós ele vai ter a certeza que vai receber o resultado de muita qualidade, dentro de um prazo que é relacionado ao ambiente universitário”, explicou.
No encontro foram definidas ainda diretrizes para o atendimento das grávidas que realizam o pré-natal na rede Ana Costa. “A gente vai começar também a ofertar para as nossas gestantes, que no pré-natal dela já se faça pesquisa de anticorpos conta a zika em parceria com o Instituto de Medicina Tropical, mas toda a logística a gente agora estabelece e nas próximas semanas já estará em operação”, afirmou Stanislau.
Hepatites
Durante a reunião, os pesquisadores e a diretoria do hospital comentaram os resultados de pesquisa clínica que utilizou novo remédio no combate as hepatites virais. Dos 13 pacientes participantes da iniciativa todos obtiveram cura.
“Não é uma droga disponível no Sistema Único de Saúde, pois temos outras equivalentes e tão boas quanto. Essa nova classe de medicamentos atua diretamente no vírus da Hepatite C bloqueando enzimas que são essenciais para que o vírus não se multiplique. Eles são muito potentes e a gente tem um índice de cura que é inédito. Tanto que a Organização Mundial da Saúde, graças a essa nova classe terapêutica, trabalha com a perspectiva de até 2030 a Hepatite C deixar de ser um problema de saúde pública”, afirmou Stanislau.
