Cotidiano
Sistema improvisado no Camboja utiliza motores de moto e plataformas simples para conectar vilarejos e inspira reflexões sobre o uso de malhas ferroviárias desativadas no litoral paulista
O caso mais conhecido desse tipo de transporte é o chamado trem de bambu do Camboja / Reprodução/Youtube
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Em meio à precariedade da infraestrutura ferroviária em áreas rurais do Sudeste Asiático, uma solução improvisada voltou a chamar atenção nas redes sociais. Vídeos recentes do canal Tekniq mostram uma espécie de plataforma de madeira montada sobre rodas metálicas, impulsionada por motor de motocicleta, deslizando por trilhos antigos e quase abandonados.
O caso mais conhecido desse tipo de transporte é o chamado trem de bambu do Camboja, popular na província de Battambang. Conhecido localmente como norry, o veículo consiste em uma base leve — muitas vezes feita de bambu ou madeira — apoiada sobre eixos simples, capaz de transportar passageiros, cargas e até motocicletas.
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Durante anos, o norry foi uma alternativa prática em regiões onde a malha ferroviária existia, mas o serviço regular de trens era insuficiente ou inexistente. A lógica por trás do improviso é direta: se os trilhos já estão instalados, mesmo degradados, tornam-se um corredor natural de deslocamento, conectando vilarejos, áreas agrícolas e centros urbanos sem depender de estradas de terra frequentemente esburacadas.
A solução, inicialmente criada para suprir falhas na infraestrutura formal, acabou se transformando também em atração turística. Com a retomada de projetos de reabilitação ferroviária no país, especialmente a partir de 2017, a operação tradicional do trem de bambu foi impactada. Em alguns trechos, o serviço improvisado precisou ser desativado ou transferido para áreas específicas voltadas a visitantes.
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Hoje, o norry representa ao mesmo tempo um símbolo de criatividade local e um ponto de debate sobre segurança e autenticidade. As plataformas são descritas como instáveis, porém funcionais, e continuam a despertar curiosidade de turistas que buscam experiências fora do circuito convencional.
Entre necessidade e atração turística, o improviso sobre trilhos ilustra como comunidades adaptam estruturas existentes para garantir mobilidade — ainda que à margem dos sistemas formais de transporte.
O reaproveitamento improvisado de trilhos antigos no Camboja também provoca reflexões no Brasil. Em diferentes trechos do litoral paulista, linhas férreas desativadas seguem como estruturas ociosas, cercadas por vegetação e memória histórica. O caso asiático reacende o debate sobre possíveis usos para essas áreas — seja para mobilidade, turismo ou preservação patrimonial.
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